01/12/2006
A Otan propõe uma "parceria" para Sérvia, Bósnia e Montenegro
Laurent Zecchini
enviado especial a Riga, Letônia
A cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico-Norte), que foi encerrada na quarta-feira, 29 de novembro, não alcançou os resultados esperados: a vontade dos Estados Unidos de transformar a Aliança Atlântica numa organização mais política dotada de competências mundiais não foi avalizada pelos 26 Estados-membros.
Paris pretendia obter um reconhecimento do papel militar crescente da União Européia (UE) na arquitetura da segurança internacional, mas não foi bem-sucedido: com a exceção de uma referência ritual ao aprimoramento da "parceria estratégica entre a Otan e a UE", a identidade européia no âmbito da Otan não saiu reforçada.
Por sua vez, o presidente George W. Bush havia manifestado a vontade de que a Otan "se transforme de uma Aliança estática focalizada na defesa da Europa, numa Aliança expedicionária pronta para entrar em ação no exterior da Europa para defender a liberdade".
O presidente norte-americano havia insistido na importância de uma "parceria global" que permita que a Otan organize treinamentos e um "planejamento de defesa comum" junto com países tais como o Japão e a Austrália. Enquanto esta vontade não vingou, Washington ainda assim conseguiu obter uma sucessão de iniciativas que reforçam, todas elas, as parcerias que a Otan vem desenvolvendo com um número crescente de países.
Ainda que os participantes tivessem decidido que essas parcerias serão implantadas apenas "no caso a caso", a idéia segue o seu caminho. Com isso, o comunicado final da cúpula de Riga pode ser lido com uma avaliação igualmente positiva dos dois lados do Atlântico.
Jacques Chirac havia acertado em sua análise dessas questões: "Eu nunca fui um partidário fervoroso", declarou o presidente, "de uma ampliação dos objetivos da Otan a questões que não dizem respeito à sua vocação primeira (...)". Quanto à transformação militar da Otan, esta é encarnada pela Força de Reação da Aliança (NRF), e a França nela exerce um papel importante.
"Sinal político"
Hoje existe um consenso entre os 26 Estados-membros em torno do reconhecimento da pertinência da Otan, a qual é atestada pela lista dos países que dela querem participar. Um passo suplementar nesta direção foi dado em Riga quando a Bósnia-Herzegovina, a Sérvia e o Montenegro foram convidados a aderir à "Parceria para a paz", a qual constitui uma espécie de "exame de admissão" de uma candidatura a integrar a Otan.
Trata-se de uma guinada importante para a Aliança que, até então, condicionava uma tal etapa a uma cooperação de Belgrado e Sarajevo com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia; ou, em outras palavras, à obtenção de resultados no que se refere à captura dos criminosos de guerra Ratko Mladic e Radovan Karadzic.
Em Haia, a sede do Tribunal na Holanda, a procuradora Carla Del Ponte "lamentou" uma decisão "que se parece com uma recompensa [para a Sérvia e a Bósnia] pela cooperação que esses países não forneceram até agora".
O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, explicou que a Aliança quis "enviar um sinal político" a esses dois países. Um intenso debate foi travado entre membros da Aliança. Enquanto alguns preferiam privilegiar a manutenção do caráter condicional da proposta, outros explicaram que este convite iria favorecer as "forças progressistas" na Sérvia e na Bósnia. Em função da reviravolta dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, foi esta segunda "escola" que levou a melhor.
No que diz respeito ao Afeganistão, os resultados são magros. A França, a Alemanha, a Itália e a Espanha aceitaram com muitas reticências dar mostras de uma maior maleabilidade em relação ao envio das suas tropas para as áreas perigosas do Sul e do Leste. A França ofereceu dois helicópteros Cougar, os poloneses confirmaram a sua promessa de contribuir para as operações com o envio de um contingente de 1.000 homens, enquanto a República Tcheca duplicou o seu contingente, que passou para 225 homens.
Ainda assim, estamos longe dos 2.500 homens suplementares que reclama o general James Jones, comandante supremo das forças aliadas na Europa.
Tradução: Jean-Yves de Neufville
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