A Copa do Mundo da África do Sul, daqui a um ano, talvez ocorra sem Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi nos campos.
Por mais que sejam estrelas, ou os indivíduos mais cobiçados do futebol mundial, o futebol é um jogo de equipe, e as seleções que Ronaldo e Messi representam estão com dificuldades na classificação.
Portugal de Ronaldo está sete pontos atrás da Dinamarca nas classificatórias da Europa. A Argentina de Messi, que perdeu novamente -para o Equador- na quarta-feira (10/6), está lutando para garantir o quarto lugar na maratona classificatória da América do Sul.
É uma situação dramática, no final da cansativa temporada de clubes da Europa, que exaure os principais jogadores. Ronaldo está perturbado com uma contusão e com longas negociações para deixar o Manchester United pelo Real Madrid. Messi parecia cansado contra o Equador -natural para um jogador que acabou de terminar a Liga e a Copa da Espanha, além da Liga dos Campeões com o Barcelona.
Messi não descansa há dois anos, porque ele jogou pela Argentina nas Olimpíadas de Pequim. Se um único momento pudesse resumir seu cansaço, este seria no início do jogo no Equador, quando errou feio um chute contra o gol a apenas seis ou sete metros. Ele estava pálido. Diego Maradona, o novo técnico da seleção argentina, não conseguiu nem olhar. Era uma paródia do maravilhoso jogador que é Messi.
Pior, o goleiro aliviado pelo erro, Marcelo Elizaga, é nascido e criado na Argentina. Elizaga assumiu a nacionalidade equatoriana há dois anos, quando tinha 35. Ele se tornou o goleiro que tirou as melhores chances da Argentina vencer o jogo na quarta-feira em Quito -ao mesmo tempo vilão e herói.
Durante a primeira metade, Elizaga deveria ter sido expulso por uma falta contra Carlos Tévez. Ele recebeu apenas um cartão amarelo e mergulhou para a esquerda para defender o pênalti facilmente previsível de Túvez. Dava para sentir o ânimo da Argentina caindo. A seleção estava com medo de jogar em alta altitude, ainda mais depois de ter sido destruída nas alturas de La Paz contra a Bolívia por 6 a 1 em abril. Isso dito, Maradona foi uma aberração.
A altitude foi um fator, mas a Argentina deveria ter aprendido com ela e se preparado melhor para o Equador.
A derrota de 2 a 0 na quarta-feira sugeriu que a lição não foi completamente absorvida. Os homens de Maradona não são as melhores apostas nas montanhas andinas e, na chuva em Quito, a Argentina sucumbiu aos gols no segundo tempo de Walter Ayovi e Pablo Palácios.
A desculpa da altitude ficou fraca porque a maior parte dos jogadores do Equador mora na Europa. O fator de resistência não deveria ter sido tão pronunciado porque o Equador teve um dia a menos para se aclimatizar e treinar em seu próprio país. Mas os gols de Ayovi e Palácios foram belos e oportunistas. Eles aproveitaram os erros de defesa da Argentina e mandara a bola com incrível força.
Maradona apenas olhava. Suas habilidades instintivas extraordinárias como jogador não o ajudam no banco. Ele muda de tática de um jogo para o outro e muda os jogadores. Ele não tem um verdadeiro líder em campo e parece não ser um gênio na hora de fazer mudanças quando sua equipe precisa.
Em suma, faltando apenas quatro jogos no processo de classificação de dez nações da América do Sul, Maradona e seu país estão ficando sem tempo.
O que eles precisavam na quarta-feira era de alguém como Juan Riquelme, jogador que Maradona não aproveitou e um artista que agora se recusa a jogar para a Argentina. Com seus maravilhosos gols, ele poderia ter tornado perdas em pontos preciosos.
O próximo jogo da Argentina será no Brasil, em setembro. Depois de quarta-feira, quando o Brasil ganhou de virada do Paraguai por 2 a 1, com gols de Robinho e Nilmar, os brasileiros estão no topo do grupo. "Mais uma vitória e estaremos lá", disse seu técnico, Carlos Dunga.
Mais uma derrota e talvez a Argentina não esteja lá. "Dois contra-ataques, e o Equador marcou dois gols", lamentou Maradona. "Mas vendo o esforço que essa seleção fez hoje, vamos nos classificar. Não tenho críticas aos meus jogadores. Eles fizeram tudo o que eu pedi."
Outros talvez perguntem se o fato de um homem ter sido um grande jogador o qualifica para ser bom juiz ou gerenciador da equipe.
A Argentina, contudo, tem técnicos que estão ajudando outros a se classificarem. Marcelo Bielsa é um deles. Ele foi técnico da seleção Argentina, mas esta fracassou na Copa de 2002. Agora Bielsa treina o time do Chile, que na quarta-feira derrotou a Bolívia em Santiago. "Como o público, temos sonhos e objetivos claros", disse Bielsa após a vitória de 4 a 0.
"O futebol, porém, é tão cheio de surpresas que nunca é uma boa idéia prenunciar algo que ainda não aconteceu". Bielsa ficou conhecido como El Loco na Argentina por sua forma circunspecta de dizer as coisas.
Tendo derrotado o Paraguai e a Bolívia nesta semana, os chilenos estão em segundo lugar atrás do Brasil na tabela de pontos e a caminho da Copa pela primeira vez desde 1998.
Ainda nas Américas, o desespero de 109 milhões de mexicanos suavizou-se levemente. A incapacidade do México de vencer encurtou a vida do experimento com o técnico sueco Sven-Goran Eriksson no leme. Ele foi pago para ir embora, e Javier Aguirre, mexicano que compreende melhor a mente mexicana, foi nomeado técnico novamente, papel que desempenhou em 2002.
Até o presidente do México, Felipe Calderón, apareceu no treino para animar os jogadores -o que não funcionou no último final de semana, quando o México perdeu por 2 a 1 em El Salvador.
Entretanto, no estádio Azteca da Cidade do México, com sua própria torcida, o México virou a curva na quarta-feira. Verdade, uma vitória de 2 a 1 contra Trinidad e Tobago não é nada além do mínimo para um país de futebol vasto e tradicional contra uma ilha mais conhecida por seu críquete.
Contudo, o melhor jogador no México e um dos melhores da liga do futebol nos EUA na qual joga para o Chicago Fire, Cuauhtémoc Blanco saiu da aposentadoria. Com 36 anos, ele criou suficientes chances para o México vencer. A maior parte delas foram erraticamente perdidas, e a multidão não aplaudiu no final. Aguirre admitiu: "Os torcedores estão certos em ficarem com raiva. Mas os jogadores estão ainda mais desapontados. Está matando eles por dentro."
A suspeita é que o México vai precisar se arriscar no dia 12 de agosto, quando os EUA visitarem o estádio Azteca.
Tradução de Deborah Weinberg