A nova política do Wal-Mart ajudará a prender mais motoristas?Se você é comerciante, não é fácil definir uma política para lidar com os furtos em lojas. Chama a polícia por qualquer pequeno furto, incluindo um menino que põe no bolso uma caixa de lápis? O que faria com uma pessoa da terceira idade que leva algumas baterias? Você trata os que roubam pela primeira vez da mesma maneira que os profissionais?
O Wal-Mart é conhecido há muito tempo por sua política estrita: chamar a polícia quando alguém tenta roubar mercadorias. Mas essa política terminou.
O Wal-Mart, que acredito ser o maior alvo de roubos da história, não vai mais processar pessoas que roubem pela primeira vez, a menos que tenham de 18 a 65 anos e roubem algo de valor acima de US$ 25. Essa mudança coloca o Wal-Mart na mesma linha de outras redes de lojas.
Por que a mudança? Até agora o Wal-Mart tinha uma enorme preferência pela política de tolerância zero. Mas acontece que foi a economia - de seu negócio e de sua política - que causou a mudança. Veja como "The New York Times" explicou o fato: "J.P. Suarez, encarregado de avaliação de proteção no Wal-Mart, disse que não é mais eficaz processar ladrões menores. 'Se vou pagar a alguém US$ 12 por hora para processar um furto de US$ 5, simplesmente perco dinheiro', ele diz. 'Também perco o tempo de pegar alguém que rouba US$ 100 ou um grupo organizado que rouba US$ 3 mil'."
Embora a reportagem não diga exatamente isso, porém, suponho que o Wal-Mart mudou sua conduta devido à pressão do departamento de polícia. O "Times" cita Don Zofchak, chefe de polícia em South Strabane Township, Pensilvânia, que disse que o Wal-Mart "mandava prender alguém por roubar um par de meias. Creio que estávamos gastando uma quantidade de tempo excessivo simplesmente em relação ao Wal-Mart".
Não me surpreenderia que a polícia de muitas cidades pequenas e áreas rurais tenha deixado de atender aos chamados diários do Wal-Mart para que fosse buscar seus pequenos ladrões.
Durante anos o Wal-Mart recebeu duras críticas por diversas razões - incluindo, por exemplo, o fato de seus empregados, que são mal pagos, também receberem assistência pública. Isso levou muitos críticos a dizer que na realidade o governo americano subsidia os negócios do Wal-Mart.
Posso imaginar que sua antiga política em relação aos furtos tenha provocado críticas mais prejudiciais - que o Wal-Mart transformou a polícia em uma de suas filiais, impedindo-a de se dedicar a suas verdadeiras funções.
O Wal-Mart é famoso pela forma como protege seus dados, e tenho certeza de que não divulgará muita coisa sobre o funcionamento de sua nova política.
(Por exemplo, a matéria do "New York Times" se baseou em documentos internos vazados para o jornal pelo WakeUpWal-Mart.com, "um grupo apoiado pelos sindicatos que tentam organizar os trabalhadores do Wal-Mart nos EUA").
Mas se alguém pode determinar exatamente como e quando cada loja Wal-Mart muda sua política sobre furtos, seria realmente interessante ver que outra coisa acabará fazendo a polícia desses lugares: mais detenções por dirigir embriagado, por abuso doméstico ou tráfico de drogas?
Stephen J. Dubner
Quanto custa uma conexão de Internet sem-fio em um hotel Hyatt?A resposta, aparentemente, depende de em que parte do hotel você está.
No saguão, um passe para usar a conexão sem-fio da Internet por um dia custa US$ 10,95. Não é barato, mas é um padrão para os hotéis de categoria. Mas no salão de baile principal a história é muito diferente. Um passe para a Internet custa US$ 300.
Os economistas têm um nome para isso: "discriminação em preços".
Significa que a empresa cobra preços diferentes pelo mesmo produto de clientes diferentes. Tomem nota de que, apesar de usar a palavra "discriminação", os economistas não estão pensando necessariamente na discriminação em preços como algo ruim - é só um método de as firmas obterem mais de seus clientes.
Se você é um consumidor de quem cobram o preço menor, deve ficar contente por existir a discriminação em preços. De outro modo, se houvesse somente um preço, provavelmente seria maior que o preço mais barato quando há dois preços.
A idéia por trás dessa estrutura de preços, estou certo, é que os indivíduos são os compradores principais no saguão e que as empresas que realizam reuniões são as principais compradoras nos salões de baile. As empresas têm demanda não-elástica. Portanto, pagarão o preço alto de maneira freqüente, mesmo que seja para servir a poucos clientes que oferecem altos lucros.
Mesmo assim, pergunto-me se a má vontade que o preço alto gera tem valor em longo prazo. A discriminação em preços está em toda parte, mas muito raramente vi uma firma tão descarada quanto o Hyatt. Os preços são um setor estudado de maneira insuficiente pelos economistas. Creio que é necessário um grande trabalho para entender como as firmas decidem que preços escolher e se esses preços são os "corretos".
Steven D. Levitt
Impossível abandonar o BlackberryÉ uma desgraça conhecida: papai e mamãe na praia, com os meninos arrastados, brigando para ler a tela do Blackberry sob o brilho do sol e depois digitando uma resposta com os dedos cheios de areia.
Aparentemente o hotel Sheraton Chicago entende bem essa desgraça - e se oferece para confiscar o Blackberry do cliente no momento da chegada e devolvê-lo quando terminarem as férias. É algo parecido com fechar sua geladeira com fita adesiva quando você começa uma dieta...
Em outra miscelânea: um artigo no "New York Times" discutiu o problema das reuniões de negócios - por exemplo, a perda de tempo e a produção escassa - e divulgou um dado surpreendente: as mulheres passam somente 2,28 horas por semana em reuniões, comparadas com as 4,34 horas que os homens passam.
Pessoalmente, eu detesto reuniões. Um dos motivos pelos quais deixei meu emprego no "New York Times" depois de cinco anos foi porque, apesar de muito admirar e desfrutar as pessoas nas reuniões, era muito difícil conseguir que se fizesse realmente algum trabalho.
Algumas vezes eu olhava ao redor, havia 20 pessoas talentosas gastando uma hora propondo idéias, das quais talvez 2% fossem factíveis. Enquanto isso, lamentava as 20 horas perdidas que poderiam ter sido empregadas em trabalhos mais frutíferos.
Stephen J. Dubner
Você nunca sabe quem pode conhecer onlineEstou jogando pôquer online, e um dos jogadores na minha mesa tem o pseudônimo de "NoLimitFreak" [Maluco sem limites].
Numa das primeiras mãos que ele joga, na rodada final de apostas, eu faço uma grande oferta. Ele responde elevando ainda mais o valor.
Guarda as cartas e espera. Depois começa a me chamar de "porco" na área onde os jogadores podem conversar. Não tenho idéia do porquê.
Um pouco mais tarde lhe faço uma pergunta: "Ei, NoLimitFreak. Leu o livro 'Freakonomics'?" Ele responde: "Eu o escrevi". E eu escrevo: "Isso é fantástico... Adoro esse livro!"
Ele não responde. Acho escandaloso que o autor de "Freakonomics" ande por aí dizendo a alguém que é um "porco".
Steven D. Levitt
*Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são autores do livro "Freakonomics: A Rogue Economist Explores the Hidden Side of Everything"