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06/07/2008 - 00h03

Pacientes de câncer cerebral encontram novo raio (de prótons) de esperança

Cox News Service
Carolyn Susman

Em West Palm Beach
A palavra "se", como Rudyard Kipling mostrou em seu poema homônimo, é poderosa e crucial. Se Vince Baldino não tivesse contraído um resfriado forte e uma infecção nos sinos. Se ele não tivesse reagido mal aos esteróides e antibióticos receitados para a infecção. Se ele não tivesse sofrido da falta de ar que o levou a ser internado no Hospital Martin Memorial onde se submeteu a uma tomografia computadorizada que o levou a uma ressonância magnética.

Se nada disso tivesse acontecido, não se sabe quanto tempo se passaria sem que ele soubesse que tinha três tumores no cérebro existindo silenciosamente em sua cabeça.

Sua única pista dos tumores foi um período em que ele via tudo dobrado, antes dessa descoberta assustadora no ano passado, mas tudo o que os médicos disseram a ele na época foi que precisava de óculos para leitura.

Baldino, 34, que vive em Stuart, Flórida, e trabalha como cozinheiro em um restaurante da família, o Baldino's, em Tequesta, agora tem uma chance de lutar contra esses tumores e os vencer.

Ele passou por duas cirurgias no ano passado no Centro Médico da Universidade de Miami.

A primeira cirurgia resultou em algumas complicações.

"Um dos tumores estava perto de seu saco espinhal", disse a mulher dele, Mary Ellen, de 36 anos, sufocando as lágrimas.

"O saco espinhal ficou danificado. Ele saiu da cirurgia com meningite. Mas conseguiu se recuperar."

Uma segunda cirurgia teve mais sucesso ao remover partes do tumor em crescimento.

"Todo o tumor foi removido, exceto algumas partes que eram tão microscópicas que o médico não conseguiu atingir", disse ela.

Foi quando indicaram ao casal um novo tipo de tratamento de radiação ainda pouco conhecido: a terapia de prótons.

O feixe de prótons alveja os tumores com mais precisão do que a radiação convencional, dizem os médicos, e minimiza os danos às células saudáveis ao fornecer a dose correta de radiação no local do tumor.

Essa precisão permite um controle maior em áreas sensíveis que podem ter tumores, como o cérebro, os olhos, os pulmões ou a próstata.

"Fomos encaminhados para Boston. (O Hospital Geral de Massachusetts tem um centro de terapia de próton. É lá que o senador Ted Kennedy fará o acompanhamento de seu câncer cerebral. Não foi revelado se ele será submetido à terapia de próton, mas as orientações gerais para o tumor que ele tem pedem a radiação convencional.)

"Eles não quiseram vê-lo antes de seis semanas após a cirurgia", disse Mary Ellen sobre o marido.

"Disseram que o tratamento seria de oito semanas de terapia de próton, duas vezes ao dia. O que significa que ficaríamos longe de nossos (dois) filhos de novembro até janeiro..."

Ela ficou em silêncio.

"É muito difícil, então fui pesquisar sobre o assunto na internet. Digitei 'terapia de próton' no Google'. E então achei Jacksonville."

Ela encontrou o único centro de terapia de próton no sudeste dos Estados Unidos (há apenas três em todo o país), o Instituto de Terapia de Próton da Universidade da Flórida, afiliado à Faculdade de Medicina da UF e ao Centro de Câncer Shands da UF.

Há planos para a construção de um novo centro multimilionário de terapia de próton em Boca Raton, mas a construção só acontecerá daqui a muitos anos.

É interessante notar que Mary Ellen não foi a única que descobriu Jacksonville por conta própria. "Cerca de 80% dos nossos pacientes chegam aqui por referência própria", diz o diretor-executivo do Insituto de Terapia de Próton UF, Stuart Klein. "Nesse momento, não estamos fazendo muita propaganda."

Talvez a razão disso seja que hoje o centro trata 100 pacientes por dia, apenas 19 meses depois de ser inaugurado, o que, segundo Klein, faz com que eles sejam o centro de terapia de próton que cresceu mais rápido até agora.

Mas assim como nos demais centros, os candidatos são avaliados antes de serem aceitos. O mais importante é que nem todos os tumores são candidatos ao tratamento.

E apenas um terço dos pacientes que são aceitos para tratamento em Jacksonville vêm da região da grande Jacksonville, dessa forma o tratamento exige que os pacientes de fora se mudem para lá por várias semanas. E os custos, apesar de serem cobertos pela maioria dos seguros de saúde e Medicare, são consideráveis. Os Baldino tinham uma cobertura de US$ 2 mil. Mas verificaram que o tratamento de seis semanas no instituto custaria US$ 155 mil. Vince revelou-se um bom candidato para a terapia de próton depois que todas as suas informações foram examinadas, desde o histórico familiar até a ressonância magnética.

"Na semana seguinte, fomos para lá (Jacksonville) e levamos tudo o que iríamos precisar. Fiquei feliz por não ter que abandonar meus filhos", diz Mary Ellen.

"Acabamos alugando um apartamento e voltando para casa nos fins de semana. Ele tinha apenas seis semanas de tratamento, duas vezes por dia. Voltamos para casa na semana de Ação de Graças."

Então ela parou de falar e chorou baixinho.

Muitas lágrimas rolam no centro. A maioria dos pacientes que buscam a terapia de próton luta contra o câncer. O câncer de próstata está no topo da lista.

O centro da UF tem uma lista de espera para tratamento de tumor na próstata porque a doença tem um crescimento lento e não há muito risco em esperar.

Mas Klein diz que para outras doenças, "não há lista de espera."

Para as pessoas tratadas ali, quer tenham de esperar ou não, o lugar parece impressionante. O prédio enorme de nove mil metros quadrados abriga as quatro salas de tratamento para pacientes de terapia de próton. (O centro também disponibiliza radioterapia convencional.)

Os pacientes são tratados em camas moldadas de acordo com seus corpos e a radiação de próton pode ser aplicada por meio de um feixe que se movimenta em torno do paciente ou através de um feixe fixo.

Do ponto de vista do paciente, o tratamento não parece intimidador.

Mas durante uma visita ao hospital que é oferecida para pacientes e para a imprensa, pode-se ver, atrás das paredes de concreto, uma máquina chamada cyclotron, que pesa 200 toneladas e tem o poder de acelerar o feixe de próton quase que à velocidade da luz.

Klein fez piada numa visita recente, dizendo que esse é o lugar mais seguro para se esconder caso um furacão de classe cinco atinja a região; as paredes são grossas, com até 5,5 metros de espessura.

Mas sua preocupação real, e também da equipe médica, é aumentar as taxas de cura e reduzir as doses de toxicidade para os pacientes, especialmente para crianças, que têm de ser anestesiadas para não se moverem durante o tratamento de tumores.

Ainda não há muitas informações de longo prazo sobre a eficácia da terapia de próton, mas o centro tem feito testes clínicos com pacientes que ainda não receberam nenhum tratamento para seus tumores.

Quanto a Vince Baldino, ele está indo bem.

"Tudo foi embora. Disseram que eu não tenho nenhum (outro) dano causado pela radiação. Ainda preciso fazer uma ressonância magnética duas vezes por ano, mas posso fazer isso perto de casa."

Agora, diz o cozinheiro, "é a parte mais fácil".

Diferenças entre terapia de próton e radioterapia convencional

Os médicos podem controlar a profundidade com que a radiação penetra o corpo do paciente com os prótons, calculando a profundidade do tumor.

Na radioterapia convencional, é necessária mais radiação se o tumor for mais profundo, o que causa mais danos nos tecidos vizinhos.

Ao ajustar a velocidade dos prótons, os médicos podem alvejar os tumores causando danos mínimos às outras partes do corpo. Isso reduz os efeitos colaterais e diminui os riscos de complicações.

O feixe de próton alveja os tumores com mais precisão do que a radiação convencional, dizem os médicos.

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