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04/11/2009

A eleição do governador de Nova Jersey, teste decisivo para Barack Obama

Le Monde
Sylvain Cypel
Enviado especial a Newark, Trenton, Princeton (Nova Jersey)
Pela terceira vez desde sua eleição, em 4 de novembro de 2008, e pela segunda vez em três semanas, Barack Obama foi até Nova Jersey, no domingo (1º). O objetivo era apoiar a candidatura de Jon Corzine, o governador democrata que se apresenta diante dos eleitores nesta terça-feira. Seu opositor, Christopher Christie, promotor desse Estado vizinho de Nova York, tem por slogan uma palavra de ordem que teve uma certa notoriedade, há exatamente um ano: "Aqui, a mudança sou eu!"...

Nenhum outro Estado norte-americano pode se gabar de ter recebido com tanta frequência o novo presidente, que aposta pesado nesta eleição. "O eleitorado votará em questões completamente locais", diz Julian Zelizer, especialista em História política local na Universidade de Princeton. "Mas a imprensa nacional transformará o resultado em questão nacional."
  • Susan Walsh/AP

    Barack Obama participa da campanha de Jon Corzine para o governo de Nova Jersey


Há vinte anos Nova Jersey é democrata. Durante muito tempo foi o Estado líder do pleno-emprego, mas agora está na média norte-americana do desemprego. Seus cidadãos culpam, a princípio, seus parlamentares. "Desde 1992, ninguém venceu uma eleição local em nível do Estado sem o apoio de poderosos sindicatos", observa Tom Moran, cronista política do "Star Ledger", principal jornal local.

Há dois meses, Christie, o oponente, liderava com folga. Nas últimas semanas, o governador recuperou terreno. Mas nada está certo. Se o candidato apoiado por Barack Obama perder, "os republicanos se animarão. O presidente terá dificuldade em ver aprovada sua reforma da saúde. Terá início uma espiral negativa", explica Zelizer. "Por outro lado, se Jon Corzine vencer, Obama poderá fazer com que se adote uma cobertura de saúde pública universal. Seu mandato será totalmente reavivado".

Nova Jersey ou o mundo político do avesso. O bilionário Corzine, ex-presidente do banco de investimentos Goldman Sachs, gasta sem dó. Ele defende o seguro médico universal, a educação obrigatória até os 16 anos, a promoção das minorias. "Eu não abaixarei os impostos dos ricos; se for preciso, os aumentarei", repete. O candidato dos sindicatos é ele. Corzine acaba de sair de um escândalo em que pagou vários milhões de dólares pela discrição de Carla Katz, diretora de um grande sindicato de funcionários públicos, que foi sua amante...

Na oposição, Christie se apresenta como o homem do povo contra "o candidato de Wall Street". Ele promete abaixar os impostos, sobretudo o territorial - o mais elevado dos Estados Unidos - e acusa seu adversário de "corrupção". Em oito anos, o promotor Christie enviou para trás das grades 130 dirigentes democratas. Sua última ação de sucesso: uma grande operação contra uma rede de lavagem de dinheiro. Além de cinco rabinos ultraortodoxos, ela envolvia um alto oficial do Estado e três prefeitos. Em 22 de outubro, Jo Ferriero, ex-líder democrata do condado de Bergen, foi condenado por corrupção em seu julgamento.

A equipe do governador responde que, antes de ser promotor, Christie foi lobista para emissores de títulos de risco. "O corrupto é ele", insistem os democratas.

A campanha é uma das mais sujas já vistas em Nova Jersey. Nas propagandas, o governador Corzine, de 62 anos, sem barriga (ele corre 15 km todos os fins de semana) e com a barba sempre impecavelmente feita, zombou do físico de um adversário que "joga todo seu peso" na batalha. Christie, de 47 anos, luta há muito tempo contra uma obesidade crescente. "O que há de mais norte-americano do que um hambúrguer e uma cerveja gelada? O argumento de Corzine é indecente", clamam os partidários do republicano. Estamos longe do novo sopro de vida na política que tomou os Estados Unidos em novembro de 2008.

O confronto entre Wall Street e Main Street - entre os ricos e o povo trabalhador, um clássico da política norte-americana - ressurgiu aqui, mas do avesso.

Enquanto Jon Corzine foi eleito senador de Nova Jersey em 2001, e depois governador em 2005, diz o professor Zelizer, "o fato de ter sido presidente da Goldman Sachs era um trunfo. As pessoas diziam: talvez ele compre a eleição, mas que grande administrador! Acabou tudo. O governador agora está associado à recuperação dos bancos de investimentos, o que agora é muito mal visto".

Em uma propaganda, Christie chegou a retratar o ex-diretor da Goldman Sachs como Gordon Gekko, o vilão do filme de Oliver Stone, "Wall Street", para quem "Greed is good" (A ganância é boa). E depois ele o acusou de ter administrado Nova Jersey "de forma tão catastrófica quanto seus amigos banqueiros administraram Wall Street". Os assessores do governador logo lhe sugeriram que lembre o menos possível seu passado de banqueiro.

Pesquisa após pesquisa, 60% do eleitorado de Nova Jersey rejeita a gestão do governador. Mas em uma eleição de um turno, este último espera que o candidato independente, Christopher Dagget, leve de 16% a 20% dos votos. A maior parte deles viria do eleitorado republicano. De forma que 38% a 42% dos votos poderiam permitir que o atual governador fosse reeleito. No domingo, Obama estava lá para convencer os jovens pouco politizados que o apoiaram um ano atrás a votar novamente. A eleição poderá ser decidida com alguns milhares de votos.

Tradução: Lana Lim

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