Em carros de luxo, doadores da campanha fazem fila para entrar na mansão de Mitt Romney

Michael Barbaro e Sarah Wheaton
Em East Hampton, Nova York (EUA)

  • AFP

    Romney tem participado de festas em mansões de milionários para arrecadação de fundos à sua campanha

    Romney tem participado de festas em mansões de milionários para arrecadação de fundos à sua campanha

Uma mulher usando um vestido de chiffon azul colocou a cabeça para fora de um Range Rover preto na tarde do último domingo (8), em East Hampton, e perguntou a um cabo eleitoral de Mitt Romney: “Há uma entrada VIP? Nós somos VIPs”.

Mas não existe nenhuma entrada desse tipo. A fila de carros que esperavam para entrar na propriedade de Romney, que fica à beira de um lago, chegou a 30 veículos, demonstrando o poder da campanha de arrecadação de verbas para o candidato republicano em um fim de semana no qual ele deveria arrecadar US$ 3 milhões.

Os assessores de Romney se desculparam pela demora: o nome de cada doador precisava ser verificado em uma lista de convidados no portão de entrada, o que provocou um grande atraso. “Estamos fazendo o melhor que podemos”, explicou um assessor, com o suor escorrendo pela face.

Romney chegou a esta cidade de mansões enormes e consumo desenfreado para realizar o primeiro de três eventos para arrecadação de verbas na tarde de domingo. Sua comitiva de automóveis Chevrolet Suburban passou por uma fila de Bentleys, Porsches e Mercedes-Benz dos quais desembarcariam convidados que pagaram até US$ 25 mil por pessoa para ouvir o discurso do candidato republicano.

Um almoço para arrecadação de verbas foi organizado na gigantesca mansão de Ronald O. Perelman, um financiador bilionário da campanha de Romney e presidente da Revlon. Considerada a maior propriedade de East Hampton, a mansão de Perelman tem 40 aposentos, nove lareiras e fica em uma área de quase dois quilômetros às margens do Lago Georgica.

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Depois disso, Romney, que é ex-governador de Massachusetts, também participou de outras festas em East Hampton para arrecadação de verbas nas mansões de Clifford Sobel, ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, e do empresário bilionário David H. Koch, um grande doador para as causas conservadoras.

Os organizadores do evento na casa de Koch, o maior do dia, esperavam a presença de uma multidão de manifestantes, que, em panfletos que promoviam a manifestação, afirmavam se opor “à influência sempre crescente e pervasiva da Koch Industries”, a companhia controlada por Koch e o irmão dele, Charles.

Na mansão de Perelman, alguns convidados que aguardavam na fila abaixaram os vidros fumê dos seus carros para conversar ou simplesmente para manifestar, aos gritos, o seu entusiasmo por Romney e o desdém pelo presidente Barack Obama, candidato democrata à reeleição.

Laura R. Schwartz, de Nova Jersey, a mulher que estava no Range Rover, reclamou do fato de Obama não ter visitado Israel como presidente, o que para ela se constitui em uma desfeita àquele país. “Eu não creio que ele seja bom para Israel”, disse Schwartz. “É um alívio ver Romney surgir no cenário”.

Mais atrás, na fila, Ted Conklin, dono do American Hotel, em Sag Habor, no Estado de Nova York, um local de hospedagem favorito dos ricos e famosos em Hampton, mal podia conter a sua aversão por Obama.

“Obama é um socialista. A ideia dele é encontrar um problema que não existe para fazer com que o governo intervenha”, criticou Conklin de dentro do seu Mercedes dourado. A mulher dele, Carol Simmons, fez um sinal de concordância com a cabeça.

Simmons fez uma pausa para enfatizar aquilo que, segundo ela, é o espírito generoso do marido: “Diga a ele quem estará no nosso iate neste fim de semana! Diga a ele!”.

Apesar das objeções de Conklin, Simmons revelou que um alto executivo da companhia cinematográfica Miramax ficará hospedado no iate deles de 23 metros de comprimento, porque, segundo ela, não havia mais quartos disponíveis no hotel.

Em Southampton, onde Koch reside, a polícia local passou grande parte do domingo se preparando para lidar com até 200 manifestantes, o que é uma cena rara neste lugar. “Essa será a maior manifestação da história dessa cidade”, disse o chefe de polícia Tom Cummings.

A agenda dos eventos para arrecadação de verbas pareceu gerar uma certa confusão entre os convidados. Ao saltar do carro em frente à mansão de Perelman, o companheiro de Schwartz inicialmente confundiu o lugar com a mansão dos irmãos Koch. “Não se preocupe. Nós visitaremos todas elas”, explicou Schwartz.

Tradutor: UOL
 

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