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02/11/2009

Pequeno é belo: crise expôs as fraquezas das grandes empresas

International Herald Tribune
Jack Ma*
Em Hong Kong (China)
As manchetes do ano passado sobre renomadas corporações globais ruindo com a recessão econômica global não foram sinais dos tempos, mas sim um prenúncio de uma revolução há muito esperada e que está de fato começando. Muitas dessas grandes empresas são relíquias do século passado e a crise financeira foi a última gota na exposição de suas fraquezas inerentes.

Nós estamos no início de uma revolução na qual tecnologias baseadas em internet mudarão para sempre a dinâmica de poder entre clientes e empresas. Empresas de pequeno e médio porte de todo mundo que explorarem esses novos desenvolvimentos e tendências emergentes serão aquelas que sairão à frente.

Cobertura completa da crise

  • UOL


Veja o exemplo dos grandes varejistas que assumiram o controle do sistema e forçaram fabricantes, não apenas aqui na China, mas também ao redor do mundo, a produzirem em massa produtos idênticos, com margens de lucro diminutas. Nas próximas décadas, isso mudará drasticamente, promovendo consequências com potencial de alterar a vida para aqueles que ignorarem as lições do ano passado.

Na próxima década, a internet passará pela há muito aguardada transição de canal de comércio para uma infraestrutura virtual que permitirá a empresas menores, que são de fato os principais motores da inovação, competir de forma eficaz com as grandes corporações.

A capacidade de identificar ou criar novas oportunidades de negócios ao redor do mundo será ilimitada. Por exemplo, uma empresa na China ou na Índia terá condições de concorrer com uma em Indiana, Estados Unidos. Mais importante, a empresa em Indiana que tiver a postura correta e visão global não apenas concorrerá com a Índia e a China, mas também com grandes corporações americanas e europeias.

Três tendências impulsionarão essa mudança: novas tecnologias baseadas em internet, uma transferência do controle sobre o design do produto para o consumidor e a distribuição global do capital. Como consequência dos avanços tecnológicos, empresas menores agora têm acesso a ferramentas e técnicas antes acessíveis apenas às grandes corporações.

Os clientes, que nos últimos anos vêm se queixando da variedade limitada nas grandes lojas de varejo, aproveitarão a internet para exigir produtos e serviços sob medida. E o capital, antes concentrado em apenas poucos países e acessível apenas pelas grandes corporações, agora está fluindo cada vez mais para pequenas empresas por todo o mundo para alimentar o crescimento.

As pessoas falam muito atualmente sobre consertar as coisas, mas não é o sistema que precisa ser consertado. O problema é com a chamada "sabedoria convencional". Aqueles que acreditam em dar continuidade aos negócios como de costume poderiam muito bem sugerir mover os automóveis com uma parelha de cavalos.

Por exemplo, mais de 1,1 milhão de empregos diretos foram criados somente na China nos últimos três anos por empresas que realizam comércio eletrônico utilizando plataformas Alibaba, e nós esperamos que esta tendência de criação de empresas e empregos acelerará globalmente na próxima década.
  • Yoshikazu Tsuno/AFP

    Tendências Na próxima década, a internet passará pela há muito aguardada transição de canal de comércio para uma infraestrutura virtual que permitirá a empresas menores, que são de fato os principais motores da inovação, competir de forma eficaz com as grandes corporações



Nos próximos anos nós veremos um aumento global exponencial de empreendedores pela internet, ou "netrepreneurs", que realizarão negócios apenas pela internet, produzirão produtos apenas para venda pela Internet e aderirão a uma série de princípios que incluirão o máximo respeito pelos clientes, sócios, a comunidade e o meio ambiente, além de uma disposição para abraçar e otimizar novas ideias. Eles estarão na vanguarda desta nova revolução. Esses empresários serão capazes de responder rapidamente às mudanças de gostos do consumidor usando inovação e criatividade.

Eles trabalharão com tecnologias antes disponíveis e de valor acessível apenas a grandes corporações multinacionais - videoconferência, gestão de estoque e relações com o consumidor, gestão de logística e cadeia de fornecedores - que interagirão de forma integrada nas plataformas online das pequenas empresas. Toda a Internet será seu mercado e a plataforma será seu escritório ou loja.

Estes netrepreneurs operarão com despesas mínimas, resultando tanto em preços mais baixos quanto melhores margens de lucro, assim como melhor remuneração aos funcionários, fornecedores, sócios e para eles mesmos. A principal tarefa: deixar os clientes satisfeitos e tratar sócios e outros acionistas de forma justa, enquanto as tecnologias da plataforma cuidam do resto.

Até 2019, meros 10 anos à frente, eu acredito que mais de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo utilizarão estas pequenas empresas online para aquisição de bens e serviços cotidianos. Os netrepreneurs serão um grande motor global de criação de empregos - o sustento de literalmente centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo dependerá, quase que exclusivamente, de fazer parte dessas organizações virtuais de negócios.

Mas há um ingrediente faltando que pode ajudar na concretização dessa visão. Apesar de ser comum as pessoas se concentrarem em grandes marcas, é importante notar que mais de 70% das inovações do mundo vêm de empresas de pequeno e médio porte. É por isso que é crítico que os líderes e autores de políticas dediquem mais tempo para encorajar o desenvolvimento desse setor da economia. Ele necessita de maior apoio ou meio de financiamento, programas de treinamento, políticas de impostos e avanços tecnológicos.

Em algum lugar do mundo neste momento, em uma garagem ou apartamento, se encontra a próxima empresa empolgante do planeta ou tecnologia revolucionária que promoverá melhoria real a longo prazo na vida das pessoas, e com o devido apoio, novos sonhos empresariais se concretizarão. É hora de parar de falar sobre apoio a pequenas empresas e começar a agir.

Pequeno é belo.

Jack Ma é fundador e presidente-executivo do Alibaba Group.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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