UOL Notícias Internacional
 

17/04/2008 - 00h20

Eleições no Paraguai: "a corrupção infectou toda a sociedade", diz candidata do Partido Colorado

El País
Jorge Marirrodriga

Em Assunção
Mesmo sendo a candidata de um partido há seis décadas no poder, Blanca Ovelar afirma que se conquistar a presidência do Paraguai no próximo domingo romperá com o passado e modernizará o país e o Partido Colorado.

El País - A senhora apresenta sua candidatura como "uma ruptura definitiva com o passado", no entanto é a candidata do partido que está há mais tempo no poder na América Latina. Como explica isso?
Blanca Ovelar -
O Partido Colorado não só é um dos mais antigos da América Latina como um dos mais poderosos, proporcionalmente falando. E mesmo assim, com todo o peso da tradição, propõe a candidatura de uma mulher em um país de longa tradição machista. Isso representa a queda de uma série de barreiras mentais no meu país.

EP - Qual é o maior desafio?
Ovelar -
Conseguir uma melhor distribuição da riqueza.

EP - E seu principal problema?
Ovelar -
Sem dúvida é a corrupção, que tem uma prima-irmã: a impunidade. São heranças da ditadura (1954-1989) que estão sendo corrigidas. Existe um terceiro problema, e é o fato de o Paraguai ser um sanduíche entre duas nações poderosas como Brasil e Argentina.

ELEIÇÕES NO PARAGUAI
Jorge Adorno/Reuters
Simpatizantes do Partido Colorado participam de comício em Assunção
BISPO SUSPENSO É FAVORITO
CANDIDATA VÊ CORRUPÇÃO
LUGO, ENTRE CHÁVEZ E LULA
BRASIL E ENERGIA
EP - E qual é a responsabilidade de seu partido nisso?
Ovelar -
A corrupção infectou todos os níveis da sociedade, é uma responsabilidade compartilhada. Escutei que alguns dirigentes afirmavam, e com razão, que a corrupção é como um tango: só se dança a dois, o corruptor e o corrupto.

EP - Um ex-bispo e um ex-general são seus rivais. A senhora se considera ex de algo?
Ovelar -
Não me considero uma ex de nada, porque continuo sendo uma professora de alma, mulher e mãe administradora do lar, que tem uma oportunidade extraordinária de chegar à presidência e demonstrar o que vale a mulher, como ocorre com Cristina Kirchner na Argentina e Michelle Bachelet no Chile.

Compartilhe:

    Trânsito

    Cotações

    Hospedagem: UOL Host