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04/11/2005
Eleição para governo da Virgínia é recado a Bush

Dos correspondentes em Washington

No mês passado, em frente a uma estação de metrô no entorno de Washington, D.C., Tim Kaine pedia a uma multidão de cerca de 100 correligionários ensopados pela chuva que o elegessem governador da Virgínia na eleição da próxima terça-feira (08/11).

Kaine, democrata e vice-governador, disse que ele e o atual governador reverteram o quadro financeiro problemático da Virgínia, e prometeu que continuará trabalhando arduamente em prol do Estado.

Mas a eleição --uma das duas únicas disputas deste ano por governos estaduais nos Estados Unidos [a outra é em New Jersey]-- poderá ter conseqüências de âmbito nacional. "Poderemos enviar uma poderosa mensagem à Casa Branca com relação à forma como este país vem sendo dirigido, caso vençamos a eleição. E venceremos", garantiu Kaine.

A sua disputa com o republicano Jerry Kilgore está sendo vista como um importante indicador do estado de espírito da população, que decidirá o resultado das eleições parlamentares de 2006, e mostrará até que ponto o quadro político foi afetado pelos escândalos envolvendo os republicanos em Washington, a resposta sofrível ao furacão Katrina, os altos preços do petróleo, a guerra no Iraque e outras questões de âmbito nacional.

As mais recentes pesquisas revelam que Kaine superou um começo de campanha lento e que agora lidera por uma pequena vantagem, contando com 47% das intenções de votos conta os 44% de Kilgore.

No decorrer da disputada campanha, os candidatos têm enfrentado o desafio de terem que cortejar os eleitores mais liberais nos vastos subúrbios do entorno de Washington, tais como Arlington e McLean, no norte do Estado da Virgínia, e, ao mesmo tempo, aproximarem-se dos eleitores da região mais rural do sul do Estado, que é geralmente mais conservadora.

Falando com o seu arrastado sotaque sulista em um recente evento para arrecadação de verbas em McLean, Kilgore disse: "Eu sou o candidato que defende menores impostos, menos regulamentações e o fim dos processos judiciais frívolos. Tornarei Virgínia o Estado mais receptivo ao empresariado em todo o mundo".

Kaine está apostando a sua candidatura no sucesso do seu mandato nos últimos quatro anos com Mark Warner, o atual governador. Ele não perdeu tempo em chamar atenção para o fato de que a revista "Governing Magazine" considerou a Virginia o Estado mais bem administrado do país.

Enquanto isso, Kilgore, ex-procurador-geral da Virgínia, tem apresentado ao eleitorado o seu histórico marcado pela abordagem dura da questão criminal, e insinua que Kaine, ex-advogado de direitos civis, não aplicará com rigor a lei estadual de pena de morte. Desde 1976, a Virgínia executou 94 condenados, sendo o segundo Estado que mais aplicou a pena de morte no país, perdendo apenas para o Texas, que executou 351 pessoas.

Kaine diz que, embora pessoalmente se oponha à pena de morte por razões religiosas, aplicará a lei atual. Analistas políticos dizem que os eleitores tomarão as suas decisões com base nas personalidades dos candidatos, e nas suas posições quanto a questões como impostos, expansão urbana e a pena de morte, mas concordam com a avaliação dos candidatos, segundo a qual a disputa eleitoral terá importantes implicações de âmbito nacional.

Larry Sabato, professor de política da Universidade de Virgínia em Charlottesville, disse que mesmo que a corrida pelo governo do Estado seja uma "disputa local", quem quer que vença terá o "direito de se gabar". Ele acrescentou que ambos os partidos políticos estão preparados para apresentar uma vitória na terça-feira como um sinal de força.

Especificamente, a disputa é vista como uma amostra prévia do capital político dos dois potenciais candidatos presidenciais de 2008. Do lado democrata, Mark Warner, o atual governador da Virgínia, tem feito uma campanha agressiva a favor de Kaine, enquanto que no campo republicano George Allen, senador pela Virgínia e ex-governador do Estado, apóia Kilgore.

John Kerry, o ex-candidato presidencial democrata, pediu aos seus apoiadores que trabalhem na campanha de Kaine nos últimos dias da corrida eleitoral. Kaine também apareceu em público, recentemente, com o ex-presidente Bill Clinton.

Já o presidente George W. Bush tem mantido uma distância notável das recentes aparições públicas de Kilgore, que coordenou a bem-sucedida campanha de Bush na Virgínia no ano passado, mas que surpreendeu muita gente ao não comparecer a um discurso presidencial no Estado na última sexta-feira.

O comitê eleitoral de Kilgore insiste em afirmar que o episódio não refletiu nenhum desentendimento dele com o presidente, mas sim um conflito de agendas. No entanto, o incidente vem sendo interpretado por vários analistas como uma amostra dos atuais problemas da Casa Branca.

Kaine disse que o seu "pior cenário" seria ter que fazer campanha contra um candidato que contasse com o apoio integral da Casa Branca. "Agora, não tenho que me preocupar muito com isso", disse ele.

Tradução: Danilo Fonseca

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