O mundo está no meio de múltiplas crises. Alimentos. Combustíveis. Gripe. Finanças. Nós estamos lutando para superar a pior crise econômica e financeira global desde a fundação da Organização das Nações Unidas, enquanto os efeitos da mudança climática e da pobreza extrema se tornam cada vez mais graves.
O verdadeiro impacto da crise poderá durar anos. Milhões de famílias a mais estão sendo lançadas na pobreza. Cerca de 50 milhões de empregos foram perdidos apenas neste ano.
Este é o pano de fundo para o encontro do Grupo dos 8 na Itália, na próxima semana. Raramente os líderes dos países mais ricos do mundo se reuniram em um momento de tamanho peso como este.
Nós precisamos de solidariedade internacional. É por esse motivo que tenho falado consistentemente sobre as necessidades dos vulneráveis -aqueles menos responsáveis pela crise e com menor capacidade para responder a ela.
Houve progresso. Antes do encontro do G20 em Londres, em abril, eu pedi por um pacote de estímulo realmente global. O G20 concordou com um pacote substancial de apoio financeiro, totalizando US$ 1 trilhão, grande parte dele disponibilizado por meio do Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e outras agências de desenvolvimento multilaterais.
Isso é apenas um começo. Nos próximos meses, nós teremos várias oportunidades para fortalecer o crescimento global, atenuar a mudança climática e combater a pobreza extrema.
Eu acabei de enviar uma carta aos líderes do G8 pedindo compromissos concretos e ações específicas para renovar nossa determinação. Eu acentuo a necessidade da disponibilização de recursos para ajudar os mais pobres e vulneráveis a se adaptarem à mudança climática e para fechar um acordo em Copenhague em dezembro. Eu ressalto a importância de cumprir as promessas de ajuda para cumprir as Metas de Desenvolvimento do Milênio.
Eu apresento três áreas específicas de ação:
Primeiro, nós devemos mobilizar nossa força plena para melhorar os dados em tempo real sobre o impacto da crise econômica sobre os países mais pobres.
Nós conhecemos o grande quadro: países com baixas reservas financeiras; países que enfrentam encolhimento do investimento estrangeiro, remessas de dinheiro e ajuda; países onde caiu a demanda pelas exportações. Mas precisamos de uma lente mais aguçada, com melhor resolução.
Eu estou orientando os recursos da ONU para monitorar o impacto da crise em tempo real. Nós lançaremos o Sistema de Alerta Global de Impacto e Vulnerabilidade nos próximos meses. Também estou mobilizando todo o sistema da ONU para apoiar os países na segurança alimentar, comércio, uma economia mais verde, redes de segurança mais fortes e um pacto global de empregos. A criação de empregos decentes não é apenas um resultado esperado da recuperação econômica. Ela é um ingrediente essencial para a recuperação econômica.
Segundo, nós devemos manter os compromissos globais de ajudar homens e mulheres a passarem da vulnerabilidade para a oportunidade.
Em crises econômicas anteriores, a ajuda foi cortada no momento em que era mais necessária. A crise atual não pode servir como desculpa para abandonar as promessas. Aqui está um exemplo. Segundo algumas estimativas, a ajuda anual à África está pelo menos US$ 20 bilhões abaixo das promessas feitas em Gleneagles em 2005. Mas se o mundo pode mobilizar mais de US$ 18 trilhões para manter o setor financeiro à tona, ele pode encontrar mais que US$ 18 bilhões para cumprir seus compromissos com a África.
A evidência nos mostra precisamente onde mais recursos podem transformar vidas, aumentar as possibilidades e expandir o potencial humano. Isso pode ser feito ajudando os agricultores de subsistência a aumentar a produtividade, ter acesso aos mercados e melhorar a segurança alimentar; financiando acesso universal ao ensino primário; investindo na saúde global e na saúde maternal; e ajudando os países em desenvolvimento a promoverem energia mais limpa e empregos mais verdes.
Terceiro, nós temos que trabalhar para reformar as instituições internacionais para o século 21. As estruturas multilaterais criadas há gerações devem se tornar mais responsáveis, mais representativas e mais eficazes.
A crise econômica global mostra por que precisamos de um multilateralismo renovado. Nós sabemos que sem a regulamentação adequada, uma ruptura em uma parte do sistema causa repercussões profundas em toda parte. Os desafios estão interligados. Nossas soluções também precisam ser.
Tradução: George El Khouri Andolfato