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Ambientalistas alertam para risco de extinção do pangolim

Pangolim carrega o bebê na cauda em zoológico da Indonésia: risco de extinção devido à carne apreciada em banquetes - Firdia Lisnawati/AP
Pangolim carrega o bebê na cauda em zoológico da Indonésia: risco de extinção devido à carne apreciada em banquetes Imagem: Firdia Lisnawati/AP

Em Genebra, na Suíça

28/07/2014 21h35

O pangolim, uma espécie de mamífero que lembra um tatu, está em risco de desaparecer enquanto sua carne saborosa é servida em banquetes em toda a Ásia, alertam ambientalistas.

O misterioso animal é presa de caçadores clandestinos e acredita-se que mais de um milhão tenha sido retirado da natureza na última década.

"No século XXI, nós realmente não deveríamos estar comendo espécies em extinção - simplesmente não há desculpas para permitir a continuidade deste comércio ilegal", diz Jonathan Baillie, copresidente do grupo de especialistas em pangolins da Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

"Todas as oito espécies de pangolins agora estão na lista de ameaçadas de extinção, amplamente porque são comercializadas para a China e o Vietnã", destaca a IUCN em um comunicado.

O comércio ilegal está florescendo porque, além de ser uma comida sofisticada, as escamas do pangolim também são usadas na medicina chinesa para tratar condições como a psoríase e problemas circulatórios.

De fato, o animal escamoso se tornou o mamífero mais ilegalmente comercializado, o que levou o IUCN a acelerar esforços de conservação na Ásia e também na África, onde os comerciantes tentam responder à demanda crescente.

"Um primeiro passo vital seria que os governos chineses e vietnamitas fizessem um inventário de seus estoques de escama de pangolim e o publicassem para provar que os pangolins selvagens capturados não estão mais abastecendo o comércio", informou Dan Challender, copresidente do grupo de especialistas vinculados à Sociedade Zoológica de Londres.

Os conservacionistas querem tirar o pangolim da mesa de jantar e das listas de extinção, pois são altamente distintos evolutivamente. Sua extinção acabaria com 80 milhões de anos de história evolutiva.

O nome pangolim vem da palavra malaia 'pengguling', que significa algo que se enrola, pois esta é a forma como o animal se defende quando se sente ameaçado.

O pangolim, que se alimenta de insetos nas florestas tropicais, pesa entre 2 e 35 quilos, e mede entre 30 e 80 centímetros. A espécie gigante chega a 1,5 metro de comprimento.

Anteriormente, os pangolins eram agrupados com os tamanduás, as preguiças e os tatus, mas agora são conhecidos por ter uma relação mais próxima com os carnívoros.