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29/12/2006
Multinacionais emergentes - Natura pretende se expandir internacionalmente

Peter Marsh
em São Paulo


A Natura, resposta brasileira à Body Shop, criação de "Dame" Anita Roddick, está tentando se tornar internacional, como fez a empresa britânica nas últimas décadas.

A companhia de cosméticos e produtos de beleza, em rápido crescimento, não está brincando: escolheu a França como primeiro país fora da América Latina para testar suas idéias, não porque fosse um simples lugar para vender, mas porque era difícil, diz Alessandro Carlucci, principal executivo da Natura.

"Queríamos escolher um mercado sofisticado, onde as pessoas entendem de cosmética e têm altas expectativas", diz Carlucci. "Queríamos um teste duro". Carlucci diz que até agora a experiência teve sucesso. Ele está "feliz" com o nível de negócios de uma loja que vende seus produtos no centro de Paris, montada pela empresa em 2005, mas não quer dar detalhes. A empresa já tem uma pequena rede de revendedoras na França, que conta principalmente com a internet para comercializar.

Daqui a cinco anos a Natura quer ter "pelo menos" 10% de sua receita originada fora do Brasil, comparados com 3% hoje. Ela visa o Reino Unido, os EUA e a Rússia como lugares adequados para suas iniciativas de expansão.

Fora o Brasil e as pequenas operações na França, a Natura atualmente vende seus cosméticos em alguns países da América do Sul, como Argentina, Peru, México e Chile, onde seus esforços de marketing começaram para valer nos últimos dois anos. "Estou confiante que temos uma base para transferir o que fazemos no Brasil para outros países", ele diz. "Acho que podemos fazer sucesso em outras culturas e outras línguas."

A Natura começou como um pequeno laboratório em uma garagem em São Paulo, 37 anos atrás (o que a torna sete anos mais velha que a Body Shop). Ela vende uma linha de 600 sabonetes, perfumes, xampus, loções para a pele e produtos semelhantes, todos baseados nos cerca de 900 ingredientes naturais, na maioria terceirizados de fazendeiros ou agricultores autônomos, na floresta tropical amazônica.

A companhia se promove como uma empresa "ética", que faz questão que seus fornecedores colham os produtos de maneira ecológica. Ela também faz questão de usar embalagens biodegradáveis.

As pessoas que não se interessam pelos conceitos mais amplos da sustentabilidade ambiental "provavelmente não são" potenciais clientes da empresa, afirma Carlucci com seriedade.

Perguntado sobre os paralelos com Dame Anita, que vendeu a Body Shop para a L'Oréal da França por US$ 1,3 bilhão este ano, Carlucci diz que a conheceu e que é seu admirador, apesar de ser ligeiramente rude em relação a ela.

Ela foi "uma inspiração para muitos empresários", incluindo ele mesmo, mas dirigia uma empresa "de guerrilha". Explicando, Carlucci diz que ela "estava mais interessada na causa [do consumo ético], enquanto nós estamos mais interessados em cosmética".

As idéias da Natura impressionaram Mauro Cunha, principal oficial de investimentos do grupo Franklin Templeton Investimentos Brasil. "Eles têm bons produtos, mas o que os diferencia das outras companhias são seus valores corporativos, como mostram seus esforços para ajudar as comunidades da Amazônia a operar de maneira sustentável. Eles realmente parecem querer tornar o mundo um lugar melhor", acrescenta Cunha.

Mas o histórico da empresa na Bolsa é misto. Quando a Natura abriu seu capital, em meados de 2004, a emissão foi subscrita em mais de dez vezes. Mas a ação caiu de mais de R$ 50,00 no final de 2004 para menos de R$ 30,00.

Mesmo assim os resultados recentes foram bons. Nos primeiros nove meses de 2006 as receitas aumentaram 21%, para R$ 2,7 bilhões. O faturamento líquido aumentou 33%, para R$ 344 milhões.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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