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25/04/2009

Modelo industrial alemão apresenta sua fraqueza em meio à crise

Der Spiegel
Heinz Bude*
O derretimento econômico abalou a confiança dos trabalhadores capacitados do coração do modelo social e econômico alemão. Contudo, é improvável que eles levem seu descontentamento para as ruas - ao menos por enquanto.

Há muito que a Alemanha é assombrada por advertências de que uma crise estava se aproximando. Mas agora chegou. Políticos, empresários, especialistas e líderes sindicalistas estão sentados à mesa na chancelaria. A única coisa que sabem é que ninguém sabe o que fazer.

Ninguém ficará ileso nesses tempos difíceis. A economia da Alemanha deve encolher 5%, talvez 7%, e o número de desempregados vai aumentar em ao menos outro milhão.

Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, a classe média alemã foi abalada profundamente. Não são aqueles com baixa renda, como funcionários de lojas varejistas ou assistentes de idosos, que estão em maior risco.

Em vez disso, quem enfrenta a força total da crise são os que trabalham nas indústrias altamente produtivas no coração do modelo econômico alemão.

São empresas de engenharia no Estado de Baden-Wurtemberg e firmas de tecnologia médica na Bavária que estão vendo suas encomendas caírem 50% ou 60%. Estão em risco empregos criados segundo a estratégia chamada de "especialização flexível", que tem como meta capacitar as firmas a se ajustarem rapidamente a um mercado em rápida mudança. As empresas alemãs viram uma verdadeira revolução nos últimos 15 anos como resultado da estratégia da especialização flexível e da filosofia de "administração de qualidade total". São esses os trabalhadores capacitados do meio da sociedade alemã que demonstraram por todo o país como os desafios da globalização podiam ser enfrentados.

Agora o temor está se espalhando por essas indústrias de valor agregado.
Famílias que estiveram sempre convencidas que o sucesso se baseava em trabalho duro estão subitamente tendo a sensação que estão presas em uma espiral para baixo da qual não podem escapar sozinhas.

Talvez essas pessoas de fato não percam seus empregos, mas sua crença, outrora segura, de que a rede de bem estar social era algo para outras pessoas, foi abalada profundamente. A crise minou a forte noção de autoconfiança que exalava pelas classes sociais no centro do modelo econômico moderno alemão.

Tais trabalhadores nunca se sentiram dependentes de planos de estímulo econômico ou de alívio fiscal. Para eles, seus próprios esforços eram prova que a indústria alemã era sinônimo de qualidade. Eles podiam ignorar o que fosse decidido por aqueles no poder em Bonn ou em Berlim, seguros de que os efeitos seriam sentidos em outras partes.

Berthold Huber, diretor do poderoso sindicato IG Metall, sabe que essas pessoas não tendem à "inquietação social". Isso é algo para o proletariado, não para o trabalhador alemão altamente especializado. O que está acontecendo atualmente para essas pessoas, que estão no coração do modelo econômico alemão, precisa ser levado a sério, e de forma diferente.

A maior parte sabe que é fútil se irritar com os responsáveis pela crise.
O que é muito mais importante é reforçar sua resolução de ficarem firmes até terminar o pior.

Essas pessoas estão prontas para aguentar a tormenta. Estão prontas para mostrar aos sujeitos de camisas listradas e jargão empresarial anglo-saxão aquilo do que são capazes, mesmo em tempo de crise. E estão prontas para isso, não como enganadoras, mas como comunidade confiante que nunca perde sua perspectiva maior - mesmo quando o governo em Berlim está perdido.

*Heinz Bude nasceu na cidade Wuppertal na Alemanha em 1954. Sociólogo, ensina na Universidade de Kassel. Seu livro mais recente, "The Excluded: The End o fthe Dream of a Fair Society" (Os excluídos: o fim do sonho de uma sociedade justa, em tradução livre) foi publicado em 2008.

Tradução: Deborah Weinberg

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