14/05/2005
Adolescentes têm informação sobre Aids, mas julgam que jamais se contaminarão
Marta Ricart
Em Barcelona
Os adolescentes catalães têm um bom conhecimento sobre o vírus da imunodeficiência humana (HIV), que causa a Aids, e sobre a doença. Mas esses conhecimentos parecem ser teóricos, pois seus professores não os consideram suficientemente informados e afirmam que acreditam que é uma patologia que não pode afetá-los, segundo um estudo da Federação Catalã de ONG/Aids. A pesquisa constatou que as meninas sabem menos sobre a Aids que os meninos.
O estudo, apresentado pela federação nesta sexta-feira (13/05), com o apoio do Departamento de Saúde, foi realizado entre quase 900 jovens de cerca de 15 anos, de 43 centros educacionais públicos, um de cada comarca catalã, exceto em algumas em que foram selecionados dois.
O objetivo do estudo era comprovar a suspeita de que na Catalunha há uma desigualdade territorial de informação e de recursos de formação entre os jovens sobre o HIV/Aids, e que os materiais e ações se concentram na área de Barcelona. Essa desigualdade não se confirmou, mas o estudo revelou que não se deve baixar a guarda em campanhas de prevenção do contágio pelo HIV.
O trabalho, segundo a socióloga Isabelle Torralles, incluía um teste de 30 perguntas aos adolescentes e questionários e entrevistas a seus professores e especialistas em orientação sobre Aids.
O teste para os meninos e as meninas revelou que 60% têm um conhecimento médio/alto sobre a doença e 24,8%, alto. O que eles mais sabem é sobre as formas de contrair a Aids e lugares onde se aconselhar, e o que menos sabem é sobre o teste de Aids e as medidas de prevenção, incluindo os preservativos masculino e feminino.
Não foram detectadas grandes diferenças por comarca, mas sim por sexo: as meninas sabem muito menos que os meninos, indicou Núria Barberá, secretária da federação.
Barberá salientou que o que falta parece ser prática, pois os educadores consideram insuficientes os conhecimentos de seus alunos. Os responsáveis pelo estudo atribuem isso ao fato de que os educadores levam em conta, além do conhecimento teórico, os comportamentos dos adolescentes (o estudo não os analisou). A maioria dos educadores salientou que os adolescentes não têm a percepção de que a Aids possa afetá-los.
Os professores apontaram a necessidade de um maior envolvimento na formação dos meninos, da família e da sociedade em geral. Dois em cada três educadores também assinalaram que os recursos informativos e formativos são insuficientes.
O estudo detectou um baixo nível desses recursos em toda a Catalunha. Em todas as comarcas são usados mais ou menos os mesmos, mas alguns centros trabalham o tema com maior freqüência e utilizam inclusive ateliês e a assessoria de enfermeiras.
Os responsáveis pelo estudo reconheceram que é urgente analisar agora os comportamentos dos adolescentes e por que as meninas estão menos informadas, para que se reforcem as ações dirigidas à prevenção de comportamentos de risco.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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