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26/11/2007 - 00h16

A greve dos roteiristas começa a causar danos

Cox News Service
Bob Keefe
Cox News Service
Hollywood
Akiva Goldsman nunca parou de escrever. Nem quando seus professores, do primário à universidade, disseram que ele não era muito bom. Nem quando os artigos que mandava para revistas eram repetidamente recusados. Nem mesmo nos difíceis primeiros anos como um roteirista que se esforçava para conquistar renome.

Mas, no dia 5 de novembro, Goldsman - que avançou em sua carreira literária com filmes de grande sucesso comercial tais como "A Luta pela Esperança," "Uma Mente Brilhante," "O Código Da Vinci," e "Eu, Robô" - parou de escrever.

"Não vou usar minha caneta de novo enquanto não tivermos um acerto justo," declarou o ganhador do Oscar em uma passeata do sindicato que representa os roteiristas dos Estados Unidos (Writers Guild of America), em Hollywood, na semana passada.

Nesta segunda-feira (26), assim que os produtores de televisão e de cinema retomarem o diálogo com os roteiristas em greve, a determinação de escritores como Goldsman estará, sem qualquer dúvida, nas mentes de muitos dos que se sentarão à mesa de negociações.

Quando a pior paralisação trabalhista enfrentada por Hollywood em duas décadas caminha para a quarta semana, ela começa a mostrar seus efeitos danosos. Programas de televisão, de "The Office" ao "The Tonight Show" já apresentam reprises. A produção em filmes tais como "Angels & Demons" - história que precede "O Código da Vinci" na qual Goldsman estava trabalhando - assim como filmes de grande orçamento de Johnny Depp, Penélope Cruz e do diretor Oliver Stone - foram adiados porque os escritores em greve não terminaram os roteiros.

Com muito dinheiro em caixa e filmes e programas ainda na prateleira, os grandes conglomerados do entretenimento que estão sendo atingidos - incluindo Walt Disney Co., Time Warner Inc., CBS e Viacom Inc., a News Corp da Fox e a General Electric Co., proprietária da NBC/Universal - provavelmente vão levar algum tempo até sentir o impacto financeiro da greve. Mas eles sabem que terão problemas se não chegarem a um acordo logo. Em 1988, quando os escritores fizeram uma greve de 22 semanas, só a indústria da televisão perdeu cerca de US$ 500 milhões. A audiência dos programas do horário nobre caiu cerca de 10% segundo alguns cálculos - e, com ela, as receitas de anunciantes de TV.

No entanto, não são apenas os estúdios e os escritores que são afetados. Milhares de trabalhadores cujos empregos dependem do setor de entretenimento - maquiadores de artistas e agentes de talentos, construtores de cenários e equipes de iluminação, floristas e donos de restaurantes - também estão sem trabalho por causa da greve. Na semana passada, um grupo sem fins lucrativos da indústria cinematográfica calculou que se a atual greve durar até dezembro, pode custar à economia da área de Los Angeles mais de US$ 20 milhões por dia.

"Isso tem um grande impacto econômico sobre nosso estado", disse o ator agora governador, Arnold Schwarzenegger, sobre as implicações da greve, no início do mês.
Muitos norte-americanos não dão a menor importância aos escritores e à greve. Em uma pesquisa recente da Pepperdine University, cerca de 75% das pessoas que responderam à enquete disseram que pouco ou nada se preocupavam com a greve. Mas alguns fãs de TV e cinema aparentemente também estão começando a se cansar da paralisação e entrando em ação. Na Internet, cerca de 20 diferentes sites de fãs de TV e cinema mostraram recentemente telas "negras", em apoio aos escritores. Em vez de gastar o tempo lendo sobre seus filmes ou programas favoritos, os leitores foram incentivados a assinar uma petição em apoio aos escritores em greve.

Um grupo de líderes grevistas da Writers Guild, enquanto isso, iniciou recentemente um programa chamado "Pencils2MediaMoguls" (numa tradução livre, "Lápis para os magnatas da mídia" que incentiva fãs de TV e cinema a manifestar sua opinião, comprando e enviando caixas de lápis de US$ 1 aos executivos do setor de entretenimento. Até o último sábado,o grupo alega que vendeu mais de 280.000 lápis.

Participando da passeata dos escritores na Hollywood Boulevard na semana passada, Katrina Reiniers levava um cartaz implorando aos executivos dos estúdios que "Dêem ao seu público o que ele quer." Reiniers tem seus próprios interesses financeiros na greve: ela trabalha no setor de pós-produção de filmes. Mas, ela disse, estava na passeata como espectadora de televisão, não como trabalhadora do setor de entretenimento. Alguns de seus programas favoritos, como "The Office," já estão apresentando reprises. Outros também caminham para isso. "Sei que muitas pessoas como eu vamos sentir falta de nossos programas" se a greve continuar por muito mais tempo, disse Reiniers.

Na semana passada, o principal negociador do Writers Guild, John Bowman deu uma pequena mostra de otimismo de que a greve possa se encerrar em poucas semanas.
"Paguem o que pedimos, que calaremos a boca e voltaremos ao trabalho" ele afirmou, em declarações dirigidas aos executivos de estúdios. "Vamos acabar com isso até o Natal."
Até agora, os escritores em greve garantem que continuarão nos piquetes, incluindo aqueles que deverão ser realizados fora dos estúdios em toda Los Angeles nesta segunda, enquanto os negociadores retornam à mesa de discussões.

Nós "parecemos bastante fortes, bastante unidos," disse o roteirista em greve Gene Quintano, cujos créditos incluem filmes de longa metragem tais como "Operação Dumbo," "Máquina Quase Mortífera" e duas seqüências da série "Academia de Polícia." Quintano, um veterano com 25 anos de trabalho em Hollywood, foi atuante na última greve de escritores. Desta vez, ele disse, os grevistas parecem estar mais organizados, mais determinados e mais unidos do que em 1988. Mas, reconhece Quintano, "ainda é cedo."


A greve dos escritores de Hollywood em resumo

QUEM: Os 12.000 membros do Writers Guild of America estão em greve contra a Aliança dos Produtores de Cinema e Televisão (Alliance of Motion Picture and Television Producers), que representa mais de 350 estúdios de cinema e televisão, redes de TV e outras empresas do setor de entretenimento.

POR QUÊ: Os escritores e os estúdios não chegaram a um acordo sobre pagamentos antecipados e residuais por DVDs, downloads pelaIinternet e outras produções de novas mídias. Os escritores querem dobrar sua atual participação de 0,3% para DVDs (atualmente cerca de 4 cents por DVD vendido, eles alegam) e receber 2,5% das vendas brutas no futuros para as produções de novas mídias vendidas na Internet, por telefones celulares ou outros meios não tradicionais. Os estúdios e as produtoras dizem que as exigências são muito elevadas.

QUANDO: As partes retornarão à mesa de negociações nesta segunda pela primeira vez desde que a greve começou, no dia 5 de novembro. O contrato dos escritores venceu no dia 31 de outubro.


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