Participação em agendas públicas se torna uma das grandes diferenças entre Romney e Obama
Michael D. Shear
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Charles Dharapak/AP
Obama segura bola de basquete durante cerimônia; o democrata tem sido mais incisico em agendas públicas que seu adversário, Romney
Uma das maiores diferenças entre o presidente Barack Obama e Mitt Romney, atualmente, tem pouco a ver com a direção na qual ambos estão prometendo conduzir o país se forem eleitos.
Tem a ver com as agendas.
Nas últimas semanas, Obama está em atividade política intensa, percorrendo o país no que parece ser um esforço frenético para se conectar com o máximo de eleitores que for humanamente possível.
Enquanto isso, Romney está engajado em uma espécie de filme em câmera lenta, realizando uma única aparição de campanha de vez em quando, enquanto arruma tempo para uma semana de férias com a família e muitas reuniões a portas fechadas com seus diretores de campanha.
O contraste foi particularmente acentuado nos últimos dias.
Na sexta-feira (13), Obama deu início a uma semana de blitz, que começou com uma visita de dois dias a quatro cidades na Virgínia e terminará na sexta-feira (20) após dois dias inteiros de campanha na Flórida. Nesse período, o presidente passará por Cincinnati e realizará quatro eventos em duas cidades do Texas.
E esses são apenas os eventos oficiais. Em cada um desses lugares, a equipe de Obama espremeu o que as campanhas chamam de “OTRs”, a sigla em inglês para parada breve em restaurantes populares, bancas de frutas ou lojas de donuts.
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“Ao escolher um tomate perfeito, o que eu procurarei?”, Obama perguntou a Bill e Sandra Berry durante uma parada no Berry’s Produce, em Hanover, Virgínia. “Você vai querer um tomate firme, que não esteja pálido.” Ele partiu com um pacote de tomates e uma grande melancia.
Romney tratou a semana de modo diferente. Ele não fez campanha no fim de semana, preferindo passar o tempo com sua família em sua propriedade no Lago Winnipesaukee, em New Hampshire. Ele permaneceu sem fazer campanha na segunda-feira, e viajou na terça-feira para a Pensilvânia para um único evento.
O virtual candidato republicano esteve em Ohio na quarta-feira e então viajou para New Hampshire, para um evento na sexta-feira. Segundo sua campanha, Romney não espera fazer campanha no fim de semana, antes da viagem para o exterior na semana que vem, para Israel, Inglaterra e Polônia.
Em vez de expor o candidato, a campanha de Romney tem empregado mais substitutos, propagandas de televisão e entrevistas, além de vídeos pela Internet para transmitir sua mensagem.
Em uma teleconferência na terça-feira, John Sununu, o ex-governador de New Hampshire, atacou o presidente vigorosamente, dizendo que deseja que Obama “aprenda a ser um americano” e dizendo que a campanha dele vem “daquele mundo político lúgubre de Chicago, onde político e bandido se tornaram sinônimos”.
Sununu posteriormente retirou o comentário, dizendo aos repórteres que sua intenção foi dizer que desejava que Obama aprendesse a fórmula americana sobre como os negócios funcionam.
As diferenças em como cada campanha usa seu ativo mais valioso --o candidato --reflete estratégias e estilos concorrentes.
A campanha de Obama está tentando avidamente reanimar a paixão entre seus simpatizantes, aquela que alimentou a campanha do presidente em 2008. Isso esteve em exibição em Richmond, Virgínia, no sábado, quando Obama fez comentários por meia hora sob chuva.
Encharcado, Obama falou com ainda mais urgência do que o habitual, atingindo o auge no final de seus comentários, quando pediu às pessoas que continuem acreditando nele.
“Se você ainda acredita em mim, então fique ao meu lado, dê telefonemas, bata às portas e saia e se organize comigo, para concluirmos o que começamos em 2008”, ele bradou. “Nós vamos vencer esta eleição.”
A abordagem de Romney é diferente. Sua campanha é construída em torno da ideia de que as realidades econômicas graves farão com que as pessoas tirem Obama da presidência. Trata-se menos de mobilizar as pessoas em torno de Romney e mais em explorar a revolta que sentem em relação ao presidente.
Como resultado, a campanha é mais contida em colocar Romney em uma posição em que possa cometer um erro, como vez várias vezes durante as primárias republicanas.
No caso de Romney, também há uma razão prática para não estar fazendo campanha no momento. Em breve, ele anunciará seu candidato a vice-presidente, uma decisão que sempre exige planejamento cuidadoso. Isso é difícil de fazer percorrendo o país em um ônibus ou avião.
Romney pode estar ciente dos erros de candidatos presidenciais anteriores, quando a apresentação do candidato a vice-presidente não foi feita com o tipo de precisão pela qual ele é conhecido.
O virtual candidato presidencial republicano também pode estar na defensiva por causa das questões em torno da data da saída dele da Bain Capital e sua recusa em divulgar suas declarações de imposto de renda.
Talvez quando a decisão a respeito do vice-presidente ficar para trás --e se as controvérsias em torno de seus impostos e a Bain perderem força– Romney terá mais liberdade para fazer campanha mais energicamente na dúzia de Estados indefinidos que será crítica para ambos os lados.
Mas não está claro se a dinâmica na estrada mudará.
Será que Obama conseguirá manter o ritmo intenso? Será que Romney decidirá abandonar a abordagem lenta e constante empregada durante todo o verão americano? E se mudarem, será antes das convenções nacionais, no final de agosto e início de setembro, ou depois?
Nós teremos que esperar para ver.
Tradutor: George El Khouri Andolfato






