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02/06/2006
Físicos russos descobrem um novo elemento

Jean-François Augereau

Há várias décadas, um pequeno grupo de cavalheiros pesquisadores está em busca de um Graal científico cuja existência foi prevista pelos teóricos: o de um mundo povoado de átomos que não existem na Terra em estado natural.

Muito recentemente, segundo revela o "Izvestia" (um dos principais jornais do país), uma equipe de físicos russos de Dubna dirigida pelo acadêmico Iouri Oganessian, criou um desses átomos, um isótopo do elemento 114, que desapareceu meio segundo mais tarde, por causa do processo de decréscimo radioativo.

Apesar do aspecto bastante efêmero desta descoberta, a comunidade dos
especialistas saudou a façanha, enquanto ela se prepara para reproduzir a experiência para validá-la. Desde a Segunda Guerra mundial, os físicos dos grandes países envolvidos na corrida para o domínio do átomo perseguiram constantemente a meta de produzir artificialmente elementos mais pesados do que o urânio, cujas diferentes espécies (isótopos) possuem um núcleo que contém 92 prótons. É este número caracterizado pela letra Z que serve de carteira de identidade para átomos dos mais diversos tipos. O mais leve, o hidrogênio, que ocupa junto com Z = 1 o primeiro lugar na tabela periódica dos elementos de Mendeleiev, enquanto o mais pesado, o urânio, com Z = 92, ocupa o último lugar.

Uma vez que as forças da natureza em muitos casos tendem também a se transformar nas mesmas coisas procuradas pelos cientistas, outros elementos mais pesados do que o urânio foram rapidamente produzidos durante os anos da guerra, tais como o netúnio (93) ou o plutônio (94). Com o passar do tempo, a lista foi se ampliando com a produção de elementos ainda mais pesados, mas dotados de uma existência - os físicos falam em meia-vida - mais fugaz: algumas frações de segundo. Com isso, eles passaram do número 92 do urânio para aquele - o 109 - do meitnério, isolado em 1982.

114 prótons

Mas existe uma corrida ainda mais ofegante que vem sendo disputada desde então pelas equipes russa de Dubna, americanas de Berkeley e de Livermore, alemã de Darmstadt e, mais recentemente, japonesa de Riken e francesa de Ganil, em Caen (oeste). No período de uma dezena de anos, as descobertas dos átomos super-pesados - é o nome deles - 111, 112, 113, 114, 115, 116 e 118 foram anunciadas. O último foi recusado em função de uma falsificação dos resultados, enquanto a existência de alguns dentre eles pede para ser reconfirmada antes que eles recebam definitivamente um nome.

A tarefa é difícil. Primeiro, porque se trata de uma física delicada na qual são precipitados em velocidades muito elevadas átomos pesados sobre alvos de átomos que também o são, o que gera ao longo de cerca de uma semana bilhões e bilhões de eventos dos quais apenas um ou dois representam um interesse.

Além disso, este sendo o caso da mais recente descoberta de Dubna, porque o elemento 114 que acaba de ser criado não é o mesmo que aquele, que também levava o número 114, que foi sintetizado pela mesma equipe em 1999. Trata-se de fato de um isótopo - uma espécie de "irmão" - cujo núcleo possui o mesmo número de prótons, porém um número diferente de nêutrons.

Pouco importa, ainda assim é mais um passo rumo àquilo que todos estão buscando: um elemento cuja lenda, ou antes a teoria, prevê a existência e que, uma vez que o número dos prótons e dos nêutrons do seu núcleo seria duplamente mágico, poderia sobreviver durante algumas horas.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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