Mesmo sendo a candidata de um partido há seis décadas no poder, Blanca Ovelar afirma que se conquistar a presidência do Paraguai no próximo domingo romperá com o passado e modernizará o país e o Partido Colorado.
El País - A senhora apresenta sua candidatura como "uma ruptura definitiva com o passado", no entanto é a candidata do partido que está há mais tempo no poder na América Latina. Como explica isso?
Blanca Ovelar - O Partido Colorado não só é um dos mais antigos da América Latina como um dos mais poderosos, proporcionalmente falando. E mesmo assim, com todo o peso da tradição, propõe a candidatura de uma mulher em um país de longa tradição machista. Isso representa a queda de uma série de barreiras mentais no meu país.
EP - Qual é o maior desafio?
Ovelar - Conseguir uma melhor distribuição da riqueza.
EP - E seu principal problema?
Ovelar - Sem dúvida é a corrupção, que tem uma prima-irmã: a impunidade. São heranças da ditadura (1954-1989) que estão sendo corrigidas. Existe um terceiro problema, e é o fato de o Paraguai ser um sanduíche entre duas nações poderosas como Brasil e Argentina.
EP - E qual é a responsabilidade de seu partido nisso?
Ovelar - A corrupção infectou todos os níveis da sociedade, é uma responsabilidade compartilhada. Escutei que alguns dirigentes afirmavam, e com razão, que a corrupção é como um tango: só se dança a dois, o corruptor e o corrupto.
EP - Um ex-bispo e um ex-general são seus rivais. A senhora se considera ex de algo?
Ovelar - Não me considero uma ex de nada, porque continuo sendo uma professora de alma, mulher e mãe administradora do lar, que tem uma oportunidade extraordinária de chegar à presidência e demonstrar o que vale a mulher, como ocorre com Cristina Kirchner na Argentina e Michelle Bachelet no Chile.