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Ucrânia diz na ONU que invasão militar russa é guerra contra o país

Do UOL, em São Paulo

29/09/2015 14h54

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, acusou a Rússia de agredir gratuitamente a soberania de seu país, nesta terça-feira (29), durante seu pronunciamento na Assembleia Geral das Nações Unidas. O chefe de Estado fez um discurso com duras críticas a Moscou e pediu mudanças no Conselho de Segurança da ONU, que tem a Rússia entre seus membros permanentes.

“Hoje, tenho de lembrar que meu país se tornou objeto de agressão externa. Desta vez, o agressor é a Rússia, país vizinho, ex-parceiro estratégico que havia legalmente se comprometido a respeitar a soberania, integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras da Ucrânia”, afirmou o presidente.

“Este país já foi um fiador da segurança da Ucrânia sob o Memorando de Budapeste, pelo qual garantias de segurança foram providas a meu país em troca da renúncia voluntária ao terceiro maior arsenal nuclear mundial. (...) Em fevereiro de 2014, a Rússia conduziu uma agressão não provocada e aberta contra o meu país, tendo ocupado e anexado a Crimeia, abruptamente e brutalmente violando a lei internacional e chocando toda a comunidade internacional”, disse Poroshenko.

Assim que seu pronunciamento foi iniciado, toda a delegação russa deixou seus lugares e se retirou do plenário onde são realizados os pronunciamentos da 70ª Assembleia Geral, em Nova York.

O chefe de Estado ucraniano disse ainda que a Rússia não respeitou o veredito claro da comunidade internacional de que não poderia ter anexado a Crimeia, e apontou “uma nova aposta militar” russa na região do leste ucraniano, que enfrenta há cerca de um ano e meio uma crise separatista em favor da Rússia.

“Apesar do fato de, até agora, a Rússia se negar a oficialmente admitir sua invasão militar direta, hoje não há dúvida de que esta é uma guerra agressiva contra o meu país”.

A comunidade internacional e as principais potências ocidentais têm se manifestado, desde a anexação da Crimeia, contra a ofensiva russa no leste da Ucrânia (iniciada em março de 2014), mas Moscou jamais assumiu responsabilidades nos confrontos que já deixaram milhares de mortos.

Sanções econômicas foram impostas à Rússia, mas, por enquanto, não houve acordo com resultado efetivo para o fim da queda de braço entre Putin e nações do Ocidente, como os Estados Unidos. A conta, como afirma o presidente Poroshenko, ficou para a Ucrânia.

“Por mais de 20 meses, a agressão da Rússia contra o meu país tem sido contínua, através do financiamento de terroristas e mercenários e do suprimento de armas e equipamentos militares para grupos armados ilegais em Donbas [leste do país]”, disse.

“Neste período, mais de 8.000 ucranianos, dos quais 6.000 civis, morreram nas mãos dos terroristas e invasores apoiados pela Rússia. Mais de 1,5 milhão de moradores do Donbas foram forçados a abandonar suas casas e a se mudar para regiões mais seguras na Ucrânia”, denunciou o presidente.

Vetos do Conselho de Segurança da ONU

Em seu discurso, Poroshenko defendeu a modernização do Conselho de Segurança da ONU, que tem atualmente como membros permanentes cinco países: Rússia, EUA, França, China e Reino Unido. Qualquer um deles pode impor vetos a decisões tomadas pelo grupo.

“Desde o começo das agressões, a Rússia usou do direito de veto duas vezes, enquanto o Conselho de Segurança da ONU considerava questões relacionadas à Ucrânia. (...) O poder de veto não deveria se tornar um ato de graça e perdão para o crime, que poderia ser usado a qualquer hora e ‘tirado da manga’ com o objetivo de evitar punições futuras”, criticou.

“Neste contexto, eu acolho a iniciativa do meu colega francês, presidente Hollande, com apoio do presidente Peña Nieto, do México, na declaração política de restringir o direito de veto entre os integrantes permanentes do Conselho em casos de atrocidades em massa”, afirmou o ucraniano.

Alterações no Conselho de Segurança foram defendidas ontem por Hollande e Peña Nieto em seus pronunciamentos na assembleia.

“Setenta anos atrás, os criadores da Carta das Nações Unidas vislumbraram o mecanismo de sanções do Conselho de Segurança como uma das ferramentas de contenção aplicadas em resposta a violações de paz e atos de agressão. No entanto, eles não poderiam imaginar que esta ferramenta seria necessária contra um Estado agressor que é um membro permanente do conselho”, declarou Poroshenko.