O presidente Obama tem tantos assuntos para discutir com a China que o valor do yuan está bem abaixo na sua lista de prioridades, antes dos dois encontros em novembro com o presidente Hu Jintao, um na China, outro em Cingapura. Meio ambiente, disputas comerciais e as ambições nucleares da Coreia do Norte e do Irã claramente têm prioridade. Mas para grande parte do mundo, o quase atrelamento pela China de sua moeda ao dólar está criando tensões crescentes.
De fato, a insistência de Pequim em manter o alinhamento do yuan a um dólar em desvalorização está sendo fortalecida pelos comentários xenófobos na imprensa chinesa. A noção de que Pequim tem responsabilidades reais para com o sistema de comércio internacional, ao permitir que sua moeda se ajuste e liberar sua conta de capital como todos os demais grandes agentes nas finanças globais, pode ser aceito por muitos acadêmicos e altos funcionários. Mas continua sendo um conceito difícil de aceitar por uma liderança política estimulada pelo sucesso econômico e 60 anos de domínio do Partido Comunista.
É natural que o dólar seja fraco. O valor da moeda faz parte da solução para os desequilíbrios comerciais globais. Para os Estados Unidos, a redução em quase pela metade de seu déficit desde seu pico há dois anos se deve em parte a uma queda de 15% no valor do dólar em termos ponderados pelo comércio e em parte pela queda no consumo enquanto os lares americanos passaram a poupar de novo. Os Estados Unidos não precisam se preocupar agora a respeito do dólar franco tanto quanto o presidente Nixon fez em 1971. Esse é um problema dos outros.
Naturalmente, grande parte da pressão causada pela desvalorização do dólar foi sentida pelo euro e pelo iene, as outras duas moedas de reserva significativas. O euro e o iene agora estão cerca de 25% acima dos níveis de dois anos atrás. Mas isso por si só está provocando tensões adicionais, particularmente na Ásia dependente do comércio.
A Europa está começando a reclamar em voz alta de que a valorização excessiva não está prejudicando apenas seu comércio com os Estados Unidos, mas tornando mais predatórios os preços estabelecidos em moedas atreladas ao dólar, notadamente a da China. Ela viu uma queda menor nas exportações aos Estados Unidos do que a maioria dos países e continua a ganhar fatia de mercado em outras partes.
O Japão evitou até agora esforços diretos para deter a valorização do iene. Seu novo governo busca encontrar formas de estimular o consumo e os preços mais baixos dos importados pode ser uma forma de fazer isso. Apesar do ministro das Finanças, Hirohisa Fujii, apoiar um iene forte, até mesmo ele está falando agora sobre a necessidade de uma estabilidade cambial.
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As moedas de outros países asiáticos desenvolvidos, como o tradicionalmente forte won sul-coreano e o dólar de Cingapura, estão enfrentando pressões de alta em consequência da fraqueza do dólar. O mesmo acontece com as moedas indonésia e indiana, assim como as da Tailândia e Malásia. Todos estão começando a se queixar e a fazer o que podem para deter a valorização de suas moedas, não tanto porque suas exportações aos Estados Unidos estão mais prejudicadas do que as dos outros países, mas porque a China agora é uma concorrente global para muitos de suas indústrias exportadoras. No caso da Índia, Nova Déli tem promovido uma série de restrições comerciais de emergência voltadas especificamente contra os produtos chineses. Essas ações provavelmente se espalharão pelo Leste e Sudeste Asiático se as questões cambiais não forem solucionadas.
O dólar pode estar fraco, mas os bancos centrais em todos esses países asiáticos continuaram a comprá-lo para impedir que suas moedas se valorizem demais. Algumas até mesmo usaram empresas estatais para ocultar a compra de dólares. Tudo isso vai contra o que o Fundo Monetário Internacional pensa que devia estar acontecendo aos valores das moedas. Mesmo o Banco de Desenvolvimento Asiático, não conhecido por se meter em assuntos controversos, tem pedido por um ajuste cambial de uma forma que estimule o consumo, notadamente na China, tornando mais fácil a cooperação do comércio.
Algumas indústrias manufatureiras da Ásia se beneficiam com o yuan fraco, porque a China é a montadora final de produtos de alto valor agregado produzidos em outras partes e no final destinados ao Ocidente. Mas as dinâmicas regionais estão mudando enquanto a China sobe na cadeia de valor agregado, tornando-se uma concorrente em muitos setores.
Esquemas grandiosos para cooperação regional asiática, completos com pactos de livre comércio e acordos de estabilização da moeda são todos ótimos no papel. Mas a realidade é muito diferente - e permanecerá assim até que a China pare de acreditar que um valor da moeda artificialmente deprimido, danificando as relações com os vizinhos e com o Ocidente, contribuirá muito para resolver seus problemas de desemprego.
Tradução: George El Khouri Andolfato