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28/06/2008 - 01h37

Cartéis da Colômbia constroem minissubmarinos para transportar cocaína

Der Spiegel
Cordula Meyer
Era apenas uma marola, lá no meio do mar, mas algo nela era diferente de uma onda comum, diferente o suficiente para chamar a atenção de um avião de patrulha da Marinha americana. Logo, a tripulação percebeu que um pequeno submarino negro estava produzindo a marola.

Uma caçada dramática foi iniciada no dia 1º de março, a 1.500 km a oeste da costa colombiana, ao norte das ilhas Galápagos. Uma fragata avistou o submarino de cerca de 20m, e então os soldados pularam em um barco inflável de alta velocidade e começaram a perseguir a embarcação. Eles conseguiram chegar a poucos metros do submarino e tentaram detê-lo. Mas então, quatro homens saíram por uma escotilha e mergulharam na água. O navio afundou para as profundezas.

Os investigadores estavam na trilha certa. Tinham encontrado um grupo de traficantes de drogas. Mas foram forçados a ficar olhando enquanto o barco com 4 toneladas de cocaína afundava no Pacífico. No último minuto, os tripulantes abriram as escotilhas e afundaram o barco.

Pequenos submarinos feitos em casa tornaram-se o meio preferido de transporte dos traficantes colombianos e um desafio totalmente novo para a Força Tarefa Conjunta do Sul (Jiatfs), um grupo que envolve membros da Marinha americana, da Guarda Costeira, da CIA e agentes de combate ao narcotráfico de doze outros países.

As embarcações, feitas de plástico ou aço, podem levar até dez toneladas de cocaína. Como não podem submergir completamente, chamam-se semi-submersíveis. Elas são usadas primariamente nas rotas entre a Colômbia e a Guatemala ou o México. Os cartéis criaram um sistema de logística completo, com barcos pesqueiros estacionados ao longo do caminho para advertir as tripulações sobre patrulhas e fornecer água e comida.

Uma séria ameaça
As embarcações são pilotadas quase cegamente. Eles navegam baixo na água, e as tripulações dependem de um tipo de sistema de GPS usado por iates para poder navegar. Os traficantes passam até duas semanas no mar. Eles progridem lentamente durante o dia, para evitar criar uma onda denunciadora. Mas, sob a cobertura da escuridão, eles progridem para o norte a 6 nós. Acredita-se que, em 2006, as embarcações levaram entre 500 e 700 toneladas de cocaína da América do Sul para os EUA. Cerca de dois terços das drogas chegaram aos EUA ao longo da rota pelo Pacífico, enquanto o resto passou pelo Caribe. O número de submersíveis está crescendo.

O novo meio de transporte dos cartéis de droga é uma séria ameaça, diz o almirante Joseph Nimmich, diretor do JIATFS, que tem sede em Key West, na ponta sul da Flórida. Mesmo os oficiais militares americanos estão preocupados. "Os bandidos estão mais rápidos do que nós", admite o almirante Mike Mullen, diretor do Estado Maior das Forças Armadas. "Deter esta nova ameaça é uma meta central, e as forças armadas estão trabalhando duro para isso."

A dura batalha entre traficantes e investigadores sempre foi uma corrida para adquirir as inovações técnicas mais eficazes. No passado, os colombianos usavam pequenos aviões, mas os agentes de drogas logo conseguiram chegar na frente. Depois, passaram a usar traineiras, mas hoje essas são obrigadas a levar aparelhos que permitem que sua localização seja cuidadosamente monitorada. Por fim, os cartéis começaram a usar lanchas, que muitas vezes eram rápidas o suficiente para escapar dos agentes em perseguição. A resposta da Marinha foi usar helicópteros que atiravam contra os motores das lanchas. Então, agora, os traficantes estão usando submarinos.

"Capturamos o primeiro em novembro de 2006" diz Nimmich. O submarino agora está parado diante do Centro de Comando dos JIATFS e é o único até agora que os americanos conseguiram capturar e trazer para a terra. Em 2007, as autoridades descobriram que já existiam 40 dessas embarcações. Quatro foram capturadas no mar, mas prontamente afundadas por suas tripulações.

"Os cartéis estão sempre um passo à frente"
Para enfrentar o problema mais eficazmente, Nimmich planeja instalar melhores equipamentos em seus navios e destruir os barcos enquanto ainda estiverem sendo construídos. A maior parte é montada em localizações remotas na mata colombiana. "Nossa busca se concentra em três ou quatro áreas perto de sistemas de rios complexos", diz Nimmich. Os traficantes, contudo, estão sempre um passo à frente. Quando o governo colombiano desenvolveu um sistema de controle para monitorar as entregas dos motores a diesel usado nos barcos, os montadores de submarinos responderam usando motores tirados de embarcações antigas.

As autoridades colombianas encontraram sete estaleiros secretos desde 2007. Em cada um, 15 trabalhadores passavam até um ano construindo um único barco. Eles construíam os cascos e depois instalavam os motores e hélices. Um dos barcos apreendidos no último verão antes de ser afundado media 17m e pesava 46 toneladas. Havia dez toneladas de cocaína dentro dele.

Os semi-submersíveis já estão em sua terceira geração. Os novos barcos têm tanques de diesel maiores, que lhes dão um alcance de cerca de 5.000 km, e também contam com os mais modernos equipamentos de navegação. Pescadores contratados especificamente para a tarefa freqüentemente comandam os barcos e aqueles que completam a viagem com sucesso recebem mais de US$ 100.000 (cerca de R$ 160.000).

Depois que os traficantes descarregam sua carga, em algum lugar na costa da Guatemala ou do México, eles afundam o barco. As embarcações custam até US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 2 milhões) e são produtos descartáveis. "Se isso continuar, veremos submarinos viajando do leste do Brasil para o oeste da África, uma distância de mais de 3.000 quilômetros", diz o almirante Nimmich. Dali, diz ele, é apenas um passo para o coração da Europa.

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