Obama aposta em ataque contra reduções de impostos para atrair eleitores indecisos

Jackie Calmes
Em Mansfield (Ohio)

  • Larry Downing/Reuters

    Presidente dos Estados Unidos e candidato do Partido Democrata, Barack Obama participa de evento de sua campanha para reeleição no centro John S. Kinight, em Akron (Ohio)

    Presidente dos Estados Unidos e candidato do Partido Democrata, Barack Obama participa de evento de sua campanha para reeleição no centro John S. Kinight, em Akron (Ohio)

Enquanto as pesquisas nacionais em Ohio, um Estado norte-americano indefinido, continuam mostrando os eleitores divididos a respeito da condução da economia por Barack Obama, o presidente tentou na última quarta-feira (1) contrastar sua visão para o futuro do país com a de seu rival republicano Mitt Romney.

Em sua primeira parada aqui na região centro-norte de Ohio, em um pequeno parque tendo como fundo pequenas empresas, Obama enfrentou mais de 2 mil apoiadores e fez um ataque à proposta de Romney de reduzir impostos para indivíduos e empresas no valor de mais de US$ 5 trilhões ao longo da próxima década. O presidente levou a mesma mensagem em seguida para Akron, e esteve na Flórida na quinta-feira (2).

Obama citou um estudo recém-divulgado do não partidário Centro para Políticas Tributárias, um esforço conjunto da Instituição Brookings e do Instituto Urban, duas organizações de pesquisa de políticas com sede em Washington. O estudo concluiu que o tipo de código tributário proposto por Romney "forneceria grandes reduções de impostos para os lares de alta renda, e aumentaria o fardo tributário sobre os contribuintes de renda média e/ou baixa".

"Ohio, nós não precisamos de mais reduções de impostos para pessoas que já estão muito bem. Nós precisamos de reduções de impostos para os trabalhadores americanos", disse Obama.

Obama apontou a conclusão do estudo, de que se Romney eliminasse os incentivos fiscais existentes para compensar a perda de receita com suas reduções de impostos propostas, as mudanças transfeririam US$ 86 bilhões de fardo fiscal dos contribuintes de alta renda para os demais. E entre as modificações estariam a redução ou eliminação da dedução de juros hipotecários, despesas com ensino e planos de saúde no imposto de renda.

A campanha de Romney rapidamente rejeitou o estudo como sendo partidário, notando que um de seus três autores fez parte do Conselho de Assessores Econômicos do presidente. Mas o Centro para Políticas Tributárias é altamente respeitado e é usado com frequência como recurso pelos membros de ambos os partidos em Washington.

Obama estava voando literalmente para uma controvérsia em Mansfield, que os republicanos liderados por Rob Portman, um senador por Ohio e potencial companheiro de chapa de Romney, alimentaram agressivamente. Antes de sua chegada, a imprensa local notou que o Força Aérea Um pousaria na base que é lar da 179ª Esquadrilha Aérea da Guarda Nacional, cujo avião C-27J pode ser desativado como parte das reduções de gastos do Pentágono propostas pelo governo.

Mas a caminho de Mansfield, o porta-voz do presidente, Jay Carney, disse aos repórteres na Força Aérea Um que o Pentágono encontraria uma nova missão para os cerca de 800 guardas da base –notícia que o senador Sharrod Brown, um democrata enfrentando a reeleição em Ohio, anunciou em um comunicado de imprensa, mas que a campanha de Romney atacou como sendo uma mudança de posição politicamente motivada.

Obama repetiu seu apelo aos republicanos no Congresso para que concordem em estender as reduções de impostos da época de Bush, que devem expirar em 31 de dezembro, para rendas anuais abaixo de US$ 250 mil para casais e US$ 200 mil para indivíduos, e para que abandonem sua insistência em reduzir os impostos para as rendas acima desses limites. Impostos mais altos para os mais ricos são centrais para o plano de Obama de redução do déficit ao longo da próxima década, juntamente com uma redução ao longo de 10 anos dos chamados programas de benefícios, como o Medicare (o seguro-saúde público para idosos e inválidos).

A vantagem de Obama sobre Romney em Ohio é de 6 pontos percentuais, segundo novas pesquisas em vários Estados indefinidos pela Universidade Quinnipiac/"New York Times"/"CBS News". Mas apesar dos eleitores independentes apoiarem fortemente Obama na vizinha Pensilvânia, os eleitores em Ohio e na Flórida estão divididos entre os candidatos e pouco mais da metade dos independentes nesses Estados dizem que desaprovam seu desempenho no cargo.

Mesmo assim, mais eleitores em Ohio também dizem que a experiência de Romney como gerente de private equity é mais voltada para gerar lucro para os investidores e não o suficiente para geração de empregos. Isso reflete a abundância de propagandas negativas que a campanha de Obama e um supercomitê de ação política que a apoia estão colocando no ar nos Estados indefinidos, para definir Romney como um multimilionário fora de contato que coloca os lucros pessoais acima dos empregos para os americanos comuns.

Aproveitando a mais recente visita de Obama a Ohio, sua campanha colocou no ar uma nova propaganda intitulada "Preocupado", que traça paralelos entre a agenda de Romney, de maiores gastos militares e reduções de impostos para empresas e indivíduos ricos, e as principais políticas do governo Bush na última década.

"Você viu e se preocupou", diz uma voz na propaganda, que também está sendo exibida na Flórida, Iowa, New Hampshire, Nevada e Colorado. "Duas guerras. Reduções de impostos para milionários. Aumento da dívida. E agora nós estamos diante de uma escolha." A propaganda então passa das políticas da era Bush para as propostas de gastos militares e redução de impostos de Romney.

Mas a campanha de Romney também está colocando no ar uma nova propaganda, apenas em Ohio, que busca virar contra Obama uma questão que tem sido de grande ajuda ao presidente até o momento –o resgate bem-sucedido da indústria automotiva pelo governo– e para conter a desvantagem de Romney por ter se oposto a ele.

A propaganda exibe um homem de Lyndhurst, Ohio, cuja concessionária foi uma das fechadas pela General Motors como parte de seu downsizing. "Foi como se o sonho pelo qual trabalhamos tanto tivesse desaparecido", diz o homem.

A imprensa local em Ohio noticiou que os eleitores estavam fazendo fila por quarteirões para conseguir ingressos para os comitês eleitorais da campanha de Obama. Também disponível, em Mansfield, estava um grande ônibus de Romney, no qual voluntários davam telefonemas para apoiadores potenciais, segundo Chris Maloney, um porta-voz da campanha de Romney em Ohio. E cerca de 30 manifestantes, apoiando tanto Romney quanto o ex-candidato presidencial republicano Ron Paul, agitavam cartazes anti-Obama e cantavam "Que vergonha, Barack Obama".

Tradutor: George El Khouri Andolfato
 

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