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Freakonomics

17/04/2008
Freakonomics.com: enfrentando a gravidez e outras turbulências

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Medicina e estatísticas não se misturam
Alguns amigos meus estavam recentemente tentando engravidar com a ajuda de um tratamento de fertilidade.

A um grande custo financeiro, sem contar a dor e inconveniência, seis óvulos foram removidos e fertilizados. Estes seis embriões foram então submetidos ao Diagnóstico Genético Pré-Implante (PGD, na sigla em inglês), um processo que sozinho custou US$ 5 mil.

Os resultados obtidos com o PGD foram desastrosos.

Quatro dos embriões foram considerados completamente inviáveis. Os outros dois embriões careciam de genes ou seqüências de DNA críticas, que sugeriam que o implante levaria ou a um aborto espontâneo ou a um bebê com terríveis defeitos de nascença.

O único fio de esperança neste resultado terrível: o resultado de que os dois últimos embriões tinham uma chance de 1 em 10 de serem viáveis.

Então o laboratório realizou um novo teste. Novamente os resultados apontaram que seqüências críticas de DNA estavam faltando. O laboratório disse aos meus amigos que não passar duas vezes no teste deixava uma chance de apenas 1 em 100 de cada um dos dois embriões serem viáveis.

Meus amigos -seja por serem otimistas, tolos ou talvez por saberem muito mais sobre estatísticas do que as pessoas que realizaram os testes- decidiram ir em frente e gastaram muito mais dinheiro para que estes embriões quase certamente inúteis fossem ainda assim implantados.

Nove meses depois, fico feliz em relatar que eles tiveram gêmeos belos e perfeitamente saudáveis.

As chances disto acontecer, segundo o laboratório, eram de 1 em 10 mil. Então o que aconteceu? Foi um milagre? Eu suspeito que não.

Sem saber nada sobre o teste, meu palpite é de que os resultados do teste estão correlacionados positivamente -em outras palavras, determinar que um certo número de embriões em um conjunto é inviável levanta a chance de que os demais são viáveis. Este é certamente o caso quando o teste é realizado duas vezes no mesmo embrião, mas provavelmente também vale de forma geral para embriões do mesmo conjunto.

Mas os médicos interpretaram os resultados do teste como se não fossem correlacionados, ou como se a inviabilidade determinada de um embrião não afetasse as chances dos outros embriões no mesmo conjunto serem viáveis. Isto os levou a serem pessimistas demais.

Na verdade, as chances certas poderiam ser tão altas quanto 1 em 10, ou talvez algo como 1 em 30. (Ou talvez todo o teste seja apenas uma tolice e as chances eram de 90%!)

De qualquer forma, este é apenas o mais recente exemplo para eu nunca realmente confiar nas estatísticas que recebo das pessoas do campo da medicina.

Steven D. Levitt

A depressão reduz as taxas de aborto?
Sexo é um notório bálsamo para a depressão. Mas a gravidez preenche o mesmo papel? Um recente estudo de uma universidade australiana pode fornecer algumas pistas.

Uma equipe de pesquisa da Universidade de Newcastle descobriu que 1 em cada 10 mães australianas sofre de depressão pós-parto (e é provável que uma mulher também teve depressão pré-parto).

Ao mesmo tempo, novos dados do Estudo Longitudinal Australiano de Saúde e Relacionamentos mostram uma redução dramática nos índices de aborto na Austrália e um aumento do índice de natalidade.

Julia Shelley, da Universidade Deakin, em Melbourne, cita o maior uso de preservativos e um aumento geral no entusiasmo em criar filhos como uma possível explicação para o menor número de abortos e o maior de nascimentos.

Apesar da gravidez não garantir felicidade, mulheres esperando por um alívio de curto prazo para a depressão poderiam ser parte do motivo para este entusiasmo em dar à luz?

Alguns australianos se importariam em comentar?

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Tempo bom para as seguradoras
Os meteorologistas da Universidade Estadual do Colorado esperam que a temporada de furacões no Atlântico de 2008 será incomumente ativa.

Se isto soa familiar, deveria.

A equipe fez uma previsão semelhante para a temporada de 2007, assim como fez em 2006. Mas ambas as previsões sombrias erraram -2006 e 2007 provaram ser anos relativamente tranqüilos, e os Estados Unidos foram poupados de serem atingidos por um grande furacão por dois anos consecutivos.

Ainda assim, as seguradoras devem estar cruzando os dedos para que a previsão da Universidade Estadual do Colorado esteja correta. No início deste mês, a seguradora britânica Lloyd's notificou que a falta de desastres naturais nos últimos dois anos pressionou as seguradoras a reduzirem seus prêmios -o que por sua vez poderia encolher seus recentes lucros recordes.

Outra temporada tranqüila de furacões poderia também ser um duro golpe aos defensores da teoria de que a mudança climática está alimentando furacões cada vez mais poderosos.

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Tradução: George El Khouri Andolfato

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