A crise financeira perturbou o ritmo dos esforços para abrir os mercados na maior parte do leste europeu, mas, apesar disso, a região continuará, no geral, se beneficiando com uma integração adicional às economias ocidentais, disse o Banco Europeu pela Reconstrução e Desenvolvimento (Berd) na última segunda-feira.
A região foi uma das mais atingidas pela crise, que começou nos Estados Unidos e atravessou o Atlântico, prejudicando os bancos ocidentais. Isso enxugou as linhas de crédito que haviam até então alimentado o crescimento no leste europeu.
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Em sua avaliação anual da saúde das economias, o Berd observou que esta integração financeira trouxe problemas agudos, tais como explosões de crédito, empréstimos excessivos e uma tendência para emprestar em moeda estrangeira.
Alguns países da região como a Hungria, Latvia e Romênia se voltaram para credores multilaterais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, assim como o Berd e a União Europeia, em busca de apoio emergencial. Muitos tiveram que cortar gastos, uma vez que seus déficits orçamentários se tornaram precários. E em países onde as hipotecas e outras dívidas domésticas eram denominadas em moedas estrangeiras, como o euro ou o franco suíço, os consumidores foram expostos a variáveis além do seu controle.
Mas acima de tudo, a combinação de ajustes ágeis por parte dos estrategistas políticos da região - permitindo que as moedas e as taxas de juros se ajustassem rapidamente, por exemplo - e decisões dos governos e credores ocidentais para abrir novos canais para os empréstimos significaram que "a pior das hipóteses não vai acontecer", disse Erik Berglof, economista-chefe do Berd, durante uma entrevista.
"Você não teria tanta certeza disso ao ver a situação no final do ano passado ou no começo deste ano", disse ele.
O Berd, com sede em Londres, enfatiza que os governos do leste europeu continuam comprometidos com a abertura econômica e que não houve o tipo de retrocesso que foi visto durante a crise financeira da Rússia em 1998. Ele acrescentou, entretanto, que é improvável que aconteça uma nova onda de reformas econômicas.
Os países, diz Berglof, devem agora se concentrar em fortalecer a regulação econômica e a administração dos riscos e em manter suas políticas macroeconômicas fortes e flexíveis.
O relatório afirmou que "tentar reverter a integração financeira seria a conclusão errada a se tirar a partir da crise", uma vez que a região "se privaria de uma fonte de crescimento."
"O modelo de crescimento essencial da região continua intacto", disse Berglof. "Está claro que a forma de lidar com essas armadilhas é estender os planos de transição, e não substituí-los".
No mês passado, o Berd previu que o crescimento na região se contrairia em média 6,3% este ano. Mas citou sinais de que a recessão estava chegando ao seu ponto mais baixo e aumentou sua previsão econômica para 2010 para 2,5%, em comparação ao 1,5% previsto em maio.
Edward Parker, chefe da equipe para Europa emergente na Fitch Ratings em Londres, disse que o desempenho da região será desigual daqui para frente e depende dos fatores específicos de cada país, como a dependência das exportações e commodities e a força de suas finanças públicas.
Entre as economias mais fortes estarão a República Tcheca, a Polônia e a Eslováquia, disse. Elas tinham orçamentos e posições comerciais mais robustos antes da crise e estão se beneficiando dos efeitos dos programas de estímulo na Europa Oriental e do aumento da demanda na Alemanha.
Outros, como Latvia e Lituânia, experimentaram influxos de capital relativamente grandes nos anos anteriores à crise e agora têm que reduzir as dívidas, usando a limitação fiscal para sair do grande desequilíbrio no orçamento doméstico e externo.
O Berd disse que a crise financeira mostrou a necessidade de medidas urgentes para ajudar a reduzir a dependência da Europa Oriental em relação aos empréstimos em moeda estrangeira e para gerenciar mais efetivamente a demanda por crédito.
Fora isso, Berglof disse que a crise complicaria os planos de alguns países da região de se juntarem em breve à eurozona.
Embora a crise tenha reforçado a importância de participar da eurozona para ganhar estabilidade, alguns países que esperavam um "atalho" para entrar nela ficarão desapontados, uma vez que muitos deles estão mais distantes ainda das metas macroeconômicas exigidas, disse.
Mas isso pode ser uma bênção, permitindo que as autoridades fortaleçam os mercados de capital das moedas locais e lidem com o problema da dependência excessiva em relação às moedas estrangeiras.
O Berd é o maior investidor na região. Ele apoia projetos em 29 países desde a Europa Central à Ásia Central, principalmente entre clientes do setor privado.
Ele disse em setembro que aumentaria seus investimentos este ano para 8 bilhões de euros (R$ 20 bilhões), 52% a mais do que em 2008.
Tradução: Eloise De Vylder