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07/06/2009

"Quantidade de prêmios Nobel indica a qualidade de um país", diz criador do Campus Excelência para prêmios Nobel

La Vanguardia
Lluís Amiguet
Entrevista com José Ramón Calvo, criador do Campus Excelência para prêmios Nobel e estudantes

Os prêmios Nobel servem para algo mais do que a vaidade?
"Não me curvo diante de cabeças coroadas e ainda menos de políticos ou milionários, mas sim diante daqueles cientistas que salvam vidas".

Quem disse isso?
Rosa Dausset, esposa do Nobel Jean Dausset, descobridor do HLA, o antígeno leucocitário graças ao qual podemos fazer transplantes de órgãos que hoje salvam vidas.

Grande, sim senhor!
E ela disse isso na época em que inclinava graciosamente a cabeça diante de seu marido...

Que sorte alguns maridos têm!
Eu também acho, como acreditava a senhora Dausset, que nem todas as especialidades do Nobel são semelhantes em termos de unanimidades.

Ah, não?
Os da Paz têm sido polêmicos - lembre-se do prêmio de Arafat - desde o início. O próprio Alfred Nobel concedeu o prêmio a uma senhora de mérito discutível pela qual parece que ele estava muito apaixonado...

Seduzir também é um talento.
E o Nobel de Economia na verdade é concedidos desde 1971, no Banco da Suécia, para a excelência em teoria econômica, mas a teoria econômica é só isso: teoria.

O de Ciência têm melhor qualidade?
Os de Literatura premiam uma trajetória de vida, e são mais opinativos e politizados; por outro lado, os de Ciência são objetivos: são concedidos para os feitos provados, a importância de contribuição e sua autoria, e ponto final.

Quem os propõe?
Só os que já ganharam podem indicar candidatos; algumas academias e alguns centros de excelência em pesquisa.

Por que não temos nenhum Nobel aqui [na Catalunha]?
Excelente pergunta, com uma triste resposta: porque não somos bons em ciência.

Mas no futebol ganhamos tudo.
O triste é que o professor Ayala Carcedo tem demonstrado que existe uma relação direta entre a capacidade inovadora de uma sociedade, a qualidade de seu sistema educativo e de pesquisa, seu talento e criatividade, e o número de prêmios Nobel.

Não é uma relação um tanto forçada?
De jeito nenhum, Ayala Carcedo documentou isso com rigor: os prêmios Nobel refletem a qualidade educacional e inovadora de um país.

Pois, ouça, não temos nenhum Nobel catalão.
E espanhol de ciência, quase que também não.

Mas Cajal e Ochoa estiveram lá!
Cajal, sim, eu admito, mas Ochoa na realidade foi só um vencedor do Nobel nascido na Espanha, que fez sua carreira nos EUA.

E além disso Franco o menosprezou.
Lembro de uma tarde deliciosa que passei com ele em sua casa, e de uma frase que ele disse, que depois causou escândalo: "A universidade deve ser só para as elites".

Hoje não é politicamente correta.
Mas está certa! A universidade não pode ser para todos: deveríamos ter uma formação técnica e profissional com o mesmo prestígio e qualidade que a universitária.

Suponho que este não seja o único problema.
Sendo o 10º e 11º país do mundo em muitos rankings econômicos, deveríamos ter uma quantidade de prêmios Nobel semelhante à da Holanda - 17 de Ciências - e no entanto estamos no 21º lugar do ranking de prêmios Nobel científicos junto com países como Portugal, México ou República Tcheca.

Qual é o problema, além da universidade?
Quase toda a pesquisa espanhola é estatal e rigidamente enquadrada em esquemas burocráticos que as desincentivam. Nesse sentido, a Catalunha, com seu programa Icrea - que permite contratar pesquisadores à margem dessa burocracia - vai numa boa direção. Veremos resultados.

Até agora os resultados foram muito ruins?
Há pouco tempo presenciei uma banca para uma vaga de pesquisa. Um cientista belga se apresentou e depois de todas as provas, pediram que ele apresentasse "fotocópias de seus artigos científicos?" Claro, ele respondeu. "Eu as enviei por e-mail".

Já estou vendo... Isso é muito triste.
Disseram para ele que os documentos deveriam ser em papel. E o homem respondeu que os traria em papel. "Mas já está fora do prazo", responderam. E ficamos sem o talento belga.

Esses forasteiros é que não aprendem.
Exato: nosso sistema é tão protecionista que até os bons cientistas espanhóis formados fora têm muitos problemas de validação.

Por que os EUA têm tantos prêmios Nobel?
É bem sabido: quantias imensas destinadas a inovar e um sistema público e privado muito competitivo, mas também a vantagem história de ter recebido cientistas europeus judeus, de esquerda, ou simplesmente pacifistas que fugiram da Europa por causa da guerra mundial.

Isso já faz sessenta anos.
Veja as estatísticas dos prêmios Nobel: o salto se deu naquela época e ainda explica porque os EUA têm vinte anos de vantagem na pesquisa em relação à UE. Você vai ver como eles sairão antes da crise graças a isso.

Mas por que por aqui continuamos com uma má colocação mesmo dentro da UE?
Em parte porque não sabemos inglês: nem nossos políticos, nem nossos cientistas. O número de citações que eles obtêm no índice SCI (Science Citation Index) de publicações científicas é determinante, e muitos artigos de espanhóis não conseguem ser selecionados por seu inglês ruim. Isso explicaria, entre outras coisas, a vantagem dos holandeses, perfeitamente bilíngues.

Tradução: Eloise De Vylder.

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