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09/09/2006
Rudy, o herói, quer o prêmio maior

Holly Yeager
em Washington


Nas semanas que se seguiram ao ataque às Torres Gêmeas, Rudy Giuliani tornou-se conhecido como o "prefeito da América", admirado em Nova York e em outros lugares por sua liderança tranqüila, mas com pulso firme. Agora ele vai tentar transformar esse título honorário em oficial, ao contemplar a disputa para a Casa Branca em 2008.

Giuliani insiste que vai esperar até depois das eleições de meio de mandato, em novembro, para decidir se entrará na disputa para ser o candidato presidencial republicano, que parece que será a mais aberta no partido em mais de 40 anos. Mas, com a aproximação do aniversário do 11 de Setembro, aumenta o interesse por sua potencial candidatura.

Giuliani vem agindo muito como candidato, fazendo aparições de campanha em nome dos republicanos em duras disputas no Congresso, visitando os estados com eleições primárias antecipadas e distribuindo o dinheiro de seu comitê de ação política para candidatos em todos os EUA. Pesquisas de opinião mostram que os eleitores estão percebendo isso. Uma pesquisa da Fox News/Opinion Dynamics deste mês o situou no topo dos candidatos presidenciais republicanos, com 27% dos votos, seguido de perto por John McCain, o senador do Arizona.

Mas se a reputação de Giuliani como líder e a percepção de sua força na segurança nacional o impulsionaram a uma liderança precoce, existem fatores que pesam muito contra ele. O mais importante é sua posição sobre vários temas sociais quentes, que lhe foi útil em Nova York mas o afasta dos conservadores, que têm um papel decisivo no processo de nomeação nacional.

"Os republicanos não sabem que ele é a favor da opção ao aborto, a favor do controle de armas e do casamento gay, ou não se importam?", disse Peter Brown, diretor-assistente do instituto de pesquisas universitárias Quinnipiac.

Giuliani também poderá enfrentar problemas em outras áreas. Os defensores dos direitos civis criticaram seu histórico como prefeito, e o de promotor federal também enfrentaria um novo escrutínio. O mesmo ocorreria com sua lista de clientes na Giuliani Partners, a firma de investimentos e consultoria que criou depois de deixar a prefeitura.

Ele também enfrentará provavelmente questões sobre o ruidoso fim de seu casamento com Donna Hanover; suas ligações com Bernard Kerik, seu comissário de polícia, que foi obrigado a renunciar à nomeação para secretário da Segurança Nacional de Bush depois de alegações sobre impropriedades pessoais e profissionais; e sua decisão em 1994 de apoiar Mario Cuomo, o governador democrata de Nova York.

Tom Rath, membro do Comitê Nacional Republicano de New Hampshire, disse que os eleitores ainda não se concentraram nos detalhes do currículo de Giuliani. "O que sabem é que quando sua cidade correu perigo ele apresentou ao mundo a imagem de um sujeito muito firme."

Quando o ex-prefeito está em New Hampshire, disse Rath, aparecem pessoas com seu livro, "Leadership" [Liderança], pedindo autógrafo. "As lombadas desses livros estão sempre rachadas", disse Rath. "Elas não apenas compraram o livro, mas o leram, e esse é um ótimo começo."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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