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22/12/2008 - 00h45

O oni-presidente Sarkozy: francês sai da frente dos holofotes

Der Spiegel
Stefan Simons
Em Paris
Ele sentirá falta das crises: a rejeição da Irlanda do Tratado de Lisboa, o conflito entre a Geórgia e a Rússia, o colapso dos mercados financeiro e econômico. Além disso, é claro, havia o desafio de coordenar esforços para combater as mudanças climáticas.

Sarkozy adorou entrar na cena da última crise, tomando ações rápidas e práticas - e ele estava sempre presente antes de qualquer um. Durante seu tempo como presidente da União Européia, o presidente francês desempenhou um papel diplomático duplo. Ele era tanto o representante supremo da política internacional de seu país quanto o ágil representante comum da Europa. A presidência rotativa da EU dura seis meses, mas com Sarkozy no leme, a duração aparente do mandato francês foi no mínimo o dobro. Sarkozy alternou os papéis de primeiro cidadão da Europa e de um glamuroso estadista francês no palco do mundo. Mas a maior parte disso foi um espetáculo - com Sarkozy sempre presente na primeira fileira.

Houve alguma coisa que esse presidente não enfrentou? Com a proposta de sacudir a "velha Europa" e modernizar a organização da UE, ele tentou reconstruir estruturas da EU, fazer avanços na agricultura, defesa e segurança pública, fortalecer as leis de imigração e introduzir medidas para lutar contra a mudança climática. Não houve falta de energia, ainda que Sarkozy, com suas cruzadas de um homem só, tenha testado a paciência dos europeus, acostumados que estão ao consenso. A chanceler alemã, em particular, nem sempre ficou muito "satisfeita".

Grandes acontecimentos não faltaram
Até mesmo durante o ato de abertura, o esforço ostensivo de Sarkozy para estabelecer uma "União Mediterrânea" se transformou numa crise entre Berlim e Paris. A União para o Mediterrâneo, no final, tornou-se uma organização expandida sob o guarda-chuva da EU com pouco a mostrar por si só a não ser um grande evento de mídia no Grand Palais em Paris. Seis meses depois, o novo grupo mal conseguiu designar Malta como sua sede.

E o comparecimento de Sarkozy aos Jogos Olímpicos de Beijing - em nome da Europa, e logo depois dos protestos e manifestações no Tibete - deixaram um gosto amargo.

Mas não para Sarkozy, que tornou-se uma força com a qual se pode contar em situações de crise. Veja o caso da Geórgia, por exemplo.
Durante o conflito com a Rússia, o presidente francês brilhou como administrador que foi para Moscou - acompanhado pelo chefe de política internacional da EU Javier Solana e pelo presidente da Comissão Européia José Manuel Barroso. Depois de a situação ter culminado num ataque surpresa, eles conseguiram por fim ao confronto iminente.

Além disso, existe a crise financeira. Num discurso para a ONU, Sarkozy estava repentinamente evocando o fim do capitalismo, apesar de ser considerado amigo das grandes companhias e dos ricos. Depois disso, ele conseguiu até mesmo convencer o presidente George W. Bush a ser o anfitrião de uma cúpula para a crise, que, apesar de ter gerado poucos compromissos comuns, retratou o presidente francês de forma favorável.

Sarkozy acusou a chanceler alemã Angela Merkel de ser muito indolente ao não estar preparada para apoiar imediatamente as iniciativas de mudança propostas por Paris (um pacote de ajuda financeira, a redução no imposto de valor acrescido e um programa de estímulo econômico). A resposta de Merkel para o Palácio do Eliseu foi clara: "A falta de mobilidade tornou-se insustentável. Nos encontros futuros do Conselho Europeu, o tédio não será mais uma opção". Para enfatizar que as decisões de estímulo econômico também poderia ser tomadas sem Berlim, a chanceler Merkel simplesmente não foi convidada para a mini-cúpula mais recente em Londres.

Atrito Berlim-Paris
Então o que aconteceu? Será que Sarkozy irritou a chanceler?

O president age com "uma energia idiossincrática", como dizem em Berlim, mas de acordo com a versão oficial, a "necessidade de um eixo Berlim-Paris" continua sendo "central". E no Palácio do Eliseu, a disputa atual entre Sarkozy e Merkel é descrita como um "fenômeno estranho". É claro, dizem as autoridades de lá, "os pontos de partida da Alemanha e da França são diferentes, mas o verdadeiro milagre é que os países podem concordar com uma solução no final". E, é claro, proclamam: "O presidente é um grande e confiante europeu".

Sarkozy teve sucesso em assuntos como a política de segurança e mudanças climáticas, mas também falhou em sua tentativa aparente de conseguir a liderança permanente da Eurozona. O jornal Le Monde chamou a situação de uma "tentativa de golpe institucional".

Os franceses parecem valorizar a eloqüência de seu presidente em relação aos assuntos europeus, com 56% dando notas positivas para o desempenho de Sarkozy enquanto presidente da UE. Mas as mesmas taxas de aprovação não se aplicam à política nacional. De acordo com uma pesquisa divulgada pela publicação de negócios Les Echos, 61% dos entrevistados desaprovam as políticas locais do governo quanto à economia, conflitos sociais e desemprego.

A era de eventos internacionais glamourosos chega ao fim para Sarkozy. O calendário do Eliseu para os próximos dias inclui um "encontro com representantes da região de Mayotte", assim como uma visita às Montanhas Vosges no final da semana para "promover as regiões rurais".
Sarkozy também pode esperar uma greve ferroviária, e protestos adicionais contra o sistema de educação. Para tornar as coisas piores, o período entre o Natal e o Ano Novo pode ficar marcado por protestos nos subúrbios - como acontece quase todos os anos.

O presidente francês terá muito a fazer. Mas a gestão da crise será um assunto doméstico para ele a partir de agora.

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