Durante dois dias eles darão novamente à capital alemã a imagem de uma cidade cortada em dois, antes de desabar em uma impressionante encenação. A partir de 7 de novembro, mil pedaços de muro simbólicos, com altura de 2,50 m, serão dispostos ao longo do traçado do antigo Muro de Berlim entre o Bundestag (Parlamento alemão) e a Potsdamer Platz, ou seja, uma distância de 1,5 km.
Depois eles cairão um a um em efeito dominó na noite de 9 de novembro, aniversário da queda do muro. Essa ação espetacular, que deverá durar 50 minutos, será transmitida ao vivo pela rede de televisão pública alemã ZDF.
A queda simbólica será o auge da Festa da Liberdade, a grande cerimônia comemorativa da queda do muro, no local histórico da Porta de Brandeburgo. Esse evento, ao qual estarão associadas grandes personalidades como o ex-secretário geral da ONU Kofi Annan ou o último presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, começará com um concerto ao ar livre sob a direção de Daniel Barenboim.
A grande maioria desses pedaços de muro, concebidos em um material leve, o isopor, foi decorada por jovens do mundo inteiro. "Queríamos atrair uma geração que não conheceu a Guerra Fria", explica o comitê de organização "20 Anos da Queda do Muro".
Artistas do muro como o francês Thierry Noir, mas também personalidades de prestígio como o prêmio Nobel da Paz Nelson Mandela, que pintou dois dominós com sua filha e seus netos, deram sua contribuição. O ex-chefe de Estado polonês Lech Walesa assinou um dominó decorado por jovens de uma escola germano-polonesa de Berlim.
RepercussõesTrinta dominós vêm de países que vivem ou viveram a experiência de um muro de separação, como Iêmen, Israel, os territórios palestinos, Coreia, México, China ou Chipre. O Instituto Goethe pediu a artistas e jovens dessas regiões que exprimissem suas reflexões sobre o tema da divisão. A ideia era mostrar que a queda do muro em 1989 teve repercussões em outras fronteiras além da que dividia a Alemanha.
Alguns resultados são totalmente surpreendentes. O artista chinês Xu Bing moldou um dominó em uma tonelada de cimento para ilustrar a censura que existe em seu país sobre esses acontecimentos. Depois das festividades de 9 de novembro, uma parte dos dominós será conservada na Casa da História da República Federal Alemã, em Bonn, e no Fórum Histórico de Leipzig.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves