Roman Polanski poderá retornar aos Estados Unidos para responder às acusações contra ele, após um tribunal suíço ter rejeitado sua apelação para ser transferido da cadeia para prisão domiciliar, segundo um de seus advogados franceses.
Pela primeira vez, um dos advogados de Polanski, Georges Kiejman, expôs na quarta-feira a ideia de um possível retorno, em uma entrevista para a emissora de rádio "Europe 1". "Se este processo se arrastar, não é completamente impossível que Roman Polanski opte por finalmente se explicar nos Estados Unidos, onde existem argumentos a seu favor", ele disse.
Um dia antes, Hervé Temime, outro advogado francês de Polanski, levantou a ideia de apelar da decisão suíça de lhe negar a concessão de prisão domiciliar, o que está mantendo Polanski atrás das grades, mas então disse em uma mensagem por e-mail que a equipe legal estava simplesmente estudando a mais recente decisão antes de tomar uma decisão.
Polanski, o diretor vencedor do Oscar que possui dupla cidadania, francesa e polonesa, está na cadeia desde sua prisão na Suíça em 26 de setembro, lutando para combater os pedidos de extradição para os Estados Unidos para enfrentar um julgamento por ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos em 1977.
Ele fugiu dos Estados Unidos em 1978, antes de ser sentenciado. Até quarta-feira, sua equipe legal vinha resistindo a qualquer sugestão de que ele estaria disposto a voltar para enfrentar a Justiça.
Um tribunal suíço rejeitou na terça-feira o pedido de Polanski de soltura sob fiança e concessão de prisão domiciliar, dizendo que havia um forte risco dele fugir. Essa rejeição levantou a perspectiva de até mais seis meses na cadeia caso ele continue lutando contra a extradição.
Ambos seus advogados franceses enfatizaram repetidamente o impacto da prisão sobre Polanski, 76 anos, que Kiejman descreveu como não estando em perfeita saúde. "O momento para emoção passou e todos entenderão que é necessário concluir este assunto de modo justo e equilibrado", disse Kiejman, citando uma carta da vítima, Samantha Geimer, que escreveu dizendo que perdoou Polanski e acredita que ele deve ser libertado.
Apesar da manobra dos advogados, Polanski está relativamente "isolado do mundo", segundo Kiejman, que disse que seu cliente está limitado a três telefonemas por dia. Todavia, ele ainda tem tentado oferecer orientação a distância para conclusão de seu filme mais recente, "The Ghost". A pré-estreia do filme está prevista para fevereiro, no Festival de Cinema de Berlim.
Além de seus comentários no programa de rádio, Kiejman se recusou, por intermédio de um assistente em seu escritório em Paris, a responder quaisquer perguntas adicionais a respeito dos argumentos a favor do possível retorno de Polanski aos Estados Unidos.
Na época dos procedimentos legais contra Polanski há mais de 30 anos, um relatório de 28 páginas de um agente orientador se mostrou amplamente favorável a ele, apesar de reconhecer o testemunho de Gaimer ao grande júri sobre um estupro forçado.
Esse relatório, que recomendava contra uma maior pena de prisão, concluía que "a presente ofensa parece ter sido espontânea e um erro de julgamento por parte do réu". Por muitos anos, a Suíça foi um refúgio para Polanski. Apesar de viver em Paris, ele viajava ao país com frequência e era dono de um chalé nos Alpes.
Mas segundo os documentos obtidos pela agência de notícias "The Associated Press", o governo que o ignorou por décadas no final voltou sua atenção para ele, avisando aos Estados Unidos em 22 de setembro de sua chegada iminente a Zurique e preparando sua prisão quatro dias depois.
Os documentos, adquiridos por meio de um requisição de registros públicos, traz à luz o processo que levou à prisão de Polanski e quão rapidamente as autoridades americanas foram alertadas pelas suíças, cujas ações foram criticadas por aqueles que apoiam Polanski.
Segundo a agência AP, a Justiça federal suíça enviou um fax urgente ao Escritório de Assuntos Internacionais do Departamento de Justiça, dizendo que Polanski seria homenageado em um festival de cinema de Zurique e perguntando se os Estados Unidos planejavam pedir sua prisão.
As autoridades federais informaram o gabinete do promotor público de Los Angeles, que providenciou um mandado de prisão. Em 26 de setembro, Polanski ficou sob custódia suíça após chegar ao aeroporto, vindo da Áustria.
Os créditos de Polanski como diretor de cinema incluem "Chinatown", "O Bebê de Rosemary" e "O Pianista".
Tradução: George El Khouri Andolfato