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09/09/2006
Apesar de altos investimentos contra desastres, ainda há temor em Wall Street

David Wighton, Deborah Brewster, Paul Taylor e Anuj Gangahar
em Nova York


Quando Dick Grasso, então presidente da Bolsa de Nova York, reabriu o pregão em 17 de setembro de 2001, foi um símbolo da resistência de Wall Street contra o terrorismo. Mas o fechamento da Bolsa durante quatro dias também salientou as sérias interrupções causadas pelos atentados ao World Trade Center, em parte devido a falhas no planejamento de desastres de Wall Street.

Cinco anos e bilhões de dólares de investimentos mais tarde, muitas dessas falhas foram corrigidas e há poucas dúvidas de que os mercados financeiros de Nova York e outros importantes centros financeiros hoje seriam mais resistentes no caso de um desastre semelhante.

Mas a preocupação persiste, principalmente sobre os serviços chaves de que o setor de serviços financeiros depende e a capacidade da indústria para lidar com outros tipos de ameaças, como uma epidemia de gripe.

Scott Parsons, vice-secretário-assistente do Tesouro para infra-estrutura crítica, diz que a lição mais básica do 11 de Setembro foi a necessidade de instalações de reserva a uma distância suficiente do local principal.

Os planos de contingência da maioria das empresas se concentravam em potenciais problemas localizados. "Algumas firmas tinham seu back-up no porão do próprio prédio ou do outro lado da rua", disse Parsons. Em conseqüência disso, algumas perderam o acesso a suas instalações básicas e às de reserva.

"As instituições em geral também não tinham considerado a possibilidade de que o transporte de pessoal pudesse ser interrompido de maneira significativa e impedisse a remoção de funcionários para locais alternativos", disse um relatório de 2002 do Federal Reserve e outros reguladores.

Os reguladores mais tarde introduziram novas diretrizes sobre instalações de reserva e muitas companhias investiram pesado em novas operações.

O Bank of New York, por exemplo, construiu dois centros de dados idênticos, um a 64 quilômetros de sua sede em Wall Street e um que foi terminado há apenas seis meses, a 1.200 quilômetros de distância. Um importante compensador de títulos, o BoNY foi gravemente afetado pelo atentado de 11 de Setembro. "Os dois são réplicas, esperando que algum falhe", diz Don Monks, vice-presidente do BoNY.

Muitas companhias de serviços financeiros em Londres tomaram medidas semelhantes, e a Autoridade de Serviços Financeiros do Reino Unido disse em um estudo em dezembro que a maioria das empresas agora tem sistemas de informática "altamente resistentes" e poderia retomar as operações normalmente um dia depois de um desastre.

Segundo Gregory Ferris, presidente do comitê de continuidade de negócios da Associação da Indústria de Valores (SIA na sigla em inglês), outra lição chave do 11 de Setembro foi a necessidade de uma comunicação interna melhor na indústria durante uma crise. A SIA e outros órgãos do setor montaram um centro de comando para melhorar a coordenação. "Os esforços de recuperação depois do blecaute de 2003 em Nova York e outros eventos, como a greve de transportes de 2005 e as manifestações de imigrantes, foram mais eficazes porque essa estrutura estava implementada", ele disse a um comitê do Congresso em junho.

Outra área enfocada foi a de testes colaborativos, como um grande exercício para os mercados de valores de Nova York marcado para 14 de outubro, diz Anna Ewing, principal oficial de informática da bolsa Nasdaq. "Esses testes hoje são muito mais intensos e realmente visam garantir que as transações possam ser realizadas no caso de uma crise."
Os bancos e as firmas de valores também estão dando maior atenção a seus sistemas de energia e telecomunicações. Grande parte das interrupções causadas pelo 11 de Setembro foi conseqüência de problemas com instalações que se mostraram inesperadamente vulneráveis.

"Não sabíamos quanto da infra-estrutura de telecom se concentrava em sete prédios no sul de Manhattan ... e a unidade principal precisava operar para que as outras seis operassem", lembra Momks. O BoNY hoje exige muito mais informação de seus fornecedores e também alugou cinco cabos de fibras ópticas para conectar seus centros de dados.

A Verizon Communication diz que descentralizou ainda mais a infra-estrutura de apoio de Wall Street e facilitou o redirecionamento de tráfego de voz e dados em caso de crise. Ela também instalou mais 64 quilômetros de cabos de fibra óptica no sul de Manhattan, a maior parte deles configurados em anéis "autocurativos".

Mas alguns altos executivos de Wall Street acreditam que os fornecedores de infra-estrutura não enfrentaram tanta pressão de seus reguladores para aumentar a resistência.

As telecomunicações também preocupam muitas companhias de serviços financeiros ao traçar planos para enfrentar uma possível epidemia. A suposição é que depois de um surto um grande número de empregados ficará em casa, e as companhias estão investigando quanto de suas operações poderiam ser efetuadas de casa.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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