Republicanos concentram ataques sobre assessores de Obama
Michael D. Shear
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Jay LaPrete/AP
Presidente dos Estados Unidos Barack Obama discursa em campanha eleitoral em Mansfield (EUA)
À medida que se aproxima a data da eleição presidencial dos Estados Unidos, os republicanos vêm intensificando os seus ataques – não só contra o presidente Barack Obama, mas também contra os seus principais assessores.
Há algumas semanas os principais assessores de Obama têm sido obrigados a se defender de várias acusações que questionam as suas atividades oficiais como funcionários da Casa Branca.
A maioria dos ataques envolve a Solyndra, a companhia de energia solar da Califórnia que recebeu garantias de financiamento do governo federal, mas que acabou falindo quando os lucros esperados não se materializaram.
Mas os aliados republicanos de Mitt Romney também utilizaram notícias publicadas na imprensa para criticar os assessores de Obama por diversas outras supostas transgressões, chamando atenção para a insistência do presidente, já no início do seu mandato, em afirmar que o seu governo seria pautado pelo mais elevado padrão ético.
Na segunda-feira (6), a Casa Branca viu-se mais uma vez na defensiva, desta vez devido a um artigo do jornal “The Washington Post” segundo o qual David Plouffe, um dos principais assessores da Casa Branca e o diretor da campanha de Obama em 2008, teria recebido uma gratificação de US$ 100 mil de uma companhia que fizera um negócio com o Irã para fazer palestras.
“David Plouffe foi convidado a palestrar na África por uma subsidiária da companhia que vocês mencionaram na primavera de 2010”, disse na segunda-feira Jay Carner, o secretário de Imprensa da Casa Branca, aos jornalistas. “Plouffe fez duas palestras sobre tecnologia de telefonia celular e comunicações digitais, mas ele não participou de nenhuma reunião exclusiva com a diretoria da empresa”.
Carney também chamou a atenção dos jornalistas para o fato de que membros do governo Bush também fizeram palestras similares.
“Eu não me lembro de nenhuma crítica semelhante por parte do Comitê Nacional Republicano quando membros graduados do governo de George W. Bush, antes de assumirem os seus cargos, fizeram palestras para companhias que, no caso do Credit Suisse e da UVS, foram acusadas de terem violado as restrições de financiamentos ao Irã”, observou Carney.
O argumento – de que o governo atual não fez nada que o governo passado não tivesse também feito – tem provocado críticas por parte de alguns grupos de fiscalização da ética na política (e de críticos democratas de Obama), que observam que o governo garantiu que adotaria padrões éticos mais elevados.
Assessores da campanha de Obama afirmam que o ataque concentrado dos republicanos contra alguns dos assessores do presidente não fará com que Romney conquiste apoio de eleitores indecisos.
“Aparentemente, Mitt Romney acredita que essa é a melhor maneira de evitar a apresentação de detalhes específicos da sua agenda e de desrespeitar as regras básicas de transparência que os candidatos de ambos os partidos vêm seguindo há décadas”, diz Ben LaBolt, porta-voz da campanha de Obama.
Mas os republicanos provavelmente continuarão fazendo tais ataques como parte de uma estratégia ampla para distrair os principais assessores do presidente, agora que estes entram na etapa final da campanha pela reeleição. Eis aqui alguns dos principais alvos potenciais dos republicanos:
DAVID PLOUFFE: Por ser a pessoa que recebeu mais créditos pela montagem da estratégia que levou à vitória de Obama em 2008 sobre o senador John McCain, do Arizona, Plouffe é um verdadeiro alvo ambulante para os republicanos. O artigo publicado pelo “Washington Post” na segunda-feira proporcionou aos republicanos uma oportunidade perfeita para atacá-lo.
Após ter passado os primeiros dois anos do governo Obama fazendo palestras e escrevendo um livro, Plouffe passou a fazer parte da equipe de governo. Atualmente ele é o principal articulador político na Ala Oeste da Casa Branca.
Os republicanos adorariam descobrir fatos comprometedores em relação a Plouffe. Não existe certeza de que Plouffe tenha violado qualquer regra, e muito menos leis. Mas, como a denúncia foi feita apenas algumas semanas antes de ele reingressar na Casa Branca, ela proporcionou combustível para os ataques dos republicanos.
JIM MESSINA: Messina, ex-assessor graduado e vice-chefe de gabinete da Casa Branca, basicamente fez uma troca de cargo com Plouffe dois anos atrás, quando deixou o governo para tornar-se administrador da campanha para a reeleição de Obama.
Na semana passada, parlamentares republicanos divulgaram um relatório que mostra trocas de e-mails entre a Casa Branca e grupos externos durante o debate sobre o sistema de saúde norte-americano em 2009 e 2010. Entre as mensagens há e-mails que Messina enviou usando a sua conta pessoal, e não a sua conta funcional do governo.
Isso fez com que os republicanos apontassem o dedo para ele, alegando que Messina pode ter feito isso para driblar as regras que exigem que todas as comunicações oficiais sejam preservadas e arquivadas (a Casa Branca disse que aqueles e-mails serão também registrados e arquivados).
É claro que os republicanos não mencionaram a remoção dos discos rígidos de computadores do gabinete do governador Mitt Romney ao fim do mandato deste em Massachusetts.
BILL DALEY: mensagens de e-mail também são o fator central das críticas dirigidas a Daley, que foi chefe de gabinete de Obama durante um ano. Um outro comitê republicano que investigava o caso Solyndra descobriu uma mensagem que indicaria que Daley sabia da situação precária das finanças da companhia.
“O assunto foi discutido com o NEC e o chefe de gabinete”, dizia a mensagem, que foi divulgada para os repórteres.
Não se sabe exatamente o que significa a mensagem, ou o quanto Daley poderia saber a respeito da Solyndra. Mas isso não impediu que os republicanos fizessem um grande estardalhaço a respeito do caso. Um comunicado do Comitê Nacional Republicano declara diretamente que “Bill Daley sabia” das reservas do governo em relação à Solyndra.
OUTROS ASSESSORES: Os republicanos parecem considerar a Solyndra como uma peça-chave para acusarem vários outros assessores graduados da Casa Branca de irregularidades. Comunicados do Partido Republicano já acusaram Rahm Emanuel, ex-chefe de gabinete de Obama, Jacob Lew, o atual chefe de gabinete, e Valerie Jarrett, assessora graduada e grande amiga de Obama, de saberem mais do que admitiram publicamente.
Mas qual seria o objetivo desses ataques? Utilizar as dúvidas quanto à Solyndra e outros casos para condenar de forma genérica o governo Obama, sob a alegação de que este não é nem mais transparente nem mais ético do que governos anteriores.
Mas será que tal estratégia surtirá efeito?
A equipe de Obama já enfrentou ataques de campanha em outras ocasiões. É improvável que ela se deixe abalar diante dessas acusações. Mas, em uma disputa tão acirrada quanto essa, tudo que possa desviar a atenção dos eleitores dos candidatos para os seus assessores provavelmente não poderia ser visto como algo de positivo.
Tradutor: UOL





