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05/01/2005
Multinacionais na China rejeitam os sindicatos

Richard McGregor
Em Xanghai


Grandes investidores multinacionais na China estão resistindo às enérgicas tentativas de estabelecimento de sindicatos em suas fábricas e instalações. A Federação de Sindicatos de Toda a China --o único organismo sindical legalizado no país-- informou à mídia local que as empresas estrangeiras estão se recusando a obedecer a leis chinesas que as obrigam a aceitar os sindicatos.

As empresas citadas pela federação, entre elas a Wal-Mart, a Kodak e a Samsung, já desmentiram que estejam bloqueando o estabelecimento dos sindicatos. Essas três empresas planejam expandir seus negócios na China.

A Wal-Mart declarou no mês passado que iria obedecer às leis chinesas referentes à negociação com os sindicatos. Essa declaração foi amplamente divulgada como sendo uma aceitação dos princípios da federação chinesa por parte da gigante varejista americana. Mas na verdade a empresa, que combateu a representação sindical nos Estados Unidos, vem utilizando leis sindicais regionais para rebater a atuação da federação.

A lei chinesa diz que os sindicatos devem ser instituídos a pedido dos trabalhadores. "Até agora nenhum associado [termo usado pela Wal-Mart para caracterizar um trabalhador]... requisitou o estabelecimento de um sindicato", disse Xu Jun, um executivo chinês da Wal-Mart.

A Kodak também declarou que não houve pedido por parte de seus trabalhadores para o estabelecimento de um sindicato. Associações de empresários realizaram seminários em Xanghai e Pequim nas últimas semanas para aconselhar seus membros sobre a melhor maneira de atender às reivindicações dos sindicatos chineses.

A federação chinesa, por sua vez, informou que já entrou em contato com várias empresas estrangeiras, mas que pouco avançou na instituição dos sindicatos. Sob a lei trabalhista chinesa, dois por cento de todos os salários, inclusive os vencimentos dos executivos, devem ser dedicados às associações classistas, em qualquer local de trabalho onde um sindicato esteja estabelecido.

A Samsung, empresa sul-coreana de artigos eletrônicos, declarou que nunca se opôs à instituição de sindicatos profissionais: "Nos mais de 20 empreendimentos conjuntos que operamos, em alguns deles os sindicatos profissionais já estão em atividade".

A Federação de Sindicatos de Toda a China, que é afiliada ao Partido Comunista, viu a sua influência diminuir nos últimos anos, com o encolhimento do setor estatal chinês. Sua atual campanha é vista por executivos estrangeiros como uma tentativa de recuperar sua influência, que estaria em baixa.

Um executivo americano afirmou: "Tudo isso tem a ver com dinheiro e com o esforço de conduzir células do partido à iniciativa privada. Se eles estão assim tão preocupados com os trabalhadores, por que não estão recrutando membros em locais como as minas de carvão?"

Ao contrário do que ocorre com tradicionais sindicatos nos países ocidentais, a Federação da China tem uma tradição de manutenção de relações harmoniosas nas fábricas, evitando confrontos sobre salários e condições.

Apesar disso, alguns executivos estrangeiros temem que, com a crescente sintonia da economia chinesa com as forças de mercado, um movimento sindical mais estridente poderia emergir a partir do próprio esqueleto sindical da federação.

Tradução: Marcelo Godoy

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