29/06/2004

Telmex vai comprar participação em TV a cabo do Brasil

Homem mais rico da América Latina, Carlos Slim diversifica seus negócios no país

Raymond Colitt em São Paulo e
John Authers no México


A companhia de telecomunicações mexicana City Telmex deverá comprar uma participação na maior rede de televisão a cabo do Brasil, ampliando seu agressivo plano de expansão na maior economia da América do Sul. A Globopar, holding controlada pela família Marinho, de magnatas da mídia brasileira, concordou em vender à Telmex uma participação na Net, sua operadora de TV de banda larga a cabo, disse a companhia ontem. A Telmex estimou o custo total entre US$ 250 milhões e US$ 370 milhões.

O tamanho real e o custo da aquisição só serão determinados depois que a Net reestruturar sua dívida e emitir cerca de R$ 1,8 bilhão (US$ 574 milhões) em novas ações. A Telmex também obteria o direito de adquirir "controle de voto" em uma companhia de propósito especial com participação de 51% na Net.

"O negócio aumenta o dinheiro para a reestruturação da Globopar, traz um investidor estratégico para a Net e a coloca em posição de continuar crescendo", disse a Globopar nesta segunda-feira (28/06).

É a última de uma série de aquisições de Carlos Slim - o magnata das telecomunicações e o homem mais rico da América Latina - na América do Sul e especialmente no Brasil. A Telmex recentemente obteve autorização da Anatel, a reguladora do setor no Brasil, para adquirir participação majoritária na operadora de longa distância Embratel, da MCI, por US$ 400 milhões. A provedora de celular America Movil, também controlada por Slim e filial da Telmex, já opera a Claro, uma das maiores operadoras de sem fio do Brasil.

Na semana passada ela comprou participação majoritária nas provedoras de celular Megatel de Honduras e Enitel da Nicarágua. Isso se segue a negócios no ano passado na Argentina e em El Salvador. Slim negou interesses em sair do México, mas nos últimos dois anos a America Movil e depois a Telmex fizeram uma série de aquisições nas Américas do Sul e Central.

Analistas dizem que isso ocorreu em parte porque Slim, um conhecido investidor de "valor", conseguiu comprar por baixos preços e em parte porque as perspectivas de crescimento no México parecem limitadas. Seu contrato social a impede de entrar no mercado de TV a cabo mexicano - um dispositivo que a Telmex está tentando mudar. Este ano a Telmex anunciou um acordo para assumir o controle geral da Chilesat, terceiro maior provedor de longa distância no Chile.

Ela também pagou US$ 113,5 milhões por uma participação de 80% na Techtel, uma companhia de serviços de dados da Argentina. As ações da Telmex subiram 0,6%, atingindo 18,70 pesos, ao meio-dia no pregão na Cidade do México. Entretanto, as ações preferenciais da Net haviam caído cerca de 14%, para R$ 0,76, no início da tarde.


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Visite o site do Financial Times



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