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22/07/2009

As roupas espaciais dos astronautas da Apollo estão se desintegrando

Der Spiegel
Angelika Franz
As roupas espaciais usadas pelos astronautas do projeto Apollo foram capazes de suportar os rigores de uma missão lunar, tais como variações de temperatura da ordem de 270 graus Celsius, mas no planeta Terra elas estão gradualmente se desintegrando - e não há nada que possa ser feito para deter esse processo.

  • Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

    Modelos de roupas espaciais usados em testes pela Nasa fazem parte de mostra em homenagem aos 40 anos da chegada do homem à Lua no Kennedy Space Center, na Flórida

Elas foram feitas para proteger os frágeis corpos humanos no espaço exterior. As temperaturas na superfície da Lua variam de 120 graus Celsius durante o dia a 150 graus Celsius negativos à noite. As roupas espaciais foram fabricadas para aguentar até mesmo o impacto de meteoritos minúsculos. Mas os efeitos do tempo fazem-se sentir nos trajes que os astronautas da Apollo 11 usaram quando pisaram na Lua pela primeira vez em 20 de julho de 1969.

"Três fatores têm feito com que as roupas espaciais se deteriorem - a luz, a umidade e a temperatura", disse a "Spiegel Online" Cathleen Lewis, curadora do Museu da Aeronáutica e Espaço do Instituto Smithsoniano, em Washington, D.C. Os verões úmidos da capital dos Estados Unidos estão causando mais estragos do que o vácuo e as mudanças drásticas de temperatura aos quais os trajes dos astronautas foram expostos na Lua.

A borracha está sendo corroída, as peças de metal estão enferrujando e as partes feitas de plástico desintegram-se.

As roupas espaciais são feitas de 21 camadas de vários materiais diferentes. Mais próxima ao corpo há uma camada macia na qual foram costurados tubos de plástico para a circulação de água. A camada seguinte é feita de náilon, com frestas para ventilação. Depois vem uma vestimenta composta de diversas camadas de vários materiais sintéticos para a pressurização. Os quadris, os joelhos e os cotovelos são acolchoados com espuma de borracha. Uma camada de politereftalato de etileno (PET), combinado a outros materiais a prova de fogo, protegia os astronautas do calor. A camada externa é feita de teflon branco.

A poeira lunar entra em tudo
As vestes contam também com partes metálicas como zíperes feitos de cobre e conexões plásticas para tubos. Um componente adicional que não fazia parte do design original é a poeira lunar. "As roupas espaciais estão incrivelmente sujas", afirma Lewis. "A poeira penetrou profundamente no tecido - é uma poeira muito resistente".

As partes feitas de plástico são o principal problema já que elas sofrem corrosão com o tempo caso sejam expostas ao ar e à luz ultravioleta. O plástico mais utilizado em trajes espaciais é o ploricloroeteno (ou cloreto de polivinila), mais conhecido pela sigla PVC. São utilizados amaciantes para tornar o material duro suficientemente flexível para permitir que se trabalhe com ele. O problema é que, com o passar do tempo, os agentes amaciantes escapam do PVC e o material torna-se quebradiço e pegajoso. "Ele se liquefaz. E os amaciantes grudam em outras camadas de tecido e não podem ser facilmente removidos", explica Lewis.

Os componentes metálicos nos zíperes, bem como nas peças de conexões no pescoço e nas luvas são um problema ainda maior. A umidade do ar pode, por si só, oxidar essas partes. "E não se deve esquecer que Armstrong, Aldrin e Collins transpiraram profusamente dentro dessas vestes", diz Lewis. O sal agressivo do suor que encontra-se encrustado nas vestes há 40 anos tem contribuído para a oxidação do metal.

Não existem métodos de conservação
Não há muito o que fazer para conter a desintegração gradual dos trajes lunares. "Nós mantemos a umidade, os níveis de luz e a temperatura em patamares baixos nos compartimentos de vidro", diz Lewis. "E temos que exibir as roupas abertas para possibilitar que o ar circule dentro delas. Caso contrário, as vestes criam um microclima no qual a corrosão ocorreria com rapidez ainda maior". Como resultado, os capacetes com os seus visores revestidos por uma película de ouro e as luvas com extremidades de silicone têm que ser exibidos separadamente.

Não existe nenhum método único para a conservação das roupas espaciais porque cada missão utilizou vestes diferentes feitas de materiais diferentes. "Os trajes mais antigos do programa Mercury, por exemplo, traziam inscrições metálicas. Essas inscrições estão agora corroendo o tecido", afirma Lewis.

O maior problema referente aos trajes da Apollo 11 é o fato de eles serem o material exibido que todos desejam ver. Nenhuma outra roupa especial passou tanto tempo exposto à luz e ao ar das salas de exibição do que aquelas usadas por Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins. A corrosão não pode ser contida. "A única coisa que podemos fazer é tentar reduzir a velocidade do processo", explica Lewis. A sua colega, Mary Baker, acrescenta: "Daqui a 500 anos a Mona Lisa ainda existirá. As roupas do programa Apollo não".

Tradução: UOL

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