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Corbyn diz que Theresa May deve renunciar: "o suficiente para partir"

Jeremy Corbyn se pronuncia depois de ser reeleito em sua circunscrição - Frank Augstein/AP
Jeremy Corbyn se pronuncia depois de ser reeleito em sua circunscrição Imagem: Frank Augstein/AP

Do UOL, em São Paulo

09/06/2017 00h19

O líder trabalhista Jeremy Corbyn afirmou nesta sexta-feira (9, data local) que a primeira-ministra do Reino Unido, a conservadora Theresa May, deve renunciar após o resultado das eleições gerais e abrir caminho para um novo governo. "[May] perdeu cadeiras conservadoras, perdeu votos, perdeu apoio e perdeu confiança. Eu digo que isto é o suficiente para partir", declarou Corbyn após ser reeleito na circunscrição de Islington North, no centro de Londres.

"A primeira-ministra convocou estas eleições, pois ela queria um mandato. O que obteve foi a perda de cadeiras para os conservadores, perda de votos e perda de confiança", disse o trabalhista.

De acordo com as pesquisas de boca de urna divulgadas por três emissoras britânicas após o fechamento dos colégios eleitorais, o Partido Conservador obteria 314 cadeiras no Parlamento e não manteria a maioria absoluta que tinha até agora.

Com 364 das 650 circunscrições apuradas, os conservadores somam 153 cadeiras, três a menos que nas últimas eleições, enquanto que os trabalhistas estão com 165, 15 a mais que nas gerais de 2015.

Apesar de os Conservadores terem, em números, vencido as eleições, os resultados, se confirmados, representam uma derrota para premiê. Ela havia convocado as eleições três anos antes do previsto para se posicionar mais fortemente em relação à União Europeia em torno da dura negociação que tem pela frente sobre a saída do país do bloco.

Parlamento dividido

O Parlamento sem maioria clara é um fenômeno descrito no país como "hung Parliament" - nenhum partido tem maioria clara, o que significa que nenhum partido tem mais da metade dos parlamentares na Câmara dos Comuns.

Se o resultado for mantido, Theresa May ainda poderia formar um governo minoritário sem acordos com outros partidos, e tentar formar maiorias apenas em favor de projetos individuais de leis, à medida que esses aparecerem.

May anunciou em 18 de abril o adiantamento das eleições, inicialmente previstas para 2020, e o fez argumentando que queria fortalecer a sua posição antes das negociações de separação com Bruxelas ampliando a sua maioria absoluta, que era de 17 deputados.

As negociações substanciais sobre o "Brexit" deverão começar no próximo dia 19 de junho, quase três meses depois de Londres ter ativado o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que estabelece dois anos de conversas sobre a retirada de um país comunitário.

Quando o Parlamento foi dissolvido no início de maio, May levava sobre os trabalhistas de Jeremy Corbyn uma vantagem de quase 20 pontos nas pesquisas de intenção de voto, mas nas últimas semanas a principal legenda da oposição britânica conseguiu estreitar consideravelmente essa distância.

Cautela entre rivais

O ministro da Defesa do Reino Unido, Michael Fallon, e o porta-voz de Economia do Partido Trabalhista, John McDonnel, mostraram cautela após a divulgação da boca de urna. "Isso é só uma projeção, acredito que isso ficou claro, não é um resultado. As pesquisas de boca de urna já foram equivocadas no passado. Em 2015, subestimaram nossos votos", disse Fallon à "BBC".

"Temos de esperar os resultados reais antes de poder interpretar isso de uma forma ou de outra", indicou o ministro.

McDonell concordou com o adversário e disse que todas as pesquisas devem ser interpretadas com "certo ceticismo". "No passado, as pesquisas se equivocaram", afirmou.]

Já os comentaristas políticos não foram tão cautelosos."Vamos ficar no mercado único!", comemorou Stephen Bush, da esquerdista "New Statesman".

"Foi a vingança do jovem sobre a geração mais velha", disse Matthew Parris, do "Evening Standard".

"Está se tornando cada vez mais claro que esse país ficou completamente fodido por aquele maldito referendo", afirmou o comentarista Robert Harris, em referência ao referendo do Brexit.

As urnas foram abertas às 7h (3h no horário de Brasília) com um rígido esquema de segurança nacional depois que militantes islâmicos mataram 30 pessoas em Manchester e em Londres há menos de duas semanas, levando a questão do combate à violência para o topo da agenda eleitoral nos últimos estágios da campanha.