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15/10/2009

Agência de energia aprofundará laços com gigantes emergentes

International Herald Tribune
Matthew Saltmarsh
Em Paris (França)
A Agência Internacional de Energia (AIE), um fórum para as economias desenvolvidas, anunciou uma série de passos na quarta-feira para aprofundar a cooperação com três países de crescente importância para o mercado global de energia: Rússia, China e Índia.

As iniciativas foram decididas no encontro semestral dos ministros de Energia que ocorreu aqui, onde as autoridades também analisaram o progresso nas negociações para redução das emissões de carbono, antes do encontro de cúpula para mudança climática que ocorrerá em Copenhague, em dezembro, assim como as tendências nos preços de energia.
  • Reuters - 22.abr.2008

    Operário em mina de carvão descansa tomando cerveja, em Changzhi, na China. A Agência Internacional de Energia quer estabelecer uma "linha direta" com o país no compartilhamento
    de informação sobre energia limpa e iniciativas para trabalhar com Pequim em carvão limpo

Os passos - anunciados em três declarações conjuntas pela AIE e pelos países - se concentram no aprofundamento da colaboração em segurança da energia, estatísticas, eficiência e tecnologia de redução de emissões.

"Nós chegamos a novas altitudes em nossa cooperação", disse Nobuo Tanaka, diretor executivo da agência de energia. "Este grau de engajamento com países parceiros é sem precedente. É um verdadeiro passo à frente."

Entre as medidas anunciadas estavam o envolvimento dos três países em certos comitês da AIE, o estabelecimento de uma "linha direta" oficial com a China no compartilhamento de informação sobre energia, e iniciativas para trabalhar com Pequim em carvão limpo e para melhorar as estatísticas de energia.

Com a Índia, a AIE estabelecerá um comitê de 30 membros para ajudar a desenvolver tecnologia verde de energia, enquanto ela realizará um levantamento do setor de energia russo para ajudar Moscou a atingir suas metas de redução de emissões.

Sob os auspícios da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a AIE reúne 28 países industrializados, concentrando-se em fornecer dados e previsões sobre oferta e demanda. Formada em 1974, no rastro da crise do petróleo de 1972-1973, ela também tem uma dimensão estratégica, concordando em medidas conjuntas para atender as emergências na oferta de petróleo.

Mas dadas as recentes tendências nos mercados de energia -particularmente a ascensão da Rússia como maior exportadora de energia e a China como segunda maior consumidora, atrás dos Estados Unidos - a estrutura da entidade começou a parecer fora de sintonia com a realidade.

Leo Drollas, o economista-chefe do Centro para Estudos Globais de Energia, com sede em Londres, disse que será difícil para a AIE aprofundar a cooperação estratégica com os três países.

"Se isso melhorar a coleta de dados, será uma coisa boa", ele disse. "Mas é difícil ver como esses países poderiam se subordinar de alguma forma a uma agência internacional."

A estrutura do diálogo econômico internacional começou recentemente a mudar para refletir a mudança da paisagem. No mês passado, líderes globais concordaram que o G 20, que inclui economias emergentes assim como as desenvolvidas, se tornaria o principal fórum para coordenação das políticas, acima do grupo dos sete principais países industrializados.

A OCDE deu início ao que chama de "engajamento ampliado" com o Brasil, China, África do Sul, Índia e Indonésia, com esses países participando de alguns de seus grupos de trabalho. A Rússia iniciou formalmente conversações para ingressar neste ano, apesar das conversações estarem progredindo lentamente.
  • Emmanuel Dunand/AFP - 26.jan.2004

    Militar indiano posa ao lado de míssil nuclear durante desfile em Nova Déli. Com a Índia, a AIE estabelecerá um comitê de 30 membros para ajudar a desenvolver tecnologia verde de energia



Separadamente, Tanaka disse que era cedo demais para especular a respeito do nível de sucesso das negociações sobre a mudança climática em Copenhague.

"Geralmente, o resultado real das negociações surge no último minuto, então não sabemos", ele disse. "Nós sentimos que esta crise econômica fornece uma janela de oportunidade para buscarmos uma conclusão bem-sucedida em Copenhague."

Marie van der Hoeven, a ministra dos assuntos econômicos holandesa que preside as reuniões, acrescentou: "Se os Estados Unidos não estiverem envolvidos nos resultados de Copenhague, então teremos um problema".

O dr. Steven Chu, o secretário de Energia dos Estados Unidos, disse aos repórteres que estava "muito esperançoso de que Copenhague, as coisas antes de Copenhague e as coisas após Copenhague, levarão o mundo o mais rápido possível" para uma economia de baixo carbono. Ele também citou "sinais muito encorajadores" a respeito de um projeto de lei sobre mudança climática e energia que está tramitando no Congresso americano.

Washington anunciou planos para investir US$ 80 bilhões em energia renovável e eficiência em energia, infra-estrutura e pesquisa. Chu disse que também espera poder anunciar "muito em breve" detalhes sobre garantias de empréstimo para uma retomada da indústria nuclear americana.

"O que estamos tentando fazer é ter um portfólio equilibrado", ele disse. Segundo ele, os investimentos em energia renovável devem vir de forma constante, comedida, em vez de vir de uma reação impulsiva ao aumento do preço do petróleo e outras formas de energia.

Nas reuniões, algumas autoridades também expressaram desconforto com o preço do óleo cru. "O rápido aumento do preço é certamente uma preocupação", disse Tanaka. A AIE disse na semana passada, em um relatório mensal, que aumentou sua estimativa para o crescimento da demanda global de petróleo em 2010 para 1,42 milhão de barris por dia, um aumento de 150 mil barris por dia em comparação à projeção anterior.

O economista-chefe da AIE, Fatih Birol, alertou que os preços altos do petróleo "poderiam estrangular a recuperação econômica". O óleo cru foi negociado a US$ 75 o barril na quarta-feira, após cair para US$ 33 em dezembro.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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