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07/10/2009

Plano da União Europeia para redução de dióxido de carbono favorecerá energia solar

International Herald Tribune
James Kanter, em Bruxelas
A Comissão Europeia deverá criar um plano para a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa que destinará as maiores parcelas dos 50 bilhões de euros (R$ 128,7 bilhões) para pesquisas e desenvolvimento no setor de energia solar e a captura e armazenamento subterrâneo das emissões derivadas de usinas termoelétricas movidas a carvão.

Parte do objetivo do plano, que deverá ser divulgado nesta quarta-feira (07), é demonstrar que a União Europeia está tomando medidas adicionais necessárias para que se atinjam metas ambiciosas de redução de gases de efeito estufa antes da reunião de cúpula em Copenhague, em dezembro deste ano, durante a qual será discutido um novo acordo global para conter a alteração climática.
  • Jose Manuel Ribeiro/Reuters - 27.mar.2007

    Planta de energia solar em Serpa, Portugal. A Comissão Europeia deverá criar um plano para a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa que destinará as maiores parcelas dos 50 bilhões de euros (R$ 128,7 bilhões) para investir em pesquisas e tecnologias de energia solar



Mas o plano também indica a necessidade de reordenamento das prioridades industriais do bloco europeu, ao exigir que os governos invistam quantias significativamente maiores em energia limpa, mesmo que o mundo esteja emergindo de uma profunda crise financeira.

"É improvável que os mercados e as companhias de energia agindo por conta própria sejam capazes de apresentar as inovações tecnológicas necessárias em um período relativamente curto para que possam ser atendidas as metas de política energética e climática da União Europeia", afirmou a comissão em uma minuta do plano obtida pelo "International Herald Tribune".

A introdução de tecnologias de baixa emissão de carbono também "representa um grande desafio no contexto da crise financeira, onde a aversão aos riscos é elevada e os investimentos em tecnologias novas e arriscadas não se encontram no topo da lista de prioridades dos investidores", disse a comissão no documento.

Durante uma reunião na quarta-feira, os comissários da União Europeia deverão procurar chegar a um acordo sobre as cifras finais a serem destinadas às indústrias de energia com baixa emissão de carbono. A recomendação é da Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia.

O plano está em um estágio inicial de desenvolvimento, especialmente porque os governos ainda precisarão concordar com o seu financiamento. O bloco, composto de 27 países, já adota um dispendioso sistema de limites e comércio de emissões para regulamentar os gases causadores do efeito estufa, e alguns países também cobram taxas sobre as emissões de dióxido de carbono associadas ao aquecimento de residências e ao uso de automóveis.

Segundo o plano, o setor de energia solar receberia a maior quantia, de 16 bilhões de euros (R$ 23,5 bilhões, R$ 41,14 bilhões) no decorrer da próxima década.

Ao destinar a segunda maior quantia, de 13 bilhões de euros (R$ 33,5 bilhões), à captura de carbono e armazenagem de emissões de causes causadores do efeito estufa, a comissão disse que o seu objetivo é tornar a tecnologia comercialmente viável em todas as usinas geradoras de eletricidade que entrarão em operação após 2020.

Uma outra proposta vencedora nesta minuta de plano será a iniciativa de "Cidades Inteligentes", focada no aumento da eficiência urbana. O documento prevê a alocação de 11 bilhões de euros (R$ 28,3 bilhões) para o desenvolvimento de uma nova geração de prédios e sistemas de transporte. Ele alocaria ainda 9 bilhões de euros (R$ 23,15 bilhões) para as indústrias de bioenergia que produzem eletricidade ou combustíveis a partir de plantas ou resíduos orgânicos.

Segundo a comissão, a destinação de 7 bilhões de euros (R$ 18 bilhões) para o desenvolvimento da fissão nuclear ajudaria a melhorar a segurança dos reatores, a produzir menos lixo radioativo, a minimizar a proliferação e a ampliar a gama de utilidades das usinas nucleares.

Christian Kjaer, diretor executivo da Associação Europeia de Energia Eólica, diz que o financiamento proposto para o setor eólico representa "um valor imbatível em relação ao dinheiro investido" porque a tecnologia já está comercialmente disponível e poderia produzir eletricidade de maneira confiável e reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.

Mas Kjaer questionou a decisão de se destinar significativamente mais dinheiro à energia nuclear e às tecnologias para a captura de carbono do que à energia eólica, à qual seriam destinados 6 bilhões de euros (R$ 15,44 bilhões).

Os defensores dos projetos de captura de carbono afirmam que a fatia relativamente grande que receberam do total investido é necessária para que a Europa atinja as suas metas e continue competitiva.

A queima de carvão e gás ainda responde por 40% da geração de energia do bloco europeu e "outros países não ficaram parados e atualmente estão emparelhados conosco, ou até à nossa frente, no que se refere a instituir transparência regulatória, financeira e legal" para a captura de carbono, afirma Eric Drosin, diretor de comunicação da Zero Emissions Platform. Este grupo tecnológico representa várias companhias, entre as quais estão a Royal Dutch Shell e a Vattenfall, e grupos ambientalistas como o World Wide Fund for Nature (WWF).

Drosin afirma que os Estados Unidos, a Austrália e o Canadá já estão concedendo vários bilhões de dólares em financiamento e isenções fiscais aos projetos para a captura de emissões de carbono.

A comissão diz que, segundo o plano, os investimentos terão que aumentar de 3 bilhões de euros (R$ 7,7 bilhões) anuais para 8 bilhões de euros (R$ 20,6 bilhões) para o desenvolvimento de tecnologias. A comissão informou ainda que isso representa um investimento adicional de fontes públicas e privadas de 50 bilhões de euros (R$ 128,7 bilhões) no decorrer dos próximos dez anos.

Tradução: UOL

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