Topo

Homem preso injustamente é solto após 24 anos e festeja usar celular pela 1ª vez

Shaurn Thomas, que cumpria prisão perpétua, foi inocentado e solto nos EUA - Reprodução
Shaurn Thomas, que cumpria prisão perpétua, foi inocentado e solto nos EUA Imagem: Reprodução

Colaboração para o UOL

25/05/2017 11h58

Um homem de 43 anos conheceu a liberdade pela primeira vez em 24 anos na noite de terça-feira (24), depois de ser injustamente condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos, por assassinato. Shaurn Thomas tinha 16 anos à época do crime que ele não cometeu e, agora livre, disse que sonhava em usar um telefone celular pela primeira vez.

Sorridente em matérias de TV dos EUA, ele comemorou a liberdade e contou seus dois primeiros desejos fora da prisão. Ele pôde pela primeira vez usar um celular e quis ir a uma unidade do famoso restaurante Red Lobster para sua primeira refeição longe das grades.

"Eu me sinto ótimo, não poderia estar melhor", afirmou ele à rede ABC. "Foi engraçado usar um celular pela primeira vez, foi incrível. Não tenho animosidade contra ninguém. Eu apenas sigo em frente. Infelizmente isso aconteceu comigo, mas não sou o único. Você tem de acreditar em Deus e seguir lutando."

Thomas foi inicialmente julgado culpado pelo assassinato de um executivo em uma movimentada rua da Filadélfia em 1990, num assalto que levou US$ 25 mil do empresário. O jovem foi condenado apesar de ter sempre alegado que, no momento do crime, estava em um centro de estudos para jovens. Apenas uma testemunha afirmou que o viu na cena do crime.

Apesar das diversas apelações, a Justiça americana nunca aceitou o álibi, e Thomas foi condenado à prisão perpétua em 1993. Só 16 anos depois é que ele encontrou alguém que viria por tirá-lo da prisão: o ex-policial James Figorski, que se formou advogado e passou a trabalhar de forma voluntária para um projeto que defende inocentes na Pensilvânia.

“Em todos os níveis, Shaurn Thomas estava fracassado. Pelos seus advogados, pelos promotores, pela corte. Ironicamente, foi necessário um ex-policial para provar que ele era um homem inocente”, comentou ao jornal "Washington Post" a diretora do projeto que libertou Thomas, Marissa Bluestine.

“Isso aconteceu porque ele não tinha nenhum dinheiro”, completou Figorski, que contou com o auxílio do juiz Seth Willians, que assumiu o tribunal em 2014 e passou a ouvir diversas pessoas ligadas ao local onde agora se conclui que Thomas “muito provavelmente” estava no momento do crime.

De acordo com o "Washington Post", só no ano passado 166 pessoas foram libertadas depois de serem inicialmente condenadas. Desses casos, 52 eram de assassinato.