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19/05/2009

Líder pró-democracia vai a julgamento em Mianmar

International Herald Tribune
Seth Mydans e Mark McDonald
Em Bancoc
A líder pró-democracia em Mianmar, Daw Aung San Suu Kyi, foi a julgamento em uma audiência basicamente processual, enquanto centenas de policiais e soldados do exército bloqueavam a multidão de manifestantes, segundo relatos de agências de notícias e de grupos de exilados da oposição.

Vários diplomatas estrangeiros também foram impedidos de entrar no tribunal onde Aung San Suu Kyi enfrenta acusações que podem lhe render uma pena de prisão de até cinco anos, segundo os relatos. Um representante da embaixada dos Estados Unidos foi autorizado a entrar, porque outro réu no julgamento é um americano que atravessou um lago a nado no início deste mês e passou a noite na casa de Aung San Suu Kyi.

Apesar do americano, John Yettaw, aparentemente ter agido sem o conhecimento dela, sua aventura levou às acusações de que ela violou os termos de sua prisão domiciliar, que limita seus contatos em 13 dos últimos 19 anos.

O julgamento, com sua origem peculiar, foi a ação mais agressiva nos últimos anos tomada pela junta de governo contra Aung San Suu Kyi, 63 anos, que continua sendo a líder simbólica de uma oposição que continua a ressurgir após repetidas ações repressoras. A maioria dos analistas vê as acusações como um pretexto para prolongar sua pena mais recente de seis anos de prisão domiciliar antes da eleição geral do ano que vem, na qual a junta buscará formalizar o domínio militar sob uma nova Constituição.

Alguns analistas também dizem que as acusações marcaram o início de uma repressão mais ampla contra a dissidência política e pró-democracia antes da eleição.

Apesar do regime ter realizado um expurgo dos ativistas da oposição após o levante liderado pelos monges budistas em 2007, os manifestantes estavam nas ruas de novo na segunda-feira, distribuindo panfletos e desafiando a polícia, os soldados e as milícias civis empunhando varas e bastões de bambu, segundo o Burma Partnership, um grupo de exilados de oposição.

"Devido às medidas de segurança que implantaram, é muito difícil para as pessoas se reunirem para uma grande marcha", disse Khin Ohmar, da Burma Partnership, que disse estar em contato direto com membros da oposição dentro da antiga Birmânia.

Não se sabe quanto tempo durará o julgamento, mas Khin Ohmar disse que as autoridades anunciaram que as ruas ao redor da prisão permaneceriam fechadas por uma semana.

As acusações provocaram ampla condenação da ONU, dos países ocidentais e até mesmo de alguns vizinhos sul-asiáticos de Mianmar, normalmente tolerantes.

Na semana passada, os Estados Unidos, que disseram publicamente estarem revisando uma política linha-dura de sanções econômicas, anunciaram que as sanções seriam prorrogadas por mais um ano. Na segunda-feira, o chefe de política externa da União Europeia, Javier Solana, disse: "Não é o momento de reduzir as sanções, é um momento para aumentá-las".

Entre aqueles que apoiam Aung San Suu Kyi, incluindo os grupos de exilados e os advogados dela, há uma ampla raiva contra o aventureiro americano, por tê-la colocado sob risco de prisão.

Yettaw, de Falcon, Missouri, atravessou a nado o Lago Inya, no centro de Yangun no início deste mês, invadindo à noite a residência à beira do lago de Aung San Suu Kyi. Ele usou recipientes plásticos vazios para ajudá-lo a permanecer à tona enquanto nadava, e usou um par de pés-de-pato improvisados presos aos seus pés, segundo relatos da imprensa oficial de Mianmar.

Ainda não se sabe quais foram os motivos para sua ação, apesar de um diplomata americano ter dito na semana passada que, aparentemente, ele tinha motivações religiosas para tentar visitar a casa. O principal advogado de Aung San Suu Kyi, que chamou Yettaw de "um sujeito maluco" e "um idiota", disse que a líder ganhadora do Nobel pediu para que ele partisse, mas ele se queixou de exaustão e cãibras nas pernas. Ela lhe deu um quarto no térreo enquanto permaneceu em seu quarto no andar de cima.

O governo não permite que Aung San Suu Kyi receba visitantes estrangeiros em sua casa, e mesmo altos diplomatas não têm permissão para visitá-la lá. Quando um ocasional enviado da ONU é autorizado a falar com ela, é na casa de hóspedes do governo em Yangun, a principal cidade do país. Além disso, visitantes são proibidos de pernoitar em sua casa.

Yettaw, um mórmon de 53 anos, teria rezado com frequência enquanto estava na casa dela. Ele teria partido tarde da noite seguinte, mas foi avistado pela polícia enquanto nadava de volta pelo lago.

Ele está enfrentando julgamento juntamente com Aung San Suu Kyi e duas mulheres com as quais ela divide a casa.

*Reportagem de Seth Mydans, em Bancoc, e Mark McDonald, em Hong Kong.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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