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12/07/2006
Pesquisas mostram que Geraldo Alckmin ainda está distante da presidência

Richard Lapper e Jonathan Wheatley

Geraldo Alckmin entra em uma confeitaria de Brasília para bater um papo com a reportagem do "Financial Times", parecendo vivaz e eficiente como sempre.

Elegante com a calça informal e a camisa desabotoada no colarinho, com as mangas dobradas duas vezes, ele pede um café expresso, ignora educadamente um indivíduo que tenta conversar sobre trivialidades e se dirige aos repórteres olhando sobre os óculos sem aro, pronto para a primeira pergunta.

"O Brasil não pode correr o risco de perder mais quatro anos. Precisamos crescer mais rapidamente", afirma o candidato presidencial do centrista PSDB.

Alckmin fala com facilidade sobre as suas prioridades, que se baseiam na experiência. Como vice-governador e, a seguir, governador de São Paulo, o Estado mais densamente povoado e mais industrializado do Brasil, ele fez parte da equipe que transformou um déficit orçamentário de 25% em um superávit, reformou o setor público, reduziu impostos e estimulou o aumento dos investimentos dos setores público e privado em infraestrutura e serviços.

Ele ficou conhecido pelo gerenciamento prático e inovador, e por uma abordagem criativa no sentido de proporcionar serviços públicos - embora uma série de rebeliões de prisioneiros, especialmente em centros de detenção de menores, por vezes combatidas com violência, tenha maculado o seu histórico como administrador público.

Mas Alckmin é pouco conhecido fora de São Paulo, e mesmo no seu Estado de origem. Neste momento em que tem início a campanha para a eleição de outubro, ele está consolidado em um segundo lugar. De acordo com pesquisas recentes, Alckmin está de 13 a 17 pontos percentuais atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para acabar com essa diferença ele espera persuadir os brasileiros de que é o homem capaz de fazer com que o Brasil cresça em um ritmo mais rápido do que os pouco mais de 2% ao ano registrados nos últimos dez anos. "A minha obsessão será com o crescimento", afirma Alckmin.

"O crescimento se dá por meio da criação de empregos, e o governo só é capaz de criar empregos de uma forma complementar. Os empregos são criados pelos empresários. Pelo setor privado. Precisamos atrair o investimento produtivo".

Isso exigirá uma reforma do setor público, começando pelo sistema fiscal. A carga tributária do Brasil representa quase 39% do produto interno bruto. "Essa é a carga tributária do Reino Unido", observa o candidato. "A nossa carga tributária é de dez a 15 pontos percentuais maior do que a de outros países emergentes, e quase o dobro daquela dos nossos vizinhos latino-americanos".

A reforma fiscal - iniciada, mas não concluída, por Lula - incluiria a simplificação dos confusos impostos estaduais e municipais sobre bens e serviços, transformando-os em um imposto unificado sobre o valor de mercadorias.

A reforma do setor público envolve ainda a solução da ineficiência nos gastos. "O governo está seguindo uma linha, e nós seguiremos outra", garante Alckmin. "Atualmente esta linha significa aumentar os gastos, elevar os impostos e reduzir os investimentos".

As despesas correntes aumentaram bastante nos últimos anos, algo que se tornou possível com um aumento da arrecadação fiscal. Alckmin fala sobre alterar a estrutura dos gastos públicos, em vez de necessariamente reduzi-los, embora afirme que esses gastos precisam crescer em um ritmo mais lento do que a economia do país.

Ele também pretende promover economia em áreas como a de aquisições públicas e reduzir o número de cargos políticos - cerca de 30 mil no atual governo - e propor um serviço público estável e profissional.

A verba economizada com essas medidas seria redirecionada para os investimentos públicos, especialmente a infraestrutura de transportes, que caíram para uma fração de um por cento do produto interno bruto. "O Brasil precisa investir pelo menos 2% do produto interno bruto. Este é um país muito grande, no qual existem vários gargalos logísticos". Os investimentos adicionais seriam derivados dos contratos de gerenciamento e das parcerias entre os setores público e privado. O governo Lula procurou promover tais iniciativas, e criou legislações para torná-las possíveis no nível federal.

Mas Alckmin afirma que pouca coisa foi feita pelo atual governo, em um contraste marcante com a situação no seu Estado. "Temos oito anos de experiência com isso... Contamos com 3.300 quilômetros de estradas administradas sob regime de concessão pública".

Tal reforma inclui a promoção da economia necessária para pagar a dívida interna brasileira, um fardo pesado, equivalente a 50% do produto interno bruto. "No ano passado, o Brasil gastou R$ 156 bilhões (US$ 72 bilhões) com pagamentos de juros . Estamos presos em um círculo vicioso de uma má política fiscal e de uma política monetária muito rígida que faz com que a situação fiscal piore, ao manter as taxas de juros elevadas, e aumentar o custo do serviço da dívida".

Ele acredita que investimentos e crescimento resultarão em um benefício
adicional: ao se estimular o consumo doméstico e, portanto, as importações, o enorme superávit fiscal brasileiro de cerca de US$ 40 bilhões seria reduzido, diminuindo a pressão sobre a taxa de câmbio e melhorando a competitividade brasileira. Taxas de juros menores também tornariam a moeda brasileira menos atraente para o hot money (capital fluido e especulativo, que não permanece muito tempo em um só país).

Ao falar, Alckmin faz com que essa tarefa pareça fácil. Mas ele reconhece que o Brasil precisará de mais disciplina na política, o que significa uma redução da pletora de partidos, reduzindo-os a cerca de sete ou oito legendas, e a criação de regras que impeçam os parlamentares de trocar sistematicamente de partidos.

Ele observa que o Congresso tem 513 deputados e que "sem lealdade partidária, cada deputado é um partido". Uma maior disciplina partidária tornaria mais fácil a aprovação de outras reformas.

Será que Alckmin poderá ter sucesso nas urnas ao apresentar essas propostas?

As últimas pesquisas sugerem que ele tem uma chance. Embora esteja bem atrás de Lula, a diferença entre os dois foi bastante reduzida devido a uma grande quantidade de propagandas políticas do PSDB no mês passado, nas quais ele apareceu de forma proeminente.

Ao final da entrevista, Alckmin desce até a cozinha da confeitaria para cumprimentar os funcionários. Ele parece achar isso difícil. Os funcionários estão ligeiramente confusos, e o candidato é educado, mas tem uma aparência rígida.

Alckmin pode ser o homem que tem as respostas, mas isso não garante que os brasileiros votarão nele, e não no homem do povo, simpático e amante do futebol, que atualmente o ocupa o Palácio do Planalto.

Tradução: Danilo Fonseca

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