Os ventos políticos e militares estão dando tantas voltas atualmente no Iraque que tanto Barack Obama quanto John McCain vêm correndo atrás de seus próprios chapéus.
Obama teve sucesso nas primárias em grande parte enfatizando seu compromisso com a retirada gradual do exército americano em um período de 16 meses, uma postura adotada diante da ampla desilusão e impaciência que dominam o público em casa.
O declínio contínuo e aparentemente acelerado da violência no Iraque -com devidas exceções- fez com que Obama voltasse a uma cláusula que fez parte da sua posição desde o início, mas foi pouco mencionada pelo candidato quando estava trabalhando a base de seu partido.
A política de Obama para o Iraque sempre foi mais sutil do que em geral a cobertura da imprensa observou. A mídia do calor do momento tem pouco interesse ou respeito com nuances, então sua promessa vaga e antiga de deferência à mudança nas circunstâncias no Iraque basicamente passou despercebida.
O candidato agora admite que o aumento do número de tropas parece estar fazendo uma diferença para melhor e que, se continuar assim, ele o levará em consideração como presidente - a posição necessária para qualquer candidato a chefe do Estado-Maior. No entanto, Obama está sendo chamado de vendido pela própria esquerda do partido e zombado pelos republicanos como vira-casaca.
(Uma acusação arriscada, considerando que o próprio McCain foi e voltou em muitas questões mais freqüentemente do que uma bola de pingue-pongue aposentada. Mas isso é outra história.)
Por mais que tudo isso pareça estranho neste momento para Obama, tenha mais dó de John McCain.
McCain está concorrendo como o sujeito forte que vai seguir o rumo adotado e não aceitará nada menos que "vitória" no Iraque - algo convenientemente indefinido - e depois um grande emprego de tropas por tempo ilimitado, quem sabe, talvez por um século, disse ele.
Veja, contudo, quem está pedindo um prazo curto de retirada e deixando claro que não quer nada desse papel projetado de Estado-quartel americano, ao menos não muito grande: simplesmente, o governo do Iraque.
Como dizem em política, opa.
McCain poderia ter usado o momento para apagar suas próprias linhas na areia, mas, típico dele, apenas cavou mais fundo. Ele criticou a declaração do primeiro-ministro Nouri Al Maliki como competição política local - que de fato foi, mas também não é a candidatura de McCain?
De fato, a pressão dentro do Iraque para a diminuição das tropas e da supervisão política americanas vem crescendo cada vez mais há meses. McCain não estava ouvindo?
Enquanto McCain estava ridicularizando a declaração de Maliki como tolice do momento, o assessor de segurança nacional do Iraque repetiu que seu país não assinaria qualquer acordo de segurança com Washington que não envolvesse um prazo limite.
Se a potencial acomodação de Obama a um Iraque mais tranqüilo o fez parecer hipócrita para alguns em seu próprio partido - até mesmo um vira-casaca para os mais estridentes - a aparente mudança será uma flexibilidade bem-vinda para muitos outros.
A recusa de McCain de considerar, ou até mesmo respeitar, a declaração do governo de Maliki o faz parecer mais teimoso do que corajoso. É difícil ver o lado positivo disso.