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Trocar carne por proteína vegetal reduz CO2, agrotóxicos e o uso de terras

Vaqueiro lida com gado em pasto no Pará  - Lalo de Almeida/Folhapress
Vaqueiro lida com gado em pasto no Pará Imagem: Lalo de Almeida/Folhapress

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

08/08/2019 10h00

Ambientalistas costumam criticar a criação de gado por se tratar de um dos maiores responsáveis pela alta emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Eles defendem que a redução do consumo de carne poderia ajudar a conter o aquecimento global. Um estudo inédito publicado hoje na revista Nature corrobora essa visão ao mensurar os ganhos para o meio ambiente se o homem substituir a criação de bovinos, suínos e aves pela produção de plantas ricas em proteínas.

O responsável pelo estudo é geofísico e professor da Faculdade Bard, em Nova York, Gidon Eshel. Ele e seus colegas usaram um modelo de computador para criar centenas de dietas baseadas em vegetais e substituir esses três tipos de carne, as mais consumidas nos Estados Unidos assim como em boa parte do mundo --Brasil inclusive.

O desafio foi avaliar o impacto da mudança sobre o meio ambiente ao mesmo tempo em que tentaram garantir que as dietas seriam tão nutritivas --se não mais benéficas-- quanto as carnes que substituíram.

As conclusões foram que a troca de carne por alternativas de plantas tem o potencial de economizar 29 milhões de hectares de terras agrícolas, 3 bilhões de quilos de fertilizantes nitrogenados e 280 bilhões de quilos de dióxido de carbono por ano nos Estados Unidos. O problema encontrado foi o aumento em 15% do consumo de água relacionado com alimentos.

Ao substituir a carne por alternativas vegetais que conservam as proteínas, os americanos podem satisfazer as principais necessidades nutricionais, eliminar o uso de pastagens e reduzir de 35% a 50% das terras atualmente necessárias para a produção de alimentos
Conclusões do estudo publicado hoje na Nature

As dietas

As receitas à base de plantas consistiram predominantemente de soja, pimenta verde, abóbora, trigo-sarraceno e aspargos. "Essas dietas foram criadas para compensar os 30 gramas de proteínas [em média] recomendadas diariamente dos três tipos de carne", diz o estudo.

A outra vantagem é que esses alimentos oferecem outros nutrientes, como vitaminas e ácidos graxos. Juntos, o trigo-sarraceno e o tofu produziram um terço da proteína total utilizando apenas 22% das terras necessárias em pastagens.

Já a soja contribuiu com a maior quantidade de proteínas e representou "apenas 6% do total de fertilizantes nitrogenados necessários para produzir carne bovina", informa a publicação.

Aquecimento global está mais rápido do que o esperado

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