Questionário para escolher vice de Romney traz perguntas sobre infidelidade e "fala irritante"
Ashley Parker e Michael Barbaro
Em Wolfeboro (EUA)
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Matt Sullivan/Reuters
Mitt Romney, candidato republicano às eleições presidenciais dos Estados Unidos, ainda não definiu quem será seu vice
Auxiliares de Mitt Romney se debruçaram sobre gravações em vídeo de potenciais candidatos a vice, estudando centenas de horas de aparições em programas de domingo, debates de campanha e discursos de comícios para descobrir como eles lidam com perguntas indesejadas, e até mesmo comentários agressivos.
Eles instruíram o possível vice a preencher um questionário com cerca de 80 perguntas detalhadas e às vezes intrusivas cobrindo aspectos financeiros e pessoais, inclusive a pergunta “você já foi infiel?”
E eles procuraram estilos políticos que são subjetivos porém potentes, como: será que seu estilo de falar é convidativo ou irritante?
A campanha de Romney manteve em segredo seu veto a possíveis candidatos à vice-presidência, impondo uma discrição ao estilo corporativo para um ritual político que às vezes não tem regras.
Mas à medida que o presumível nomeado republicano se prepara para revelar sua escolha, entrevistas com pessoas de dentro e fora da campanha oferecem um vislumbre da amplitude e da profundidade do processo de três meses e do lobby intenso que Romney enfrentou por parte de doadores, funcionários e oficiais eleitos tentando influenciar sua escolha. (Karl Rove e o senador Mitch McConnell, por exemplo, falaram em prol do senador Marco Rubio.)
Com seu empenho em vasculhar todos os detalhes, os conselheiros do candidato reconhecem de pronto que ele está realizando uma busca especificamente designada para evitar o tipo de seleção apressada e arriscada de Sarah Palin que acabou atormentando John McCain há quatro anos, uma escolha que chocou Romney tanto quanto o restante do público.
Eleições presidenciais nos EUA
Veja Álbum de fotosAmigos e conselheiros dizem que depois de avaliar as qualificações básicas e o entrosamento, Romney se guiou por um princípio simples: não prejudicá-lo nas urnas.
Romney poderá revelar sua escolha já esta semana ou depois de voltar de uma viagem para o exterior na primeira semana de agosto, de acordo com pessoas próximas a ele. A campanha já começou a esboçar o roteiro para a estréia do vice-presidente.
Funcionário republicano há longa data, Randy Bumps, que serviu como estrategista-chefe do Comitê Nacional Senatorial Republicano durante as eleições de meio de mandato de 2010, mudou-se para Boston para supervisionar o lançamento do candidato a vice-presidente, disseram pessoas a par da mudança. E um ex-porta-voz do Comitê Nacional Republicano, Kevin Sheridan, será o diretor de comunicações para o candidato à vice-presidência.
Auxiliares começaram a discutir como colocar o colega de Romney na campanha e nos eventos para levantar fundos. Oficiais de campanha imaginam colocar o candidato para encabeçar jantares de US$ 30 mil por casal em cidades grandes e eventos menores em outros lugares, para ver o que se mostra mais lucrativo.
Aqueles que falaram sobre o veto e o anúncio do candidato pediram para permanecer anônimos, citando ordens de manter o tema em segredo. A campanha recusou-se a comentar.
Para os potenciais candidatos a vice-presidente, o processo de seleção começou com um telefonema de Romney, seguido por outro de Beth Myers, uma antiga confidente de Romney que está supervisionando a seleção. Os candidatos preenchiam um formulário autorizando a liberação de documentos financeiros e informações bibliográficas. Uma equipe de avdogados é responsável por avaliar cada possível candidato.
Muitas mãos estão envolvidas, mas a pesquisa é feita por equipes separadas, para que só Myers e Romney tenham acesso ao quadro completo a todo momento.
Romney assumiu um papel participativo. Ele checa com Myers por telefone quase todos os dias para discutir o que está pensando. E o candidato, que se formou em direito em Harvard, revê algumas das informações por conta própria.
No final de cada dia, materiais confidenciais (declarações de renda, registros de investimento e documentos imobiliários) voltam para um cofre seguro dentro da sede da campanha de Romney em Boston.
O questionário da campanha, elaborado a partir do modelo que Romney preencheu em 2008 quando estava sendo considerado como vice de McCain, mergulha profundamente nas vidas pessoais e profissionais dos possíveis candidatos, seus cônjuges, quaisquer ex-cônjuges e familiares imediatos.
A rodada inicial de documentos é seguida por entrevistas com advogados da campanha, algumas em sessões face a face.
Auxiliares enfatizam que, apesar de sua meticulosidade, eles têm a mente aberta quanto às seleções. Romney decidiu que pode lidar com um voto no congresso ou um política estatal problemáticos --algo que esteja bem à esquerda ou à direita das posições de Romney, por exemplo --desde que isso tenha acontecido há tempo suficiente.
Myers procurou conselho de campanhas presidenciais anteriores, inclusive de auxiliares da campanha de 2004 do senador de Massachusetts John Kerry, que alertaram contra escolher um candidato com ambições grandes demais. (A escolha de Kerry, John Edwards, não guardou muito segredo sobre suas aspirações à Casa Branca.)
Determinada a evitar as frustrações e tensões do passado, a equipe de Romney está tomando atitudes para garantir que este eventual vice-presidente --e sua equipe --funcione como uma verdadeira extensão de sua campanha presidencial, não como uma operação política autônoma funcionando por conta própria. Uma ideia: garantir que a equipe do vice-presidente inclua vários partidários antigos de Romney.
Em conversas com doadores, apoiadores e até membros da equipe de campanha, uma lista provável surgiu --Tim Pawlenty, ex-governador de Minnesota, e o senador Rob Portman de Ohio, como os dois principais concorrentes, e o governador Bobby Jindal da Louisiana e o representante Paul D. Ryan de Wisconsin como os azarões. Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado, é considerada uma possibilidade menos provável, embora diga-se que a mulher de Romney, Ann, expressou admiração por ela.
Romney e sua mulher e alguns de seus filhos passaram algum tempo com os candidados, enfatizando o papel crucial de estarem pessoalmente confortáveis com a decisão, dizem conselheiros.
“É bem parecido com a preparação para ele”, disse Anthony Scaramucci, doador que não está envolvido no processo de seleção mas é próximo do candidato. “O governador precisa de alguém de quem ele goste.”
Por trás da cena, entretanto, tem havido muito lobby não oficial, até mesmo nessa altura do processo. Rubio, da Flórida, emergiu como favorito de muitos doadores, que o recomendaram à campanha como uma escolha surpreendente e entusiasmante, mas agora considerada improvável. E embora McConnell tenha feito pressão por Rubio, ele também discutiu os méritos de vários concorrentes do Senado, inclusive Portman e o senador John Thune de Dakota do Sul. (Rove recusou-se a comentar sobre o motivo pelo qual gosta de Rubio.)
É provável que ter uma conexão pessoal com o candidato seja essencial, dizem pessoas próximas da campanha. Pawlenty e Romney, ambos eleitos em 2002, serviram como governadores republicanos juntos. Em 2008, ambos terminaram na lista de vice-presidentes de McCain: Pawlenty esperava que Romney recebesse o sim, enquanto Romney pensava que a vaga iria para Pawlenty. Eles se conectaram quando o posto foi para Palin.
Depois que Pawlenty saiu da disputa presidencial de 2012, a equipe de Romney o ajudou a quitar os mais de US$ 400 mil de dívidas de campanha --muitos altos conselheiros fizeram contribuições pessoais --e Pawlenty, 51, passou meses cruzando o país em nome de Romney.
Portman, enquanto isso, tem ligações com muitos dos auxiliares próximos de Romney. Russ Schriefer e Stuart Stevens, altos estrategistas e publicitários da campanha de Romney, ajudaram a corrida bem sucedida de Portman para o Senado em 2010, e Portman, 56, também tem ligações fortes com Ron Kaufman, um alto conselheiro de Romney.
Nos jantares para levantar fundos, Romney ofereceu um resumo amplo das qualidades que está procurando, entre elas: ser capaz de assumir o trabalho no 1º dia; ser capaz de sobreviver à apresentação inicial sem nenhum constrangimento; e ser alguém a quem ele considera um amigo.
Numa entrevista recente à CBS News, sua mulher ofereceu uma ideia mais profunda sobre a mentalidade da campanha.
“Acho que será necessário outra pessoa que esteja lá ao lado de Mitt”, disse ela, “com o mesmo tipo de personalidade que gostará de passar tempo com eles e também seja competente, capaz e disposto a servir o país.”
* Jeff Zeleny contribuiu com a reportagem em Washington.






