24/11/2007
Os paradoxos da leitura na Colômbia
Catalina Gómez
Em Bogotá
Fonte de criação literária, de bons narradores e poetas, mas de poucos leitores. É uma parte dos paradoxos da Colômbia, onde o alto custo dos livros representa 10% do salário mínimo, o Plano Nacional de Leitura e Bibliotecas começa a ser um sucesso e o público costuma lotar os eventos culturais e participar, perguntar, debater.
Para surpresa de muitos, a última pesquisa de Hábitos de Leitura 2007 revela que os 42 milhões de colombianos passaram de ler 2,4 livros por ano em 2000 para 1,6 em 2005. O paradoxal é que nunca antes foram feitos tantos esforços para promover e fomentar a leitura. Isso deu origem a teorias segundo as quais os culpados seriam a situação econômica, o alto preço dos livros ou o pouco tempo para ler fora do trabalho.
Carmen Barvo, diretora da Fundalectura (instituição dedicada ao fomento da leitura), considera que o problema é a falta de hábito. "A idéia de que é importante popularizar o livro e a leitura é nova. Pela primeira vez na história deste país a leitura e as bibliotecas fazem parte de um plano de desenvolvimento e contam com um orçamento", afirma. Para ela, o mais importante é que isto inclui não somente a construção de espaços, onde ficava o dinheiro, mas que o governo dota as bibliotecas de títulos, filmes, televisores e computadores.
Os diversos eventos literários que se realizam na Colômbia, como o Hay Festival de Cartagena e Bogotá39, que aconteceu no âmbito da Bogotá Capital Mundial do Livro, também ajudaram a chamar a atenção de um público que não tinha qualquer relação com a literatura.
Envolvimento editorial Embora o mercado de livros na Colômbia seja muito pequeno, as editoras fazem cada vez mais esforços para tornar seus produtos mais acessíveis e conquistar novos públicos. Mas não funciona. "Estou convencido de que há um temperamento nacional, um ambiente que não convida à leitura", diz o editor geral da Planeta Colômbia, Gabriel Iriarte Núñez. A isto soma-se que "os colégios ajudam pouco e as universidades menos ainda no fomento à leitura. E o império das fotocópias literalmente acabou com o texto universitário", afirma. Não há outra maneira de explicar por que todos os setores da economia cresceram em um bom ritmo, enquanto o mercado editorial se manteve nos últimos três anos em um crescimento próximo de 8% ao ano.
A principal característica da indústria nestes últimos anos, segundo Iriarte, é que a oferta de livros de autores nacionais passou a ocupar um lugar de destaque, diferentemente do que acontecia em décadas anteriores. Hoje, um primeiro romance de um autor colombiano pode vender entre 1 mil e 1,5 mil exemplares, o que supera muitas vezes o que se vende de um autor estrangeiro editado pela primeira vez no país. Também há exceções, como "El Olvido que Seremos", de Héctor Abad, que no último ano vendeu mais de 50 mil exemplares.
"Na Colômbia há uma explosão de autores jovens que sem dúvida é interessante, mas é cedo demais para julgá-la", opina Marianne Ponsford, diretora da revista cultural "Arcadia". As editoras praticamente brigam pelos novos nomes da literatura e do jornalismo, como contratações para um time de futebol. E a verdade é que essa nova geração está recebendo muito mais atenção da mídia que a anterior. O surgimento da "Arcadia", junto com o da revista "Piedepágina", também ajudou a dar maior destaque à leitura e aos livros. Hoje é o único veículo exclusivo sobre meios culturais na Colômbia.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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