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Brasil de 2021 não é o mesmo que Biden conheceu, diz embaixador nos EUA

Nestor Forster é embaixador do Brasil nos Estados Unidos -  Geraldo Magela/Agência Senado
Nestor Forster é embaixador do Brasil nos Estados Unidos Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

20/01/2021 09h12

O embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Nestor Forster, disse que Joe Biden, que tomará posse hoje como presidente americano, irá se deparar com um Brasil diferente do que conheceu quando era vice-presidente do Governo Obama, entre 2009 e 2016.

Em entrevista à GloboNews, Forster não entrou em detalhes sobre quais mudanças enxerga no país na comparação entre o período anterior e o atual, mas disse que o governo Biden terá como um de seus desafios entendê-las.

"É claro que o Brasil não é mais hoje, em 2021, o mesmo país que era em 2013, 2014, e 2015, quando o Biden esteve nos visitando como vice-presidente. Será um desafio para o governo Biden perceber essas mudanças que houve na sociedade, no panorama e no governo brasileiro. Assim como nós também temos o desafio de procurar entender o que está mudando aqui nos Estados Unidos com o novo governo", disse.

O governo de Jair Bolsonaro (sem partido) sempre se colocou como aliado do republicano Donald Trump, presidente que foi derrotado por Biden em sua tentativa de reeleição. Porém, para Forster, a perspectiva de interlocução com os democratas é positiva.

"Nós temos uma relação bem fluida com parlamentares do Congresso. No executivo, tem uma interlocução muito fluida, no departamento de estado, na Casa Branca, nas várias agências do governo americano. Esse universo todo do governo vai estar povoado de democratas, mas tem uma interlocução natural e contínua com todos eles", afirmou.

"Cobertura isenta"

Nestor Forster também defendeu a postura da embaixada após as eleições americanas, vencidas pelo democrata Joe Biden. Segundo telegramas obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, o diplomata enfatizava a desconfiança no processo eleitoral levantada sem provas por Trump, fazendo com que o Brasil fosse o último do G-20 a parabenizar o novo presidente norte-americano.

"Nós fizemos uma cobertura desde antes da campanha sempre procurando fazer da forma mais isenta, equilibrada e isenta possível. Foi determinação minha para os colegas que fizeram um trabalho primoroso de acompanhamento. Houve gente que disse que foi tendencioso. Mas teve muito jornalista tarimbado que ao ler os telegramas disse que fizemos uma grande cobertura. Não estamos aqui para distorcer, aqui na embaixada só tem um partido, o do Brasil", disse, sem citar a quais jornalistas se referia.

Ainda segundo Forster, a demora do Brasil em reconhecer a vitória de Biden não vai atrapalhar a relação entre os países.
Compete exclusivamente isso ao presidente da República. Tomou a decisão de esperar baixar a poeira e cumprimentar depois das decisões dos colégios eleitorais. A importância estratégica que o Brasil tem para os EUA e vice-versa não se altera por cumprimentar em um dia ou outro, isso não tem importância", disse.