Os espantalhos também assustam as pessoasQuando eu era criança, percebi pela primeira vez como os pássaros deviam ser tolos quando vi meu primeiro espantalho. Como o comportamento dos pássaros podia ser tão radicalmente afetado por algo que é evidentemente uma fraude?
Agora um novo estudo sugere que os seres humanos (pelo menos os professores de psicologia) não se comportam de modo muito diferente.
Veja o que disse a resenha sobre o trabalho:
"Melissa Bateson e colegas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, colocaram novas listas de preços toda semana na cafeteria de seu departamento de psicologia. Os preços não mudavam, mas toda semana havia no alto da lista a fotocópia de uma imagem, medindo 15 por 3 centímetros, de flores ou de olhos de pessoas. As faces variavam, mas os olhos sempre olhavam diretamente para o observador. Nas semanas em que havia olhos na lista, os funcionários pagaram 2,76 vezes mais por suas bebidas do que nas semanas com flores."
"Francamente ficamos atônitos com o tamanho do efeito", disse Gilbert Roberts, um dos pesquisadores, à revista "New Scientist".
Alguns pensamentos:
1) Esses psicólogos são muito menos honestos em média do que os clientes da Bagel Man sobre os quais escrevemos em "Freakonomics". Eles pagam quase 90% do preço afixado em média. Para os pagamentos do experimento aumentarem quase três vezes, os psicólogos estariam pagando não mais que cerca de 30% do preço afixado.
2) Existe um estudo anterior que chega a um resultado semelhante: quando as pessoas jogam "jogos da verdade" em experimentos de laboratório usando computador, colocar um olho na tela tem o mesmo tipo de efeito.
3) O artigo continua, dizendo o seguinte: "Isso poderia ter amplas implicações. Em experimentos anteriores, as pessoas constantemente pareciam se comportar de maneira mais generosa do que precisariam por interesse próprio, mesmo quando lhes diziam que suas ações eram anônimas. Isto levou uma influente escola de economistas a afirmar que o altruísmo é inato nos seres humanos, em vez de se basear no cínico interesse próprio.
"Mas se um simples par de olhos numa fotocópia pode perturbar a honestidade, a equipe de Newcastle suspeita que esses experimentos anteriores podem de alguma forma ter sido prejudicados por pistas subliminares que fizeram as pessoas sentirem que estavam sendo observadas.
"Em outras palavras, o interesse próprio pode ter uma grande influência, afinal, com as pessoas sentindo a necessidade de serem consideradas honestas. Esses resultados talvez precisem ser reexaminados", diz Roberts.
De fato, em um novo trabalho que escrevi com John List, discutimos exatamente essa tese. Acreditamos que tanto a teoria quanto as evidências sugerem que o que aprendemos no laboratório, em muitos casos, não pode ser prontamente generalizado para ambientes naturais. O "escrutínio" do laboratório é um dos motivos. Também oferecemos outros.
Steven D. Levitt
Quanto custa viver perto de um criminoso sexualCerca de 4% do valor da sua casa. É o que os economistas Leigh Linden e Jonah Rockoff (ambos da Universidade Columbia) concluíram em um trabalho para o Departamento Nacional de Pesquisa Econômica (NBER na sigla em inglês) intitulado "Lá vai o vizinho? Estimativas do impacto do risco de criminalidade sobre valores de propriedades a partir da lei de Megan". Veja como o "NBER Digest" resume suas conclusões.
Eles combinam dados do mercado imobiliário com dados do Registro de Agressores Sexuais da Carolina do Norte para descobrir que, quando um agressor sexual se muda para um bairro, o valor das casas numa área de 1,5 quilômetro ao redor da casa do agressor cai 4% em média (cerca de US$ 5.500), enquanto as que estão mais distantes não mostram um declínio de valor. "Esses resultados sugerem que os indivíduos têm uma aversão significativa por viver na proximidade de um agressor sexual conhecido", concluem os autores.
Sou conhecido por admirar os economistas, mas até eu devo admitir que essa última frase é um pouco... óbvia? Mais importante, porém, eu me pergunto quando, ou se, os vendedores de casas serão habitualmente solicitados a notificar os potenciais compradores sobre a proximidade de um agressor sexual. Linden e Rockoff comentam que isso já acontece em alguns estados, mas acredito que seja raro. Por outro lado, já é bastante fácil procurar agressores sexuais registrados em determinado bairro, portanto talvez seja apenas mais um elemento com que as pessoas se acostumarão ao comprar residências. Finalmente, posso imaginar que se as conclusões de Linden e Rockoff se tornarem senso comum, fará as pessoas gritarem ainda mais alto contra ter um agressor sexual registrado em seu bairro.
Stephen J. Dubner
Quando a doença também é a curaMuitas pessoas têm se preocupado ultimamente de que MySpace se tornou um playground de predadores sexuais. E muitas das pessoas preocupadas culpam a própria tecnologia por dar aos predadores sexuais uma oportunidade que de outro modo eles não teriam. Como acontece com freqüência com um tecnologia nova e assustadora, uma versão ainda mais nova dessa tecnologia vem a ser um antídoto. Pelo menos essa é a idéia por trás da barra de ferramentas MySpace
Guardian: "Os usuários podem pesquisar uma base de dados de agressores sexuais registrados em um determinado raio ao redor de sua localização, por nome, cognome, altura, idade e qualquer combinação destes. O resultado é uma exibição de fotos dos agressores sexuais registrados e outras informações pertinentes. Os usuários também podem notificar as autoridades diretamente pela barra de ferramentas se suspeitarem que foram contatados por um predador sexual". (Obrigado a Mary Johnson.)
Stephen J. Dubner
Besteiras aeronáuticasMuitas das regras e regulamentos sobre o que acontece nos aviões parecem completamente ridículos.
Para começar, existe a exigência de que você desligue seus aparelhos eletrônicos para a decolagem e o pouso. De que adianta me fazer desligar meu iPod? Eu garanto que ele não interfere com os instrumentos do avião (ou, se o fizer, atrapalhei muito a vida de alguns pilotos recentemente, ao infringir esta regra). Um piloto meu amigo me disse que a regra foi criada para que em caso de queda um equipamento eletrônico não inicie um incêndio.
Por favor. Se cairmos haverá bastante fogo de qualquer maneira.
Depois existe a exigência de usar facas de plástico. Não me parece que uma faca de mesa seja uma ótima maneira de tomar um avião, para começar. Se eu precisasse de uma arma, simplesmente quebraria uma garrafa de vinho. Eu preferia ter uma garrafa quebrada do que uma faca de mesa em qualquer briga.
Terceiro, existe o fato de que os "Delegados do Ar" são completamente óbvios se você os procurar. Eu vôo tanto pela United que já consigo embarcar no avião no primeiro grupo. Às vezes há alguns sujeitos fortões já sentados na primeira classe que não embarcaram com o resto dos passageiros. Eles observam atentamente quando você entra no avião. Eles quase não têm bagagem.
Hmm, eu me pergunto: seriam os Delegados do Ar?
Finalmente, quando eles lêem as instruções de segurança no início do vôo, percorrem toda a baboseira sobre "no caso improvável de um pouso na água..." e todas as precauções existentes para enfrentar esse acontecimento. Meu amigo Peter Thompson pesquisou um pouco sobre isso.
Pelo menos remontando a 1970, o que nas minhas estimativas abrange mais de 150 milhões de vôos de aviões comerciais, não houve um único pouso na água! (Alguns aviões explodem e caem na água, mas ele não conseguiu encontrar nada parecido com um pouso na água em que aquelas instruções pudessem ajudar.) Então talvez 15 bilhões de passageiros tenham escutado esses 10 a 15 segundos de instruções sem que jamais eles tenham sido úteis para ninguém.
Minha última queixa é que as companhias aéreas americanas ainda não adotaram a Internet sem fio. Algumas companhias estrangeiras, como a Lufthansa, já tem. Meu palpite é que não existem limitações técnicas hoje, mas provavelmente grandes regulamentos que servem a pouco objetivo.
Em geral, parece que muitas das regras vigentes existem independentemente de qualquer senso de realidade econômica referente a custos e benefícios.
Muitos desses regulamentos impõem custos (talvez pequenos, mas assim mesmo custos), enquanto não oferecem basicamente nenhum benefício (por exemplo, o material para pouso na água). Os consumidores acham útil usar seus equipamentos eletrônicos, reclinar seus assentos, etc. Os regulamentos, porém, são escritos como se a segurança (real ou imaginária) fosse o único objetivo.
Steven D. Levitt
*Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são autores do livro "Freakonomics: A Rogue Economist Explores the Hidden Side of Everything"