UOL Mídia GlobalUOL Mídia Global
UOL BUSCA

RECEBA O BOLETIM
UOL MÍDIA GLOBAL


01/06/2007
A justiça da Malásia transfere para um tribunal islâmico um caso de conversão ao cristianismo

Sylvie Kauffmann
Enviada especial a Kuala Lumpur


Será o Estado malásio competente para deliberar sobre o direito de um dos seus súditos de renunciar à religião muçulmana? Numa decisão considerada por uma ampla maioria como um teste para a liberdade religiosa na região, a mais alta jurisdição da Malásia respondeu pela negativa, na quarta-feira, 30 de maio, e determinou que o caso da queixosa fosse julgado por um tribunal islâmico.

A queixosa, Lina Joy, nascida com o nome de Azlina Jailani, e muçulmana, converteu-se ao cristianismo e obteve do Estado que a sua mudança de nome fosse reconhecida em 1998. Em contrapartida, o Estado recusou-se a levar em conta a sua mudança de religião - que está inscrita na carteira de identidade de todos os cidadãosde etnia malásia, considerados como muçulmanos de nascimento -, exigindo para tanto que a jovem mulher protocolasse primeiro a sua decisão por um tribunal islâmico.

Mas, uma vez que as autoridades religiosas não reconhecem a apostasia (renúncia de uma religião), Lina Joy empreendeu uma batalha jurídica para tentar fazer com que a justiça civil reconheça o seu direito de escolher a sua religião, direito que está inscrito na Constituição, de modo a poder se casar com um cristão.

"Abuso de poder"

Esta batalha desembocou, na quarta-feira, na decisão da Corte Federal da Malásia, que foi tomada por uma maioria de dois contra um - dois juízes muçulmanos contra um não-muçulmano. O veredicto, que foi aclamado por algumas centenas de muçulmanos reunidos no adro do palácio de justiça e que repetiam aos brados "Allah akbar" (Alá seja louvado), com o punho erguido, deixou consternados os representantes das outras religiões que também estavam presentes.

A Malásia, que diz ser um país multicultural e multiconfissional, conta cerca de 60% de malásios, 25% de habitantes de etnia chinesa e 10% de etnia indiana, o restante é distribuído entre outras etnias. Em virtude de um programa antigo de discriminação positiva, o estatuto de malásio-muçulmano dá direito a diversos tratamentos preferenciais no plano econômico.

O presidente da Corte, Ahmad Fairuz Abdul Halim, estimou que Lina Joy "não poderia simplesmente entrar e sair de uma religião como bem entender. Existem regras que devem ser respeitadas". Defendendo a opinião oposta, o juiz Richard Malanjum considerou por sua vez que "o direito constitucional fundamental da liberdade religiosa (da Sra. Joy) havia sido violado" e qualificou de "abuso de poder" a recusa do estado civil a retirar a menção "Islã" da sua carteira de identidade.

Lina Joy, que tem hoje 42 anos e, segundo afirmam vários advogados, vive no exterior, não estava presente durante a audiência. Segundo o advogado Malik Imtiaz Sarwar, que representava a Ordem dos advogados da Malásia neste caso, a decisão da Corte federal "reflete uma vontade de fazer dos tribunais islâmicos um sistema judiciário paralelo e igual" ao sistema civil.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

ÍNDICE DE NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
Governo prorroga desconto do IPI para carros flex até março
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Confira a resolução comentada
da primeira fase da Fuvest 2010

UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA





Shopping UOL

Gravadores Externosde DVD a partir
de R$ 255,00
Câmera Sony6MP a partir
de R$ 498,00
TVs 29 polegadas:Encontre modelos
a partir de R$ 699