ONU apresenta índice de desenvolvimento humano sustentável em substituição ao PIB
Do UOL, no Rio
Acrescentar o capital humano às medições de desenvolvimento econômico é uma tônica da Rio+20, Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até dia 22 no Rio de Janeiro. Para isso, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) apresentou as bases conceituais para um futuro “Índice de Desenvolvimento Humano Sustentável” .
“O fórum do PNUD foi motivado pelas demandas apresentadas por muitos no Rio para que houvesse um estudo conduzido pela ONU das alternativas às medições puramente econômicas de progresso nacional e global”, disse a administradora do Pnud, Helen Clark.
Segundo ela, igualdade, dignidade, felicidade, sustentabilidade são fundamentais às nossas vidas, mas estavam ausentes no PIB. “O progresso precisa ser definido e medido de uma forma que represente uma perspectiva mais ampla do desenvolvimento humano e seu contexto”.
A ideia é apoiada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que afirmou recentemente que “a comunidade internacional deveria medir o desenvolvimento para além do Produto Interno Bruto (PIB) e desenvolver um novo índice de desenvolvimento sustentável ou um conjunto de indicadores”.
Índice
O projeto de medição da sustentabilidade representa a continuação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), uma medida composta da expectativa de vida, educação e renda, que se tornou uma alternativa ao PIB como medida do progresso social.
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Entretanto, o ambiente, terceiro tripé da sustentabilidade ao lado da economia e da sociedade, não possui um índice global. O sistema de “Contabilidade Econômico-Ambiental” do escritório de estatística das Nações Unidas e a parceria do Banco Mundial para a “Contabilização das Riquezas para Avaliação dos Serviços dos Ecossistemas” estão entre as várias iniciativas que incorporam fatores ambientais na avaliação do desenvolvimento.
No texto entregue hoje aos chefes de Estado, que se reúnem na Conferência, há uma menção direta à ampliação do PIB. “Nós reconhecemos a necessidade de medidas mais amplas de progresso para complementar o PIB e assim subsidiar melhor as decisões políticas, e neste sentido, pedimos aos Escritório de Estatísticas da ONU, em consulta a outras entidades do Sistema da ONU e a outras organizações relevantes, para lançar um plano de trabalho nesta área, que seja construído sobre iniciativas já existentes[...]”.
Khalid Malik, diretor do Escritório do Relatório de Desenvolvimento Humano, analisou as vantagens, bem como os desafios de medir a sustentabilidade de uma perspectiva baseada nas pessoas e no desenvolvimento humano.
O referencial teórico para uma avaliação de sustentabilidade baseada no IDH incorpora o conceito de equidade entre gerações, baseado nos princípios de justiça global e enraizado na premissa de que as escolhas feitas hoje não deveriam limitar as escolhas disponíveis para as pessoas no futuro.
A abordagem de um IDH centrado nas pessoas com objetivo de medir a sustentabilidade incorpora também a idea dos limites de nosso planeta, mostrando como as mudanças climáticas em particular já estão impondo severos riscos para o desenvolvimento humano no longo prazo, de forma ainda mais aguda em países e comunidades pobres.
“Do ponto de vista da formulação de políticas, isto significa que o direito ao desenvolvimento é fundamental, mas ele deve ser alcançado sem que haja redução das escolhas disponíveis para gerações futuras”, observou Malik.
O põe a saúde e a educação a par com o crescimento econômico. “O PNUD acredita que o Índice de Desenvolvimento Humano também poderia ser um ponto de partida para uma medida mais abrangente de desenvolvimento sustentável”, disse Clark, enfatizando a necessidade de mais pesquisas e consultas com governos, sociedade civil e especialistas acadêmicos no campo, em colaboração com outras agências das Nações Unidas e instituições multilaterais.








