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27/03/2008
As formas possíveis de fazer sexo em 2050

Catherine Vincent

Fazer amor sem complexo aos 80 anos. Adquirir objetos sexuais de uma tecnicidade inimaginável atualmente. Realizar virtualmente as fantasias mais ousadas na Internet... Tudo isso, dentro de vinte anos, talvez já seja parte da nossa paisagem familiar.

Mas isso não é nada se comparado com aquilo que prevê David Levy, um pesquisador britânico em inteligência artificial. O título da tese que ele defendeu, em outubro de 2007, na Universidade de Maastricht (Holanda), "Relação íntima com um parceiro artificial", fala por si mesmo. E mais ainda o do livro que a editora HarperCollins dela extraiu, "Love and Sex with Robots" ("Amor e sexo com robôs"). Resumindo: David Levy afirma que em 2050, os robôs se parecerão tanto com a gente, no plano físico e comportamental, que alguns dentre nós se apaixonarão por eles, e com eles terão relações sexuais.

E se isso for verdade? Se só lhes faltasse a aparência humana para nos seduzir? No que diz respeito aos sentimentos, o sucesso dos Tamagotchi ou de Aibo, o cão robô da Sony, mostra que a nossa necessidade de apego pode muito bem se fixar em seres virtuais, às vezes chegando até mesmo às raias da insensatez.
No laboratório de pesquisas em comunicação multimídia (MCRLab) da Universidade de Ottawa (Canadá), os pesquisadores estão empenhados em tentar transmitir, via Internet, sensações táteis sincronizadas com os dados audiovisuais. "Por meio de uma interface tátil - luvas ou uma combinação -, o tato permitiria, por exemplo, que dois internautas apertem a mão um do outro", explica Abdulmotaleb El Saddik, o diretor do MCRLab. Por enquanto, tais ferramentas ainda não existem. E nem mesmo a linguagem de modelagem capaz de tratar esses dados.
TECNOLOGIAS HÁPTICAS


Em relação ao sexo, o caminho parece estar traçado de modo ainda mais nítido: no momento em que os objetos sexuais já podem ser comprados a partir do catálogo de vendas por correspondência de respeitáveis empresas comerciais, e numa época em que o direito ao prazer está sendo exibido em todas as esquinas, o obstáculo não parece ser tanto de ordem moral quanto técnico. E os fabricantes de "love dolls" (bonecas do amor) já estão rivalizando no plano da engenhosidade para conferirem a essas bonecas de silicone de tamanho real, que há muito deixaram de ser "infláveis", a mais realista das aparências. A prova disso está na Internet.

Basta clicar em alguns endereços para conhecer Brigitte, cujo esqueleto é feito de alumínio articulado; peito com circunferência de 90 cm; altura de 1,67m, "três orifícios funcionais" (Mechadoll, França, 6 990 euros - cerca de R$ 19 mil). Ou descobrir os encantos de Andy, que "geme quando você a acaricia", ou Loly (a cabeça das duas é intercambiável), cujos olhos "enxergam" por meio do seu software de reconhecimento de formas (First Androids, Alemanha). Ou ainda render-se ao charme de um exército de "candy girls" ("gostosas") asiáticas - de longe as mais doces e as mais realistas (Orient Industry, Japão). Procurando com maior atenção nas páginas desses catálogos, é possível encontrar até mesmo Charlie, um atleta musculoso de pele fosca, olhos castanhos, cujo tamanho do pênis é "mediano" (RealDoll, Estados Unidos).

Até o presente momento, vale reconhecer que essas bonecas de amor não cativam mais do que alguns milhares de amadores em todo o mundo. Homens estes que, em sua maioria, são solteiros, possuem uma polpuda conta bancária, mas cujo coração está triste e solitário. Contudo, o que aconteceria se esses campeões do sexo seguro e de pele acetinada se tornassem capazes de se mover "naturalmente"? Se eles dessem mostras de iniciativa, e, sobretudo, daquele "suplemento de alma" que tanto importa para nós?

É precisamente esta evolução que prevê David Levy, para quem a questão não é de saber se nós faremos amor um dia com robôs, mas sim, quando. Para escorar a sua tese, ele aponta os progressos rápidos nas pesquisas que visam a dotar essas máquinas de sentimentos tais como a empatia. Este especialista em inteligência artificial está convencido de que a próxima etapa do seu desenvolvimento será a de "responder às emoções de uma pessoa manifestando outras emoções, para melhor interagir com os humanos". Por enquanto, ainda estamos longe deste estágio: os humanóides dotados do melhor desempenho são apenas capazes de distinguir dois indivíduos um do outro.

Mas, atualmente, os japoneses, que estão muito preocupados com o envelhecimento da sua população e com a ajuda crescente que eles terão de lhes proporcionar, andaram investindo enormemente neste campo. Quanto à União Européia, ela está financiando, à altura de 2,5 milhões de euros (cerca de R$ 6,7 milhões), para o período que vai de 2007 a 2010, o projeto Feelix Growing, que visa a elaborar robôs capazes de interagir com os seres humanos e de sentirem emoções. Para aprenderem melhor a lidar com o comportamento dos doentes ou das pessoas idosas aos quais eles deverão prestar assistência, esses auxiliares de vida repletos de câmeras e de detectores saberão um dia analisar a maneira de andar de uma pessoa, o tom da sua voz, as expressões do seu rosto. E eles poderão lhe responder de maneira apropriada, de modo a acalmá-la, a guiá-la... Ou a repreendê-la.

Nessas condições, por que não imaginar a presença na sua cama, em 2050, de um andróide mais real do que a própria natureza? A idéia fará fremir uma grande maioria de humanos, para os quais o mais realista dos robôs, até mesmo aquele dotado de uma voz de sonho sussurrando "eu te amo" no nosso ouvido, jamais substituirá um parceiro humano. Contudo, haveria muito a ganhar com este convívio, rebate David Levy. Seria possível desfrutar qualidades como a fidelidade absoluta, o humor constante, a juventude eterna... Sem contar com um desempenho sexual a toda prova. Programável à vontade, este parceiro extraordinário poderia alternadamente ser colocado "em modo de aprendizagem" ou compartilhar "as posições e as técnicas eróticas do mundo inteiro". E tudo isso sem nunca sofrer pane alguma nem enxaqueca.

O que acontecerá então com o casal, com a família, se esses companheiros artificiais invadirem o campo da nossa intimidade? O fato de trair o seu cônjuge com o robô será assimilado ao adultério? Será que o amor romântico poderá sobreviver à irrupção deste novo parceiro? A todos aqueles que tais perspectivas deixam preocupados, muitos respondem apontando para um cenário completamente diferente. Em 2050, afirmam eles, as crianças poderão facilmente ser concebidas fora de toda sexualidade, enquanto o amor físico tal como nós o concebemos desde os primórdios da humanidade terá perdido boa parte do seu encanto se comparado com a realidade virtual. Ninguém fará mais amor IRL (in real life, "de maneira real"), mas sim, apenas virtualmente, por intermédio de um computador. Ou da máquina que terá essa função.

Na base desta hipótese estão as tecnologias "hápticas", que simulam a sensação do tato. Trata-se de uma faceta da realidade virtual que está apenas engatinhando, mas cujas aplicações possíveis, tanto no campo do jogo quanto no da indústria, são consideráveis. Num futuro próximo, a mãe de um menino que estiver chorando talvez possa consolá-lo, a partir do seu escritório, acariciando o seu rosto à distância. E o apaixonado que estiver viajando talvez possa dar um beijo nos lábios da sua amada.

E num futuro não tão próximo assim? Vamos supor a invenção de um macacão capaz de modelar o corpo com perfeição, coberto na sua parte interna por detectores-estimuladores microscópicos. Uma rede de banda larga de altíssima velocidade que encaminha quantidades consideráveis de dados inerentes à telepresença tátil. Sistemas informáticos de uma potência de cálculo suficiente para tratar, numa velocidade quase-instantânea, esses milhões de informações...

Bastará então enfiar esta pele "inteligente" e conectar-se ao ciberespaço para emitir e receber as sensações táteis da nossa escolha. Será o suficiente para desfrutar, até o final do século, os prazeres de uma relação sexual eletrônica "tão satisfatória quanto se ela fosse carnal", afirma o americano James Hugues, um sociólogo no Trinity College de Hartford (Connecticut).

Contudo, este mercado que seguramente deverá ter muitos fornecedores e clientes, e ser muito lucrativo, poderá vir a ser contrariado por um outro: o dos feromônios, essas substâncias inodoras emitidas por numerosas espécies animais, todas as quais são detectadas pelo cérebro como sendo filtros do amor. Se a eficácia dos feromônios humanos for comprovada - ainda não é o caso -, e se conseguirem sintetizá-los à vontade para incorporá-los a perfumes, esses afrodisíacos terão tudo para fazer furor. E, desta vez, não serão nem os robôs, nem os computadores que os apreciarão...

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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