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17/06/2009

China testa seu poder de influência em várias frentes

International Herald Tribune
Philip Bowring
Em Hong Kong
A China está testando sua influência em todas as direções, tentando equilibrar sua necessidade de ser vista como uma agente global justa com seus instintos nacionalistas, equilibrar um internacionalismo genuíno com a paranoia que ocorre naturalmente em um sistema político fechado.

Nesta semana, o foco foi a cidade de Yekaterinburg, nos Urais, sede do primeiro encontro oficial dos países Bric - a sigla inventada pelo Goldman Sachs para o grupo composto pelos quatro maiores mercados emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China. Se o encontro mostrou algo é que os interesses econômicos estratégicos deles são muito diferentes, apesar de ocorrerem alianças táticas.

A única coisa em que pareceram concordar foi que independente de quanto gostariam de reduzir o papel do dólar no sistema financeiro internacional, fazê-lo é outra história. No final o Bric se mostrou mais um slogan de vendedor de ações do que um grupo coerente. A China continuará participando se os outros quiserem, mas ela nutre poucas ilusões a respeito do Bric.

Em seguida, também em Yekaterinburg, ocorreu o encontro anual da Organização de Cooperação de Xangai, que reune a China, Rússia e as repúblicas centro-asiáticas, com a Índia, Paquistão e Irã como observadores. Fundada para contrabalançar a influência tanto americana quanto do Islã radical na região, ela é vista publicamente como um exemplo de cooperação sino-russa.

Na prática, entretanto, sua relevância pode estar diminuindo. Os Estados Unidos perderam influência na Ásia Central; a rivalidade sino-russa por influência na região está mais clara do que nunca; e há mais preocupação do que raiva com a situação difícil dos norte-americanos no Afeganistão e Paquistão. E todos suspeitam da combinação no Irã de nacionalismo teocrático com disputas de poder internas.

Mais importante do que estas festas de conversa para a China e os Estados Unidos são os confrontos menores que têm ocorrido no Mar do Sul da China. Em março, os Estados Unidos se queixaram de uma embarcação desarmada ter sido molestada em águas internacionais, porém dentro da zona econômica exclusiva da China. Os Estados Unidos alegaram direito de "trânsito inocente"; os chineses alegaram que o navio estava interferindo em seus direitos econômicos.

Em outro encontro na semana passada, um submarino chinês atingiu um dispositivo de sonar sendo rebocado por um navio americano perto da base naval da Baía de Subic, mas fora das águas territoriais das Filipinas, onde participava de exercícios conjuntos. Os Estados Unidos optaram por minimizar o incidente como sendo um "encontro inadvertido", mas novamente serviu como aviso da meta de longo prazo da China de tornar o Mar do Sul da China em um lago chinês.

O incidente gerou respostas ambíguas nas Filipinas, o que resume o dilema entre os pequenos vizinhos da China, sobre como responder ao seu poder e capacidade de fazer valer suas reivindicações territoriais. Algumas vozes filipinas pediram por um fortalecimento de suas próprias defesas e da aliança com os Estados Unidos e Japão. Outros sugeriram que seu Acordo de Forças Visitantes, sob o qual ocorriam os exercícios, era uma provocação desnecessária à China.

Na frente econômica, a China está tendo que enfrentar a dura realidade da limitação de seu poder de compra e dinheiro no mercado internacional, como no exemplo do fracasso da oferta da estatal Chinalco para aquisição de uma grande participação acionária na gigante de mineração Rio Tinto.

Em vez de conseguir influência na terceira produtora de minério de ferro do mundo, a China, como maior cliente, agora se vê enfrentando dois grupos que dominam o comércio global de minério de ferro - uma nova aliança entre a Rio Tinto e a mineradora anglo-australiana BHP-Billiton, e a Vale do Brasil. Os brasileiros dificilmente entrarão em uma guerra de preços com os australianos em prol de sua parceira de Bric.

Apesar das salas de bate-papo chinesas na internet estarem repletas de ressentimento nacionalista pela rejeição da Chinalco, Pequim aceitou a notícia calmamente, reconhecendo que suas empresas frequentemente estão mal equipadas para grandes incursões internacionais. Entretanto, ela ameaça contestar a aliança Rio-BHP com base em monopólio. A China mereceria apoio neste sentido, mas é por sua própria preferência que oligopólios estatais controlam a economia.

A China está descobrindo que as políticas doméstica e internacional para questões de concorrência e propriedade não podem mais ser separadas.

*Philip Bowring é um colaborador frequente da seção Opinião do "The International Herald Tribune"

Tradução: George El Khouri Andolfato

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