03/05/2007
A morte de Octavio Frias, empresário brasileiro
Juan Arias
Em São Paulo
Octavio Frias foi enterrado na segunda-feira (30) no cemitério Gethsêmani, em São Paulo. Assistiram ao funeral as maiores autoridades do governo brasileiro e do Estado, encabeçadas pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que permaneceu mais de uma hora no cemitério e decretou três dias de luto oficial. Lula fez grandes elogios ao importante papel desempenhado por Frias - que deixa seu império nas mãos de seus filhos, que já trabalhavam na empresa - na "democratização do Brasil depois da ditadura militar".
Considerado sempre um homem incorruptível e defensor da independência da imprensa frente aos poderes fáticos, Frias, sem grandes estudos, era um empresário pragmático, com grande senso de humor, que havia começado do nada. Foi auxiliar de escritório, vendedor de aparelhos de rádio, funcionário público e banqueiro.
Aos 50 anos, em 1962, mudou sua vida ao comprar com seu sócio Carlos Caldeira o diário Folha de S.Paulo, que transformaram no jornal de referência do país. Em sua última entrevista, em 2003, contou com ironia que hoje não compraria a Folha "porque não teria dinheiro para pagar o que vale".
Nessa mesma entrevista contou com toda a liberdade que nas eleições de 2002, que deram a vitória a Lula, ele o convidou a reunir-se com toda a direção do jornal para que expusesse seu programa eleitoral. Seu filho, Otavio Frias Filho, que é o atual diretor de redação da Folha, perguntou ao aspirante a presidente da República se com tão poucos estudos (só o segundo grau) se atreveria a governar o país. Lula, contava o idoso empresário, em vez de dar uma resposta, levantou-se e abandonou o almoço. "Eu tive de acompanhá-lo até a porta", contou Frias, que comentou que foi uma pena, pois Lula "tinha mil respostas para a pergunta de meu filho".
Frias conseguiu criar o grupo de imprensa mais importante do Brasil, que além da Folha de S.Paulo conta com outras publicações como o Agora e o Valor Econômico, com empresas relacionadas à distribuição e design de imprensa e a editora Publifolha, assim como o portal Universo Online (UOL).
Até poucos dias antes de morrer, o empresário - elogiado na terça-feira por toda a imprensa brasileira por sua defesa da independência dos jornalistas - continuou trabalhando todas as tardes no jornal, no qual, embora já não tivesse funções de direção, ainda controlava a linha editorial, discutia com seus filhos as informações mais delicadas e estava sempre alerta para que o jornal não se comprometesse com o poder.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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